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Correio da Manhã

Desporto

Vergonha histórica no inferno bávaro

Mudou aos cinco, acabou aos doze. Caso desse para pensar que pior do que levar cinco era impossível, o Sporting encarregou-se de bater mais no fundo e ontem encaixou 7-1. A pior derrota de sempre, fazendo baixar no ranking das humilhações o 6-1 frente ao Hibernians, em Edimbugo, em 1972, na extinta Taça das Taças.
11 de Março de 2009 às 00:30
Podolski faz o segundo golo do Bayern de costas para a baliza
Podolski faz o segundo golo do Bayern de costas para a baliza FOTO: Michael Dalder/Reuters

Foi confrangedor o Sporting, sem andamento para lides da Champions. Foram sete golos, podiam ter sido mais para o que se viu entre as equipas – um Bayern de milhões, um Sporting de tostões.

Ontem, o jogo foi um monólogo da força e da técnica conjugadas no lado bávaro, atirando ao tapete um leão que parecia estar ainda a sarar as feridas de há quinze dias.

O golo de Podolski, logo de início, cavou ainda mais as diferenças abismais entre bávaros e leões.

Comparado com o Sporting, o Bayern mostrou que é de outro mundo e depois, com golos surreais, como o segundo do Bayern – anedótico o desentendimento entre Polga e Patrício – pior ainda. Polga, que não consegue marcar um golo para a Liga, mostrou propensão europeia, mas na baliza errada, ‘disfarçando’ a falta de Toni no ataque bávaro.

O Sporting ainda tentou dar um pontapé na crise – num belo golo de Moutinho –, mas isso só despertou a fúria bávara, por Schweinsteiger, mais uma vez com Polga a ver passar a banda. Ao intervalo, Bento tirou Veloso – ser lateral-esquerdo e não jogar bem persegue-o. Izmailov entrou bem, mas Van Bommel, Klose e Müller reduziram a uma expressão de total vulgaridade a equipa leonina, onde se viu Polga de gatas. No fundo, o espelho de um Sporting que ontem envergonhou o futebol português.

ANÁLISE

POSITIVO: PODOLSKI À MATADOR

Marcou os dois primeiros golos dos bávaros, com o oportunismo, a astúcia e a azelhice de Polga e Patrício. Mas estava nas sobras e só por isso tem todo o crédito.

NEGATIVO: POLGA À SUICIDA

Polga teve culpa directa em quatro golos, mais de meia culpa no primeiro e ficou a ver no quarto. Se o filme era de terror, o central foi mais do que figurante. Foi o actor principal.

ARBITRAGEM: MARTIN HANSSON

Com um resultado tão desnivelado, foi só deixar jogar. Teria dado jeito um juiz à portuguesa, para quebrar o ímpeto bávaro.

'NÃO MOSTRÁMOS VALOR' (PAULO BENTO)

'Entrámos receosos e depois fomos acumulando erros atrás de erros. Não tirámos o jogo da primeira mão da cabeça.' Foi com estas palavras que o técnico Paulo Bento definiu o descalabro em Munique. O treinador leonino afirmou ainda que estas duas goleadas 'mancham a trajectória do Sporting na edição 2008/2009 da Liga dos Campeões. 'Não mostrámos valor para jogar nesta fase da competição. Não éramos favoritos, é um facto, mas não poderíamos ter saído da prova desta forma', concluiu Paulo Bento, garantindo que a pesada derrota 'vai fazer mossa mas a equipa vai reagir'. Também o capitão João Moutinho , autor do único golo do Sporting, se mostrou abatido no final da partida: 'Estamos com vergonha, apesar de termos feito tudo para ter outro resultado. O medo apoderou-se dos jogadores.'

EQUIPA DO SPORTING

LEÃO SAIU DE CASA COM POLGA ATRÁS DA ORELHA

João Moutinho. O que lhe falta em altura, sobra-lhe em talento. Um golo soberbo e uma entrega ao jogo ao nível dos melhores. Deixou o relvado envergonhado e a sonhar com outros voos.

Rui Patrício. Apático no primeiro golo dos alemães, ficou ainda pior na fotografia, quando Poldolski bisou na partida. Noite para esquecer.

Pedro Silva. Ganhou, em definitivo, a corrida a Abel. Mas, ontem, apenas isso. Foi para a esquerda com a saída de Veloso, mas continuou à deriva.

Tonel. Sem ritmo. Acompanhou Polga no desastre defensivo da equipa.

Polga. Inseguro e desconcentrado. Ofereceu dois golos a Podolski e, não satisfeito, marcou ele próprio o terceiro dos bávaros. Uma das piores exibições com a camisola do Sporting vai dar, certamente, muito que pensar a Paulo Bento.

Miguel Veloso. E agora? Será que alguém o defende? Regresso à equipa para render Caneira durou apenas 45 minutos. Um zero... à esquerda.

Adrien. Vontade e espírito de sacrifício não chegaram para se bater com os melhores.

Pereirinha. Não soube dar sequência às boas exibição na Liga. A velocidade de Lahm custou-lhe a saída ao intervalo.

Vukcevic. Tem aquele estilo desconcertante que agrada aos adeptos. Ontem, foi dos poucos que tentou remar contra a maré, mas sem consequências.

Derlei. Fez parelha com Djaló, mas a falta de entrosamento foi evidente. O ‘Ninja’ desta vez não foi decisivo.

Yannick Djaló. Começou atrevido, à procura do espaço vazio por entre Lúcio e Van Buyten, mas ao primeiro encosto escondeu-se e nunca mais se viu.

Abel. Entrou ao intervalo, mas podia ter ficado em casa.

Izmailov. Não merecia tamanha humilhação. Soube mexer com o jogo, pois não sabe jogar mal.

Caneira. Rendeu o esgotado Adrien e limitou-se a fazer número.

A FICHA

Liga dos Campeões- Oitavos-de-final - 10/03/09

Estádio Allianz Arena - Assistência: 69 000

BAYERN 7 - 1 SPORTING

Golos: 1-0 Podolski (7’), 2-0 Podolski (34’), 3-0 Polga (39’ p.b.), 3-1 João Moutinho (42’), 4-1 Schweinsteiger (43’), 5-1 Van Bommel (74’), 6-1 Klose (82’ g.p.), 7-1 Müller (89’)

BAYERN: Butt, Lell, Lúcio (Breno, 46’), Van Buyten, Lahm, Schweinsteiger (Müller, 72’), Ottl, Van Bommel, Zé Roberto (Sosa, 46’), Podolski, Klose. TREINADOR: Jurgen Klinsmann

SPORTING: Rui Patrício, Pedro Silva, Tonel, Polga, Miguel Veloso (Abel, 46’), Pereirinha (Izmailov, 46’), Adrien (Caneira, 74’), João Moutinho, Vukcevic, Derlei, Djaló. TREINADOR: Paulo Bento

Árbitro: Martin Hansson (Suécia) 7

Disciplina: Cartões amarelos - João Moutinho (18’) e Pedro Silva(77’)

Classificação do jogo 6

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