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“Villas-Boas será o novo Mourinho”

Zlatko Zahovic chegou a Portugal em 1993, para representar o Vitória de Guimarães. Mas acabou por triunfar no FC Porto, clube para onde se transferiu três épocas mais tarde. O esloveno analisa as carreiras dos dois clubes na caminhada para o Jamor e recorda ainda a passag em pelo seu outro clube português, o Benfica.
21 de Maio de 2011 às 00:00
Zlatko Zahovic
Zlatko Zahovic FOTO: Pedro Catarino

Correio Sport – Jogou no V. Guimarães e no FC Porto, as duas equipas que se defrontam na final da Taça de Portugal de amanhã. Como antevê o desafio?

Zahovic – Vai ser muito equilibrado, tenho a certeza. Para mim, será muito especial, uma vez que foram dois clubes que me deram muito. Cheguei a Portugal através do V. Guimarães e de lá saí para o FC Porto, onde tive grande sucesso.

- Que clube vai apoiar?

- Estou dividido. Ganhe quem ganhar, ficarei feliz e também triste pela equipa que perder. O meu filho, de 15 anos, é que vai torcer pelo Vitória, pois nasceu em Guimarães.

- O que acha das duas equipas?

- Têm muita cultura táctica, sabem o que têm de fazer para ganhar e têm dois treinadores muito estudiosos do futebol e que preparam extremamente bem as equipas.

- Villas-Boas é o treinador da moda. Que pensa dele?

- É impressionante. Aos 33 anos, conseguiu impor a personalidade sem passar por cima de ninguém e nota-se que o grupo acredita nele. Vai ser um dos melhores da Europa.

- Fazem sentido as comparações com José Mourinho?

- Villas-Boas pode vir a ser um novo Mourinho.

- Disputou finais da Taça de Portugal no Jamor, palco que muitos querem que deixe de receber o jogo decisivo. O Jamor é o local ideal para a festa da Taça?

- Eu, como estrangeiro, sentia uma atmosfera especial. É um recinto antigo mas, por estar no meio da Natureza, cria um clima especial para o jogo. O Jamor tem uma alma.

- Quem pode decidir a final?

- Vejo duas equipas em que a organização de jogo é que faz sobressair jogadores. Falar de Hulk, Falcão, Guarín, João Moutinho, Edgar, Rui Miguel e Toscano é só destacar o que se tem visto.

- O que faz do Vitória um clube capaz de levar a que mais de 20 mil pessoas assistam em média aos jogos da equipa em casa?

- O que faz do Vitória especial são os adeptos. É o quarto clube português

- E o que faz do FC Porto o grande dominador do futebol português nos últimos anos?

- Há grande organização, mentalidade vencedora, uma estrutura que leva os jogadores a só terem de se concentrar em expressar no campo o seu valor. E há uma cultura de vitória mas também uma forma muito aguerrida de estar em campo. No FC Porto nenhum jogador se sente mais importante do que a equipa e todos se sentem parte do sucesso com o trabalho que fazem.

- Quem tem mais a perder?

- O Vitória, nada. O FC Porto, pelo que já conseguiu nesta época, é o favorito e tem mais a perder.

- Então, pode ser um jogo desequilibrado?

- Não acredito. O Vitória vai bater--se de igual para igual com o FC Porto e sentir bem de perto a força dos seus adeptos.

- O que poderia fazer o V. Guimarães nesta final com o meio campo do seu tempo: Pedro Barbosa, Paulo Bento, Zahovic e Paneira?

- Era excelente, mas hoje os jogadores são melhores do que há dez anos e dentro de mais dez esses serão melhores do que os da actualidade.

- Esperava tanto domínio do FC Porto, campeão sem derrotas?

- Não. Foi impressionante. Aqui na Eslovénia isso foi falado e visto como um feito. Um campeão não se discute e o FC Porto teve armas para responder a todas as dificuldades.

- Pinto da Costa é...

- ... o coração e a grande inspiração do FC Porto. É a cabeça de um corpo perfeito.

- O Zahovic jogou também no Benfica. Como viu a campanha do clube nesta época?

- Foi difícil, mas acho que no Benfica ficaram com uma certeza: é mais difícil revalidar um título do que conquistá-lo. Essa lição vai levar o Benfica a ter menos desconcentrações no futuro.

- A liga da próxima época vai ser mais emocionante?

- Não tenho dúvidas. O Benfica não pode atrasar-se mais para o FC Porto e os dois últimos anos do Sporting não condizem com a grandeza do clube. Eles estão feridos no seu orgulho e querem mesmo recuperar.

- É director desportivo do Maribor, que já vendeu três jogadores ao Palermo [Itália]. Há valores no seu país com qualidade para jogarem nos ‘grandes’ portugueses?

- Sim, claro, e se os dirigentes me perguntarem posso indicá-los.

PERFIL

Zlatko Zahovic nasceu em Maribor, na Eslovénia, no dia 1 de Fevereiro de 1971 (40 anos). Começou a sua carreira no Partizan (1989). Em 1993 ingressou no V. Guimarães. Três anos depois, o médio criativo chegou ao FC Porto, onde ganhou os primeiros títulos como jogador (3 campeonatos, 1 Taça e 2 Supertaças). Depois do sucesso luso, jogou na Grécia (Olympiacos) e em Espanha (Valência). Em 2001, voltou a Portugal para representar o Benfica, equipa onde terminou a carreira profissional em Junho de 2004. É o jogador mais internacional da Eslovénia (80 jogos e 34 golos). Hoje é o director desportivo do Maribor.

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