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Correio da Manhã

Desporto
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Vira: A dança do título

Rivais enfrentam parceiros mútuos numa das últimas oportunidades de alteração pontual, antes do Benfica-Porto decisivo.
4 de Março de 2011 às 15:11
Falcão
Falcão FOTO: d.r.

Uma coincidência do calendário transfere neste fim-de-semana o centro do interesse do futebol português para o Minho, com os dois clubes rivais da província a serem chamados a dirimir a magna questão do título. Não que o assunto lhes diga directamente respeito, para decepção particular dos que já consideravam o Sporting de Braga digno do estatuto de clube da Liga dos Campeões, mas porque de qualquer resultado positivo das equipas de Domingos Paciência e Manuel Machado resultarão alterações significativas no statu quo da competição.

 

 

FC Porto e Benfica não perdem qualquer ponto precisamente há três meses, desde que os azuis e brancos empataram em Alvalade na 12.ª jornada, e ao longo das nove rondas consecutivas a mesma expectativa colocou-se na possibilidade de um tropeço. Do Porto para acalentar as esperanças encarnadas numa reviravolta quase impossível. Do Benfica para que a consolidação definitiva do enorme avanço se transforme em título virtual.

 

 

Na sua luta regional por uma liderança que nunca conseguiram consolidar, bracarenses e vimaranenses alinham-se conjunturalmente com cada uma das potências nacionais. Na actual, Braga está ao lado do Porto e o Vitória tem uma parceria com o Benfica – do que se espera o tal incentivo anímico extra para a obtenção de um resultado que ajude os «amigos».

 

 

Esta autêntica dança do tradicional Vira minhoto seria mais significativa no caso de ser o Porto, e não o Benfica, a perder pontos, mas o único factor que favorece tal perspectiva é a superior temporada que o Guimarães está a realizar este ano, comparativamente com um Braga muito inferiorizado pela dispensa de valores fundamentais e pelo desgaste das provas europeias.

 

 

Mas o mais provável de acontecer é o contrário. O Benfica terá muito mais dificuldades em chegar ao triunfo do que o Porto: nos últimos seis anos venceu apenas uma vez em Braga. Em contrapartida, o Vitória transformou-se neste século num adversário dócil nas visitas ao Dragão. E nesta lógica o vira seria como a dança folclórica: sempre para o mesmo lado.

 

 

MACHADO NUNCA GANHOU

Manuel Machado já defrontou o Porto na Liga com cinco emblemas diferentes, mas sempre com enormes dificuldades para resistir à derrota. Apenas em três ocasiões conseguiu empatar, uma delas no Dragão (04-05), a única em que a sua equipa (Guimarães) de lá saiu sem sofrer golos. No total, 3 empates e 13 derrotas, com um saldo de golos negativo (7-31). Em particular na visita ao Dragão, além do empate mencionado, perdeu por sete vezes, com uma cifra de 2-16 em golos.

O ALICIANTE DO TERCEIRO LUGAR

Nos últimos três anos, registaram-se duas intromissões minhotas no top-3 da Liga e o fenómeno pode verificar-se de novo este ano. Se tal acontecesse, estaríamos perante uma viragem assinalável no panorama nacional, apenas comparável com os anos 40 e 50, quando o Belenenses tinha um estatuto superior ao FC Porto, e à sequência de classificações do Boavista na viragem do século, com um título e dois segundos lugares em quatro épocas. Guimarães e, mais remotamente, Braga têm ainda ao alcance o terceiro lugar que o Sporting dá indícios de não ter condições de aguentar. Guimarães (tal como o Paços de Ferreira) tem os leões a apenas um ponto de distância e prepara o importante confronto directo com os leões, na 25.ª jornada, embora nas últimas semanas tenha falhado várias possibilidades de ocupar já essa posição.

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