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Vodafone não deu à PJ lista de chamadas

A Polícia Judiciária pediu à Vodafone que fossem enviadas as listagens telefónicas dos números utilizados por Pinto da Costa e Carolina Salgado para verificar se haveria algum contactos entre ambos ou terceiros no momento da agressão ao ex-vereador Ricardo Bexiga que pudesse indiciar quem teriam sido os autores da mesma. No entanto, a empresa não satisfez o pedido das autoridades, tendo alegado que só guardava, durante um ano, esses mesmos dados. Apenas a Optimus cumpriu a determinação judicial, permitindo então que os telefonemas feitos e recebidos por Fernando Madureira, líder dos Superdragões, fossem verificados.

19 de outubro de 2007 às 00:00

O resultado da diligência acabou por se revelar inútil. Nada de relevante foi detectado e, depois de terem sido tomadas diversas declarações de arguidos e testemunhas, o processo caminha para o arquivamento, de todo ou de parte.

O CM consultou os autos e verificou que, com excepção de Carolina Salgado, todos negam a autoria das agressões. Pinto da Costa e Fernando Madureira desmentem o envolvimento nos factos, enquanto Ana Salgado, irmã gémea de Carolina, diz que só soube da agressão por intermédio daquela.

O parque de estacionamento onde Ricardo Bexiga foi agredido, em Janeiro de 2005, também não tinha câmaras de vigilância, o que impede a recolha de imagens. E o único indivíduo que acabou por ser identificado como possível agressor não foi reconhecido pelo autarca que à data era opositor de Valentim Loureiro na autarquia Gondomarense.

Ainda segundo os elementos que o CM consultou, Carolina Salgado disse que só recorreu a Fernando Madureira depois do primeiro indivíduo “contratado” para a agressão não ter cumprido o serviço. Seria um homem conhecido pela alcunha de ‘Vinagre’ e o contacto era feito através do motorista do presidente do FC Porto. Pinto da Costa não teria aceitado que a agressão ficasse nas mãos daquele e, por isso, afirmou Carolina, os actos foram encomendados a Fernando Madureira, que teria contratado dois homens que a PJ não sabe quem são.

PRIMEIRO NÃO APRESENTOU QUEIXA

Ricardo Bexiga começou por não apresentar queixa quando participou as agressões de que foi vítima à polícia. Disse que havia sido espancado e garantiu que não sabia quem o tinha feito.

CINCO HISTÓRIAS COM PINTO DA COSTA

O HOMEM DA 'FRUTA' QUE APITOU O JOGO DO ESTRELA

No jogo FC Porto-Estrela da Amadora, Pinto da Costa foi acusado de corrupção desportiva. Em causa está a “oferta” de prostitutas à equipa de arbitragem, liderada por Jacinto Paixão, e a vitória (2-0) nesse jogo da Liga (época 2003/04). O processo começou por ser arquivado pelo DIAP do Porto, mas foi reaberto pela equipa de Maria José Morgado no início do ano. As declarações de Carolina Salgado foram valoradas e o processo encontra-se agora em instrução.

TRANSFERÊNCIA DE PEPE AINDA INVESTIGADA

O jogador brasileiro Pepe, que recentemente adquiriu a nacionalidade portuguesa, deu origem a uma transferência milionária (2004) para os cofres azuis e bancos, militando agora no Real Madrid. A negociação do seu passe está, no entanto, a ser investigada ainda no DIAP do Porto, depois de terem sido extraídas certidões por suspeitas de fraudes fiscais. Não há notícia de que a investigação esteja acabada e desconhece-se quem são os arguidos do caso.

PROCESSO DA ARBITRAGEM ACABOU ARQUIVADO PARA DIRIGENTES DA LIGA

Pinto da Costa, João Loureiro e Valentim foram arguidos no caso relativo à viciação das arbitragens. No entanto, as autoridades acabaram por arquivar as suspeitas contra aqueles dirigentes por falta de provas. O processo assentava essencialmente em escutas, mas os factos apurados acabaram por dizer respeito, apenas, às divisões menores do futebol português. No despacho final, o Ministério Público alerta para o facto de as situações apuradas ao nível de arbitragem da Federação serem extensíveis à Liga. E lembra que muitos daqueles árbitros já tinham sido “ajudados” a subir, o que os levava, depois, a serem subservientes com os dirigentes dos maiores escalões.

PRESIDENTE DO NACIONAL ACUSADO DE CORRUPÇÃO

Pinto da Costa é acusado no mesmo processo em que Rui Alves também surge como suspeito. Trata-se dos factos à volta do encontro Nacional-Benfica (3-2, em 2003/04)) e o Ministério Público defende que os beneficiados foram o clube da Madeira e os portistas, por deixarem os seus rivais encarnados ainda mais longe na luta pelo título. A acusação foi deduzida pela equipa de Maria José Morgado, mas a instrução vai decorrer na Madeira.

ÁRBITRO TERÁ RECEBIDO DINHEIRO ANTES DO JOGO

Carolina Salgado garante que Pinto da Costa e António Araújo, à data o empresário que trabalhava com os dragões, entregaram um envelope com dinheiro a Augusto Duarte, antes do jogo Beira-Mar-FC Porto (1-1, em (2003/04). A acusação da ex-companheira consta no despacho de mais um caso que leva Pinto da Costa ao banco dos réus e cujos argumentos continuam a ser esgrimidos na instrução.

MOTORISTA DE PINTO DA COSTA FOI INTERROGADO NA 4.ª FEIRA

Afonso, motorista de Pinto da Costa, foi interrogado na passada quarta-feira. Terá sido a última inquirição feita pela Equipa de Coordenação do ‘Apito Dourado’, no âmbito das investigações à agressão de Ricardo Bexiga. Na próxima semana, os investigadores deverão elaborar o relatório final e o processo deve ser arquivado.

A única dúvida tem a ver com as declarações de Carolina Salgado. A ex-companheira de Pinto da Costa confessou a autoria moral de um crime de agressões, tendo mesmo adiantando que levara a cabo os actos preparatórios para que aquele se concretizasse. Saber se Carolina será acusada é uma incógnita, embora Ricardo Bexiga já tivesse dito publicamente que não pretendia a condenação de Carolina.

Refira-se, ainda, que relativamente ao depoimento de Afonso nada de novo adiantou. Disse que é funcionário do FC Porto há 20 anos e é há 12 motorista pessoal do presidente.

Sobre a agressão de Ricardo Bexiga, Afonso disse que nada sabia, esclarecendo ainda conhecer o tal indivíduo de nome ‘Vinagre’, que era proprietário do bar Blue Moon. Explicou depois que frequentava aquele local com frequência, mas assegurou nunca o ter feito com Carolina Salgado.

MADUREIRA NEGOU NEGÓCIO

Fernando Madureira, líder da claque Superdragões, foi ouvido pela PJe constituído arguido no processo Bexiga. Negou, no entanto, ter sido contratado para agredir o vereador socialista. Disse que não conhece, nem conheceu, Ricardo Bexiga, que só teve conhecimento da agressão no dia anterior à publicação do livro ‘Eu, Carolina’ e assegurou só ter sabido da mesma quando aquela iniciou uma relação sentimental com Pinto da Costa. Após a separação do casal, Madureira explicou só ter estado com Carolina cinco ou seis vezes em contactos informais e que em nenhuma dessas conversas lhe foi dito para agredir Bexiga. Mais tarde, anunciou que iria processar Carolina por aquela o acusar de envolvimento.

ALIMENTAR CURIOSIDADE DA IMPRENSA

A mudança de alguns dos artigos do Código de Processo Penal, que agora considera que todos os processos são públicos a não ser que o Ministério Público requeira a manutenção do segredo, levou a que diversos jornalistas dos mais variados órgãos de Comunicação Social requeressem a sua consulta. Maria José Morgado notificou os advogados para saber se aqueles se opunham e Gil Moreira dos Santos, que defende Pinto da Costa, foi peremptório. “Destaca-se a utilidade de favorecer a curiosidade da imprensa”, afirmou, dizendo depois que não se opunha à prorrogação do segredo de justiça por mais três meses. Posição diferente teve José Dantas, advogado de Carolina Salgado, que aceitou a consulta dos autos, posição que acabou por ser acompanhada pelos magistrados judiciais que tinham a investigação a seu cargo.

MUITAS MUDANÇAS DE VERSÕES

Depois de Carolina Salgado ter apresentado publicamente o livro e acusado Pinto da Costa de manipular os resultados desportivos foram várias as pessoas que a abandonaram. A primeira a mudar de versão foi a professora que com ela escreveu o livro, Fernanda Freitas, que veio mais tarde dizer não ser aquele o livro original. Depois seguiu-se Ana Salgado e o seu marido, que em Junho deste ano disseram no DIAP do Porto que foi apenas Carolina Salgado a autora das agressões ao ex-vereador. Paulo Lemos e Rui Passeira, os homens acusados de terem incendiado os escritórios de Pinto da Costa e do advogado Lourenço Pinto, também mudaram de versão durante este ano, tendo começado por corroborar as declarações de Carolina para depois as desmentir.

ESPANCADO

Ricardo Bexiga disse que, quando se encontrava junto ao carro, um indivíduo com um gorro descido até às sobrancelhas avançou abruptamente contra si, empunhando algo, tipo barrote. Fracturou-lhe o crânio e o antebraço esquerdo, para além de outros hematomas. Apercebeu-se da presença de um outro homem, junto à porta do condutor.

SUSPEITOS

O autarca disse que não sabia quem tinham sido os agressores. Mas que a única explicação que tem para o ocorrido se encontra ao nível da política nomeadamente por causa das declarações que prestou na sua qualidade de vereador da Câmara de Gondomar

REVELAÇÃO

Quase dois anos depois da agressão, Ricardo Bexiga acedeu a encontrar-se com Carolina Salgado que lhe revelou ter sido uma das autoras morais do espancamento. Não lhe contou quem lhe batera.

ESPANTO

Ricardo Bexiga disse à PJ ter ficado surpreendido com as revelações de Carolina Salgado. Mas na altura associou os factos às denúncias que tinha feito no âmbito do ‘Apito Dourado’, quando Valentim Loureiro foi detido pela Polícia Judiciária para interrogatório.

BUSCAS E ÓDIO

Carolina Salgado explicou à procuradora do MP que Pinto da Costa não gostava de Ricardo Bexiga e que o culpava pelas buscas que tinham sido feitas em sua casa. Um ódio que teria aumentado quando soube que Bexiga havia denunciado os desvios de dinheiro em Gondomar.

LIVRO MARCA VIRAGEM

O livro “Eu Carolina” foi lançado pela ex-companheira de Pinto da Costa a 4 de Dezembro do ano passado. Provocou uma revolução no futebol.

PGR CRIOU EQUIPA ESPECIAL

A nomeação de Maria José Morgado, que durante anos assumiu um discurso contra a corrupção, aconteceu em Dezembro de 2006.

OUVIDA PELO JUIZ DE GONDOMAR

Pedro Vieira, juiz de Gondomar, chegou a interrogar Carolina Salgado no âmbito do processo que corria naquela comarca.

ASSALTO À CÂMARA

Quatro dias antes da agressão, a Câmara de Gondomar foi assaltada. No processo consta que nada de relevante foi assaltado.

FEITOS EXAMES DE ADN

A PSP tinha um suspeito do assalto, cuja ligação à agressão foi verificada. Foram feitos exames de ADN ao indivíduo que não foi reconhecido por Bexiga.

REPORTAGEM FOTOGRÁFICA

A 27 de Dezembro do ano passado, a PJ fez a reconstituição dos factos no parque de estacionamento da Alfândega do Porto, onde ocorreu a agressão.

CÂMARAS DESTRUÍDAS

Carolina Salgado chegou a dizer que Fernando Madureira lhe garantiu ter destruído as câmaras de vigilância do parque de estacionamento.

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