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Correio da Manhã

Euro 2020

Recusa da UEFA em iluminar estádio com cores arco-irís não tem "qualquer desculpa razoável", diz comissário europeu

Organismo recusou iluminar o estádio de Munique com as cores associadas ao movimento LGBT durante o jogo entre Alemanha e Hungria.
Lusa 23 de Junho de 2021 às 13:42
Allianz Arena, em Munique, pintada com as cores do arco-irís
Allianz Arena, em Munique, pintada com as cores do arco-irís FOTO: Getty Images
O vice-presidente da Comissão Europeia Margaritis Schinas considerou esta quarta-feira que a decisão da UEFA de não permitir a iluminação do estádio de Munique com as cores associadas ao movimento LGBT não tem "qualquer desculpa razoável".

"Tenho muita dificuldade em compreender o que a UEFA está a tentar fazer ao ir contra esta iniciativa da autarquia de Munique. Francamente, eu não encontro qualquer desculpa razoável", sublinhou o comissário com a pasta da Promoção do Modo de Vida Europeu.

Schinas falava em conferência de imprensa de apresentação de uma proposta da Comissão Europeia relativa à criação de uma Unidade de Cibersegurança Conjunta, quando foi interrogado sobre a decisão da UEFA, tendo em conta que, aquando da tentativa da criação de uma Superliga europeia, tinha-se oposto ao projeto, referindo que a diversidade era um "elemento-chave" do modelo de desporto europeu.

Sublinhando que "mantém cada vírgula" da declaração que tinha feito na altura, Margaritis Schinas acrescentou que a UEFA tem estado sempre "na vanguarda das campanhas de inclusão e de antirracismo", tendo inclusive ajudado a Comissão Europeia na promoção do processo de vacinação.

"Apoiaram todas as causas boas e, de repente, fazem disto um problema. Francamente, eu rendo-me. Não tenho nada a dizer em nome deles. Sobretudo porque recordo que, quando o Euro foi anunciado, o arco-íris também foi mostrado pela UEFA como um símbolo de inclusão", salientou Schinas.

A UEFA rejeitou, na terça-feira, o projeto da cidade de Munique para iluminar o estádio com as cores do arco-íris no jogo de hoje entre a Alemanha e a Hungria, do grupo F do Euro2020 -- que integra Portugal -, justificando que, pelos seus estatutos, "é uma organização política e religiosamente neutra".

O município presidido por Dieter Reiter pretendia iluminar a Allianz Arena com as cores do arco-íris, símbolo associado à comunidade LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgénero), para "enviar um sinal de cosmopolitismo, tolerância, respeito e solidariedade para com as pessoas" daquela comunidade.

Em resposta à decisão "vergonhosa" da UEFA, a autarquia decidiu decorar vários edifícios da cidade com as cores do arco-íris.

"Em Munique, não permitiremos que nos impeçam de enviar um sinal claro à Hungria e ao mundo", disse Reiter.

A iniciativa pretende manifestar apoio à comunidade LGBT na Hungria, Estado-membro da União Europeia, que aprovou recentemente uma lei que proíbe a divulgação de conteúdos sobre orientação sexual a menores de 18 anos.

Vários responsáveis europeus já reagiram à decisão da UEFA: o ministro dos Negócios Estrangeiros alemão, Heiko Maas, considerou que a UEFA "enviou o sinal errado" e o secretário de Estado francês para os Assuntos Europeus, Clément Beaune, frisou que se trata de uma "decisão política".

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