António Simões: "Que esta gente faça melhor do que a seleção de 66"

Um dos 'Magriços', que alcançaram o melhor resultado de sempre de Portugal em Mundiais, coloca a fasquia alta para a atual seleção. E recusa fazer comparações entre Eusébio e Cristiano Ronaldo.

27 de junho de 2026 às 09:00
António Simões, antigo jogador do Benfica Foto: Natália Ferraz
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Neste mundial, como analisa o empate com a RD Congo e o triunfo sobre o Uzbequistão?

Bom, eu olho para esses jogos com um olhar distinto. Uma coisa foi o primeiro jogo, outra coisa foi o segundo. É sempre importante considerar o valor do adversário. Digamos que a forma de olhar o adversário no primeiro jogo, tendo em conta o resultado que se assistiu, não foi muito feliz para Portugal. No segundo jogo, toda a gente se libertou, e aí demonstrámos o real valor que temos, não só apenas no resultado, mas sobretudo na exibição.

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O próximo jogo com a Colômbia é a prova do algodão?

É preciso ser realista, ser responsável, e continuar pujante naquilo que é a interpretação da responsabilidade do jogo e, ao mesmo tempo, essa ambição de orgulho da representação do país pode levar-nos para a fase seguinte. Estou plenamente convencido que isso vai acontecer. Portanto, é a oportunidade, mais uma vez, de todos os jogadores trazerem todo o talento ao serviço do coletivo e fazer sete pontos, que dá a garantia do 1.º lugar no grupo. Todos os jogadores não necessitam de mais dinheiro. Tragam mais glória para Portugal. É isso que se pede.

Portugal pode chegar longe na competição?

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Acho que sim. Temos uma qualidade de jogadores, com abundância em todas as posições, para ter uma excelente participação nesta Copa do Mundo.

Esta geração é comparável aos ‘Magriços’ de 1966, que nesse Mundial em Inglaterra acabou no 3.° lugar?

Atualmente, tudo é diferente. Não se deve cair num erro crasso em fazer comparações. Nada disso tem um efeito real e correto, digo eu. A geração de 66 é uma geração espontânea, que chega a Inglaterra ainda um pouco desconhecida naquilo que é o universo do futebol, que é a Copa do Mundo. Depois, resolve trazer para Portugal uma medalha de bronze e a representação no pódio. E foi a consagração de toda aquela excelente geração.

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E quanto à atual?

Esta é outra grande geração que nós temos, o que prova uma coisa muito interessante que eu digo há muitos anos: o jovem português tem vocação para jogar futebol. Está aí. Eu acho que se pede que esta gente faça melhor do que fez a seleção de 66.

Cristiano Ronaldo, com o bis diante do Uzbequistão, tornou-se no português com mais golos na fase final dos Mundiais, suplantando Eusébio. Que comentário lhe merece?

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Não se deve discutir uma coisa que não tem discussão. Cada um no seu tempo, cada um na sua geração. Foram e são grandes. Portanto, não vale a pena fazer isso. Gostaria de dizer ao Cristiano Ronaldo, nesta Copa do Mundo, que o Eusébio seja uma fonte de inspiração para que ele marque sempre golos para Portugal.

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