Correio da Manhã

Augusto Baganha mantém críticas e questiona postura do Benfica sobre as claques
Foto Paulo Calado
Foto Fernando Ferreira 
Augusto Baganha
16:34
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Ex-dirigente manifestou-se ainda "injustiçado" e disse que foi graças à sua ação que o IPDJ decretou a interdição do Estádio da Luz.

O ex-presidente do Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ) Augusto Baganha reiterou esta quarta-feira as críticas ao processo que o afastou da liderança do organismo, e questionou a atitude do Benfica em relação às claques.

Em declarações aos jornalistas à margem de uma audição no grupo parlamentar do CDS-PP, na Assembleia da República, o ex-dirigente - que foi afastado pela Secretaria de Estado do Desporto e Juventude a um ano de terminar o mandato e substituído em 3 de setembro por Vítor Pataco -- manifestou-se ainda "injustiçado" e disse que foi graças à sua ação que o IPDJ decretou a interdição do Estádio da Luz por um jogo.

"Tive de avocar esse processo para ele ficar resolvido. Tenho provas disso, tenho memória e sei como tudo se passou. O processo esteve retido com o meu ex-colega do Conselho Diretivo e tive de o fazer para resolver uma situação que se estava a arrastar. Isso está bem expresso na ata e em documentos que tive de enviar ao presidente do Benfica", disse, deixando críticas ao "impasse" que pairou sobre este dossiê nos últimos anos.

"Só a partir do segundo semestre de 2013 é que os clubes puderam passar a ser arguidos. Este problema das claques tem muito a ver com a ação dos clubes. Se os outros clubes têm as suas claques registadas, por que é que o Benfica não as tem?", questionou Augusto Baganha, que admitiu que a decisão de interdição da Luz por um jogo "podia ter sido tomada mais cedo".

Paralelamente, o ex-presidente do IPDJ confirmou a denúncia à Polícia Judiciária de um acesso ilegítimo à informação do organismo sobre as claques do Benfica, em 2017, num caso em que o Ministério Público acabou por proferir o despacho de arquivamento em janeiro deste ano.

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"Se houve intrusão veio do exterior, não foi dos funcionários do IPDJ. Foi algo de que informámos a Polícia Judiciária (PJ) e aguardamos pelo desenrolar da situação. Eu não me apercebi, mas a minha colega [a ex-vogal Lídia Praça] apercebeu-se e daí ter comunicado à Judiciária", revelou, assegurando também estar "de consciência tranquila" com o processo que o sucessor Vítor Pataco anunciou interpor contra si na justiça.

Augusto Baganha, que esteve sete anos à frente do IPDJ, solicitou audições a todos os grupos parlamentares, tendo apenas sido ouvido na semana passada pelo PSD e agora pelo CDS, mas não obteve ainda resposta da parte dos outros partidos. O ex-presidente do IPDJ mostrou-se ainda "disponível" para ser ouvido em Comissão Parlamentar.

Já Nuno Magalhães, líder do grupo parlamentar do CDS, referiu que o partido está a "acompanhar a matéria" e que ouviu as explicações de Augusto Baganha, que disse estar a ser alvo de um "saneamento com um cariz político". Para o deputado centrista, "a serem verdade" as palavras do ex-líder do IPDJ, o caso "é evidentemente grave" e requer contraditório.

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