Bebeto: “Jorge Jesus vai ser muito importante para o meu filho”
Antigo campeão do Mundo pelo Brasil e pai do jogador Mattheus Oliveira destaca a experiência do treinador do Sporting.
- Correio Sport - Como pai de Mattheus Oliveira, tem acompanhado de perto o percurso do seu filho?
Bebeto - Sempre que posso, acompanho. Até para o ajudar. Ele é um menino de ouro. Sempre foi dedicado e determinado em tudo o que faz.
- Vai ver os jogos dele em Portugal?
- Para já, ainda não tive oportunidade. Mas no jogo do play-off da Liga dos Campeões em Alvalade vou fazer um esforço
para estar lá.
- Acha que ele carrega o peso de ser seu filho?
- Passou essa fase, já está habituado. Já deu provas do seu valor, jogou nas camadas jovens da seleção brasileira. Vai
ser sempre meu filho, não há uma volta a dar. Agora está a fazer a sua história.
- Fala-se que deu o nome a Mattheus em homenagem ao ex-internacional alemão Lothar Matthäus. É verdade?
- Não [risos]. Gosto muito do Matthäus, é grande amigo meu, mas não tem nada a ver. O Mattheus tem esse nome porque aqui no Brasil significa ‘presente de Deus’.
- Como é que ele se tem adaptado ao futebol português?
- Está muito contente em Portugal e muito agradecido ao Estoril porque lhe abriu as portas. Agora foi para o Sporting por mérito dele. Estamos muito felizes, porque o Sporting é um clube muito grande e de certeza que vai voltar a ganhar campeonatos.
- E a adaptação no Sporting?
- Vai-se adaptar. Está com um grande treinador, num clube com uma grande estrutura, um estádio maravilhoso, um
centro de treinos excelente. O objetivo dele era esse... lutar por títulos.
- Incentivou Mattheus a assinar pelo Sporting?
- A decisão foi sempre dele. Ele falou comigo, quando apareceu essa oportunidade. Ele tinha outras propostas, nomeadamente do estrangeiro, mas preferiu o Sporting.
- Quais foram as primeiras impressões do Sporting, tanto de Mattheus, como suas?
- Eu já conhecia o Sporting há muito. É um clube muito grande, com uma linda história. Basta pensar no Ronaldo, no Figo… E o Mattheus está muito feliz por estar lá. Vai dar muitas alegrias aos adeptos. Eu nunca o vi tão feliz como quando assinou pelo Sporting e quando ganhar confiança, vai brilhar.
- Acha que o Sporting é o clube certo para Mattheus ‘explodir’ como jogador?
- Não tenho dúvidas. Quando ele me perguntou o que eu pensava, eu já tinha percebido a determinação dele para assinar pelo Sporting. O clube acreditou nele e o Mattheus não pensou duas vezes. É uma oportunidade que não há todos os dias.
- E Jorge Jesus pode levá-lo a ser um grande jogador?
- Tenho a certeza disso. Ele vai tirar o máximo proveito dele, vai ser muito importante. Foi bom ele ter experimentado o Mattheus em várias posições na pré- -época e não no decorrer do campeonato.
- O que acha de Jorge Jesus enquanto treinador?
- Já o conheço desde a altura do Benfica. É um grande treinador, que já fez história. É experiente e já com muitos anos no futebol.
- Ele sente que está em pé de desigualdade com jogadores como Adrien Silva ou William Carvalho?
- Não, pelo contrário. Acho que esses jogadores vão ser importantes para ele, são mais experientes e ele vai ouvi-los.
- Esta é a melhor oportunidade de Mattheus para provar o seu valor?
- Tenho a certeza de que foi uma oportunidade de ouro. Ele sabe disso e vai corresponder.
- Acha que Mattheus está onde está pela família de onde vem?
- Ele está por mérito dele, tem trabalhado desde há muito. Para estar na seleção brasileira, embora seja nas camadas jovens, tem qualidade.
- Do que conhece do futebol português, qual é a equipa favorita a ser campeã este ano?
- Há sempre três favoritos. O Sporting, o Benfica e o FC Porto. Estes três estão muito fortes, mas acredito muito no Sporting esta época.
- Mattheus pretende festejar o título nacional já este ano?
- Ele vai à procura disso, foi para isso que foi para o Sporting. Têm condições para isso e quer ajudar o Sporting.
- Que clube é que Mattheus sonha representar?
- Ele está muito feliz no Sporting e não está a pensar em sair. Quer fazer história. Está a pensar no momento, em fazer o melhor. Já vai para 15 anos que o Sporting não é campeão e ele quer conquistar títulos.
- Sonha ver o seu filho representar a seleção do Brasil?
- Ele tem dupla nacionalidade, também tem passaporte português…
- Então preferia vê-lo com a camisola de Portugal ou do Brasil?
- As duas... tanto uma como a outra, seria uma alegria muito grande. Estive com o Tite [selecionador brasileiro] e falámos dele… Mas se fosse com Portugal, ficava muito contente. Estamos sempre divididos, numa competição em que participam o Brasil e Portugal, torcemos pelos dois. Mas o Brasil sempre primeiro.
- Acha que cabe a Mattheus não deixar que o legado de Bebeto termine?
- Não vai terminar, é uma história que está escrita. Ainda há pouco me homenagearam por termos ganho o quarto Campeonato do Mundo com o Brasil [em 1994]. Ele agora tem de construir a dele, ainda é muito novo.
- E o Bebeto? Tem 53 anos, não pondera treinar uma equipa?
- Já me perguntaram sobre isso, é difícil, porque sou deputado federal e isso tira-me muito tempo. Não consigo fazer duas coisas ao mesmo tempo. Mas quem sabe…
- Olha para a sua carreira e acha que podia ter feito mais e melhor?
- Só tenho de agradecer a Deus. Conquistei tudo o que um jogador sonha conquistar. Ganhei um Campeonato do Mundo. Quando era criança sonhava em jogar pela seleção brasileira e vencer um Mundial. E conquistei tudo. Não tenho de reclamar com nada.
- Quem é para si o melhor jogador do Mundo atualmente?
- Eu gosto do Messi, do Neymar, mas o Cristiano tem ganho títulos, tem marcado golos, tem feito a diferença.
O Ronaldo fez tudo para ter o estatuto que tem e acho que é o melhor, sem dúvida alguma.
"Tive mulheres grávidas que pediram para fazer o gesto"
"Tive mulheres grávidas que pediram para fazer o gesto"Correio Sport - Quando fez o ‘embala neném’ no Mundial de 1994 [com Mazinho e Romário, na foto], pensou que Mattheus pudesse vir a ser jogador de futebol?
Bebeto - Foi um gesto espontâneo. Agora todos os jogadores fazem isso. Já tive mulheres grávidas que me pediram para fazer o gesto. Foi uma homenagem para o meu filho, mas não tínhamos noção do que ele se viria a tornar.
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