Bruno de Carvalho quer clubes punidos por declarações de comentadores

Presidente do Sporting envia carta à FPF e à Liga

02 de maio de 2017 às 20:29
Bruno de Carvalho, Fernando Gomes, Pedro Proença Foto: Pedro Ferreira
Bruno de Carvalho, presidente do Sporting, lançou ontem um forte ataque a Luís Filipe Vieira, líder do Benfica. Clube da Luz vai avançar para tribunal Foto: Direitos Reservados
O presidente da Federação Portuguesa de Futebol, Fernando Gomes Foto: Diogo Pinto
Pedro Proença, Assembleia Geral, Liga Portuguesa de Futebol Profissional, contas, aprovação, desporto, futebol Foto: Amândia Queirós

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Bruno de Carvalho deixou esta terça-feira um "repto" aos organismos que gerem o futebol português: "Um mecanismo de responsabilização objetiva dos clubes pelas declarações proferidas por comentadores que lhes sejam manifestamente afectos, tal como já hoje sucede ao nível do comportamento incorreto dos adeptos."

O líder leonino diz que o "Sporting está inteiramente disponível para elevar ao extremo os mecanismos de sanção disciplinar de todos aqueles que, com responsabilidades, não cumpram os regulamentos em vigor. Nesse sentido, reafirmamos a nossa total disponibilidade para apoiar penas máximas para quem se exceda ou prevarique no exercício constitucional da liberdade de crítica e opinião, considerando, porém, que este quadro só é aplicável na circunstância em que nos sejam dadas condições para não termos que passar a vida a defender-nos do autêntico exército de caluniadores ao serviço de agendas clubísticas, que poluem o espaço mediático".

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Na mesma carta, Bruno de Carvalho propõe "uma reunião ao mais alto nível com a presença dos presidentes da Federação Portuguesa de Futebol e da Liga Portugal, dos clubes, do Governo e dos Operadores de Media"

Leia na íntegra a carta de Bruno de Carvalho: 

Exmo. Senhor Presidente da Federação Portuguesa de Futebol,

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Dr. Fernando Gomes

Exmo. Senhor Presidente da Liga Portugal,

Dr. Pedro Proença

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O Sporting Clube de Portugal vem, em primeiro lugar e pela presente, manifestar perplexidade pelo facto de matéria que está a ser objecto de debate e análise em sede do grupo de trabalho com vista à revisão do Regulamento Disciplinar, estar em discussão na praça pública. Não nos parece que seja este o método mais adequado de obtenção de consensos e pacificação do futebol português que, como todos reconhecemos, devem ser uma prioridade de todos os agentes desportivos.

O Sporting Clube de Portugal tem sido portador de uma mensagem muito clara no que diz respeito ao normativo disciplinar que deve reger o futebol português. Sempre pugnámos, de há quatro anos a esta parte, pelo incremento de preceitos que visem a punição exemplar da corrupção, da opacidade, do incentivo ao ódio e à violência no fenómeno desportivo. Escrevemos-lhes por isso com a autoridade de quem tem consciência e convicção de que tem estado sempre na vanguarda das alterações e melhorias no futebol português.

Nesse sentido, o Sporting Clube de Portugal está inteiramente disponível para elevar ao extremo os mecanismos de sanção disciplinar de todos aqueles que, com responsabilidades, não cumpram os regulamentos em vigor.

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Não podemos, no entanto, deixar de sublinhar algo que consideramos da máxima relevância. Nos últimos anos, o Sporting Clube de Portugal tem sido alvo preferencial das mais diversas ofensivas e invetivas que nos visam não apenas a nós, mas a toda a indústria do futebol. A este respeito, temos sido defensores intransigentes da aplicação de medidas que visem a promoção da verdade desportiva e da transparência no futebol português.

Foi nesse sentido que propusemos, entre outras medidas, aliás em linha com os programas de acção dos presidentes da FPF, da Liga e do Conselho de Arbitragem, a publicidade imediata dos relatórios dos delegados e dos árbitros, a introdução do vídeo-árbitro, a substituição imediata do responsável pela coordenação dos delegados da Liga, o fim dos observadores ou a punição exemplar de quem, por meios ilícitos, apoia material e financeiramente claques não legalizadas.

Temos, no entanto, absoluta consciência de que estas medidas não respondem na totalidade aos problemas prementes que enfrentamos hoje em dia. Desde logo porque o comportamento dos agentes desportivos, designadamente os dirigentes, é muitas vezes consequência de uma política de terrorismo comunicacional que alguns clubes entendem levar a cabo com resultados particularmente nefastos para a indústria do futebol e todos os que nela intervêm.

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Nesse sentido, reafirmamos a nossa total disponibilidade para apoiar penas máximas para quem se exceda ou prevarique no exercício constitucional da liberdade de crítica e opinião, considerando, porém, que este quadro só é aplicável na circunstância em que nos sejam dadas condições para não termos que passar a vida a defender-nos do autêntico exército de caluniadores ao serviço de agendas clubísticas, que poluem o espaço mediático.

Atrevemo-nos inclusive a lançar o repto de que seja ponderada a introdução de um mecanismo de responsabilização objectiva dos Clubes pelas declarações proferidas por comentadores que lhes sejam manifestamente afectos, tal como já hoje sucede ao nível do comportamento incorrecto dos adeptos.

É pois neste contexto que propomos uma reunião ao mais alto nível com a presença dos Presidentes da Federação Portuguesa de Futebol e da Liga Portugal, dos Clubes, do Governo e dos Operadores de Media que, como é público, têm sido utilizados, tantas vezes involuntariamente, para a prossecução de uma agenda de cartilha com matriz pirómana e incendiária que é devastadora para o desporto nacional.

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Só através de um compromisso sério entre todos os intervenientes, e não podemos eximir ninguém desta responsabilidade, é que será possível a pacificação e descrispação tão necessárias ao futebol português.

Subscrevo-me, com as mais cordiais saudações,

Bruno de Carvalho

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Presidente do Sporting Clube de Portugal

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