FIFA denuncia "esforço concertado e contínuo" para enfraquecer Infantino
FIFA garante que "acolhe favoravelmente qualquer análise crítica legítima".
A Federação Internacional de Futebol (FIFA) denunciou este sábado "um esforço concertado e contínuo de alguns para enfraquecer" a organização e o seu presidente, Gianni Infantino, numa altura em que o ítalo-suíço enfrenta acusações de favoritismo.
"Informações publicadas recentemente continham afirmações não fundamentadas e alegações manifestamente falsas relativas à FIFA e ao seu presidente. As especulações e as insinuações não devem ser apresentadas como factos e a repetição de uma alegação não a torna verdadeira", indicou a organização num comunicado, sem especificar a que alegações se refere.
Segundo um artigo do jornal britânico The Telegraph publicado na sexta-feira à noite, o ítalo-suíço de 56 anos, que serviu como secretário-geral da confederação europeia de futebol (UEFA) de 2009 a 2016, usou do seu poder para assegurar a promoção de uma funcionária da instituição com a qual mantinha uma relação íntima.
Contactada pela agência France-Presse, a UEFA admitiu que "um pagamento" tinha sido efetuado nessa altura, "acompanhado pelo pagamento dos custos de um MBA numa escola de negócios local". Contudo, "este pagamento estava em conformidade com as regras então em vigor para o pessoal que deixava a organização", sublinhou a UEFA.
No seu comunicado, a FIFA garante que "acolhe favoravelmente qualquer análise crítica legítima".
"Mas esta análise não pode autorizar a distorcer os factos, a amplificar alegações não fundamentadas ou a criar artificialmente elementos de distração destinados a travar os progressos alcançados", referiu o comunicado. Gianni Infantino, que se vai recandidatar à liderança da Fifa nas eleições de março de 2027, está envolvido numa crise desde a divulgação, no final de julho, do seu projeto controverso de abertura da FIFA a investidores privados, que foi posteriormente abandonado.
O presidente é contestado pela UEFA, que manteve na quinta-feira a sua ameaça de boicote aos Campeonatos do Mundo, considerando insuficiente a simples retirada do projeto controverso. Na sexta-feira, a Federação Norueguesa de Futebol, na linha de frente das críticas há vários anos, pediu pela voz da sua presidente Lise Klaveness a demissão de Gianni Infantino.
No seu comunicado de sábado, a FIFA afirma que "não apoiará, não facilitará nem tolerará qualquer processo relativo à eleição do presidente da Fifa que seja contrário aos seus estatutos, aos seus procedimentos democráticos ou ao seu quadro de governação estabelecido.
" No passado dia 28 de julho, o presidente da FIFA defendeu a criação da FIFA Forward Enterprise (FFE), integralmente detida pelo organismo para reunir os direitos comerciais, vendendo participações minoritárias a investidores privados, que não vão ter papel operacional na subsidiária, avaliada inicialmente em 20 mil milhões de dólares (17,2 mil milhões de euros).
A proposta foi recebida com oposição geral e, no passado sábado, 01 de agosto, Infatino recuou e admitiu que o projeto não serviria "o objetivo inicial".
A Federação Portuguesa de Futebol (FPF) esteve alinhada com os restantes membros da UEFA na oposição à proposta do presidente da FIFA para a venda de participações dos Mundiais a privados, segundo uma carta a que a Lusa teve acesso.
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