Joaquim Oliveira, o homem que mudou o futebol na televisão
Fundou o primeiro canal privado de desporto, a Sport TV, com influência nos direitos televisivos. Como empresário também se destacou na área dos media.
Nascido a 12 de fevereiro de 1947, em Penafiel, Joaquim Francisco Alves Ferreira de Oliveira teve o primeiro contacto com o mundo empresarial pela mão da mãe: com o irmão mais novo era responsável por lavar pratos e servir às mesas na pensão que a progenitora, D. Lucinda, geria. Mas ao contrário de António Oliveira, que se destacou primeiro como jogador e depois treinador, Joaquim nunca teve jeito para o futebol dentro do relvado. Mas não lhe faltou visão fora dele.
Em 1984 fundou a Olivedesportos com o irmão, antecipando a exploração milionária dos direitos televisivos e da publicidade estática nos relvados. Conhecedor das dificuldades financeiras dos clubes, tornou-se numa espécie de banqueiro do futebol, adiantando dinheiro em troca do direito a comercializar as transmissões dos jogos do principal campeonato nacional. Foi também dessa forma que se tornou acionista de muitos clubes. Em 2020 vendeu os 2,66% que detinha no capital da SAD do Benfica a José António dos Santos, conhecido como 'Rei dos Frangos', e em 2022 os 21,67% da SAD do Sp. Braga à Qatar Sports Investments, dona do PSG. Que se saiba, nunca se desfez das ações no Sporting, embora essa participação se tenha diluído com a reconversão de dívida feita pelos leões. Mantinha-se como o segundo maior acionista individual do FC Porto, com 6,68%, atrás do irmão, que tem 7,34%.
Para a construção do monopólio contribuiu a fundação, em 1998, da Sport TV, o primeiro canal de desporto em Portugal. Além de ter mudado a transmissão do futebol para sempre, com os jogos da I Liga a deixarem de passar em sinal aberto para passarem a ser um exclusivo do canal premium, Joaquim Oliveira dedicou-se aos media. Depois de ter comprado o jornal 'O Jogo' em 1994, em 2005 adquiriu a área de media da Lusomundo ('Diário de Notícias', 'Jornal de Notícias' e 'TSF', entre outros). O negócio não correu bem e teve de abrir mão do controlo do grupo.
A vida empresarial também trouxe vários conflitos. Vale e Azevedo desafiou a sua hegemonia, rasgando os contratos. Pinto da Costa, quando assinou com a Altice, também se afastou do amigo de longa data, que em 2024 apoiou Villas-Boas nas eleições do FC Porto. Mas a maior zanga foi com o irmão: após duas décadas de negócios em conjunto, separaram-se em 2004.
Joaquim Oliveira morreu ontem, aos 78 anos, em consequência de uma “pneumonia grave”, revelou a família em comunicado. Deixa mulher, três filhos e dez netos. FPF e Liga decretaram um minuto de silêncio em todos os jogos das provas que organizam durante o fim de semana.
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