MP abre inquérito a suspeitas de corrupção na arbitragem
PJ recebeu denúncia com mensagens, chamadas telefónicas, áudios e vídeo-mensagens com relatos sobre fuga de informação nas nomeações de árbitros
O Ministério Público abriu um inquérito que já está a decorrer a suspeitas de corrupção no setor da arbitragem, numa investigação em que é coadjuvado pela Polícia Judiciária, que recebeu uma queixa contendo vários documentos denunciando interferências nas nomeações de árbitros em jogos da I Liga no final da época passada, envolvendo o Estrela da Amadora.
“Confirma-se a existência de inquérito a correr termos no DCIAP, que teve origem em denúncia recebida. Na investigação, o Ministério Público é coadjuvado pela PJ-UNCC [Unidade Nacional de Combate à Corrupção] “, disse à Lusa fonte do Ministério Público.
A notícia foi avançada pelo jornal ‘Público’, e refere que chegou à PJ uma queixa contendo 20 páginas, com mensagens de WhatsApp, capturas de ecrã, chamadas telefónicas, áudios, vídeo-mensagens e relatos de reuniões na Cidade do Futebol, entre abril e junho deste ano, e que descrevem a forma como as nomeações de árbitros eram conhecidas e partilhadas antes de serem divulgadas oficialmente.
Em causa está um conjunto de eventuais crimes, entre eles corrupção e tráfico de influência.
Os episódios descritos referem-se ao jogo Moreirense-Estrela da Amadora (3-2), da 32.ª jornada, e ao Estrela-Famalicão (0-0), da ronda seguinte, ambos relativos à temporada passada.
Na sexta-feira, recorde-se, o Conselho de Justiça da Federação Portuguesa de Futebol arquivou o processo de inquérito a Luciano Gonçalves, presidente do Conselho de Arbitragem, por “falta de indícios suficientes de infração disciplinar”. Este inquérito surgiu na sequência de uma denúncia de Duarte Gomes, que se demitiu do cargo de Diretor Técnico Nacional de Arbitragem a 26 de junho.
O mesmo relatório adianta que não foi possível provar que Luciano Gonçalves tenha divulgado antecipadamente nomeações de árbitros ou que algumas mensagens enviadas a outros agentes da arbitragem visassem influenciar resultados desportivos ou prometer certos benefícios.
Villas-Boas FC Porto pede suspensão de líder dos árbitros
Villas-Boas defende que Luciano Gonçalves, presidente do Conselho de Arbitragem, deve suspender “temporariamente funções enquanto defende o seu bom nome e os factos sejam esclarecidos” relativamente às polémicas com a arbitragem, lembrando que “a PJ recebeu uma participação e está a desenvolver diligências sobre suspeitas de corrupção e tráfico de influências relacionadas com nomeações” de árbitros.
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