Secretário pessoal de Maradona diz que ídolo argentino "estava em queda livre" antes de morrer

Testemunho revelou contradições sobre o tratamento domiciliário a que Maradona foi submetido entre 11 e 25 de novembro de 2020, dia em que morreu.

17 de julho de 2026 às 08:08
Diego Maradona Foto: Ricardo Mazalan/AP
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O secretário pessoal de Diego Maradona declarou esta quinta-feira, no julgamento pela morte do ídolo argentino que, um mês antes do morrer, este estava "em queda livre" por problemas de saúde e consumo de álcool em excesso.

Maximiliano Pomargo integrava a equipa liderada pelo advogado e representante de Maradona, Matías Morla, responsável pelas questões pessoais, comerciais e legais da estrela do futebol (1960-2020), tendo começado a trabalhar como secretário pessoal em 2016.

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Segundo explicou, tratava de tudo, "desde comprar um par de ténis, até falar com o presidente da FIFA".

Questionado sobre o estado de saúde do ex-futebolista em outubro de 2020, um mês antes da morte, Pomargo respondeu que "Diego estava em queda livre", dizendo que alertou o médico de família, Leopoldo Luque, para o consumo excessivo de álcool da antiga glória do Boca Juniors e do Napóles.

"Estava a beber muito. Não havia solução. Nesse mês chegou a discutir-se a hipótese de interná-lo à força, falava-se disso", afirmou.

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O testemunho revelou contradições sobre o tratamento domiciliário a que Maradona foi submetido entre 11 e 25 de novembro de 2020, dia em que morreu.

Pomergo negou, inicialmente, ter influência nessa decisão, considerada crucial no desfecho fatal pela acusação, mas, confrontado com mensagens em sentido contrário, disse, posteriormente, que Maradona não queria ser internado e que ele "nunca teria feito nada contra a vontade de Diego".

Pomargo disse desconhecer antecedentes cardíacos, mas admitiu saber dos problemas de saúde tornados públicos antes de integrar a equipa, embora não acreditasse nas notícias da imprensa.

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O então secretário pessoal relatou ainda que, em agosto desse ano, exames médicos revelaram problemas no fígado, acrescentando que disse a "Luque para o assustar [a Maradona] com isso, para que deixasse de beber".

Questionado pelo presidente do tribunal, Alberto Gaig, se apenas o vício do álcool tornava a saúde de Maradona frágil, este respondeu que as conversas sobre o estado do antigo jogador giravam sempre em torno desse aspeto.

Pomargo contou que, nos últimos dias de vida de Maradona, disse a Luque e à psiquiatra Agustina Cosachov, também acusada, que via o ex-jogador muito inchado e deprimido.

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O secretário é uma das várias pessoas próximas de Maradona, incluindo filhas, que dias antes da morte notaram uma estranha inflamação.

"Quando avisei da inflamação, Luque disse-me que era porque Diego passava muito tempo deitado", acrescentou.

Maradona morreu de edema pulmonar agudo, tendo ainda uma insuficiência cardíaca crónica aguda, segundo a autópsia.

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Além de Luque e Cosachov, também estão a ser julgados por homicídio simples com dolo eventual a coordenadora de cuidados domiciliários da Swiss Medical, Nancy Forlini, o clínico Pedro Di Spagna, o coordenador de enfermeiros Mariano Perroni, o enfermeiro Ricardo Almirón e o psicólogo Carlos Díaz.

Carlos Díaz apresentou na quinta-feira um novo depoimento, afirmando que os profissionais responsáveis pela saúde do ex-futebolista não aceitavam as sugestões que este propunha.

"As minhas intenções, as minhas sugestões, pelos vistos não eram bem recebidas", disse Díaz, após exibir várias mensagens em que médicos e pessoas próximas de Maradona falavam em afastá-lo do tratamento.

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Nas trocas de mensagens reveladas, Luque e Pomargo referiam a ideia de "dar a volta" ao psicólogo, acusando-o de expô-los perante a família do argentino.

Especialista em adições, Díaz relatou que a psiquiatra Agustina Cosachov rejeitou as suas "sugestões farmacológicas", que incluíam um medicamento capaz de provocar uma reação desagradável quando misturado com álcool, para impedir que Maradona bebesse.

Questionado sobre a acusação de integrar um suposto plano para acabar com a vida do ex-jogador, respondeu que o seu único plano era oferecer um "tratamento abstencionista para Maradona".

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"Não poderia ter feito nada diferente para evitar um quadro cardíaco, não tenho esse tipo de conhecimento", acrescentou.

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