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Correio da Manhã

Desporto
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A devida vénia, o rei é Cristiano Ronaldo

Capitão leva a coroa na cabeça e não está preparado para a entregar.
Sérgio Pereira Cardoso e Mário Figueiredo 6 de Junho de 2019 às 01:30
Portugal e Suíça
Portugal
Fernando Santos
Portugal e Suíça
Portugal e Suíça
Portugal e Suíça
Portugal e Suíça
Portugal e Suíça
Portugal
Fernando Santos
Portugal e Suíça
Portugal e Suíça
Portugal e Suíça
Portugal e Suíça
Portugal e Suíça
Portugal
Fernando Santos
Portugal e Suíça
Portugal e Suíça
Portugal e Suíça
Portugal e Suíça
Ronaldo, Cristiano Ronaldo. O nome dele foi dito apenas uma vez na conferência de imprensa de antevisão ao jogo - mas acabou escrito e repetido, por três vezes e a tinta dourada, no resultado. Brilhante hat-trick da estrela de 34 anos, a maior de todas, a derrotar a Suíça e a levar Portugal à final da Liga das Nações.

Falou-se muito em conjugar talento e Fernando Santos encontrou no losango a figura geométrica ideal para encaixar todos os artistas.

A Suíça é que não ficou parada a apreciar o talentoso desenho: a manta esticada à frente criava buracos atrás, que Shaqiri e Seferovic não conseguiram aproveitar, ora por falta de jeito ora por azar. Só que o maior azar foi mesmo o facto de CR7 estar do outro lado.

Uma falta sobre o próprio Ronaldo abriu caminho para o capitão sair da sombra mediática criada pela fenómeno Félix - esta quarta-feira mais apagado. Uma bomba do número 7 deixou Sommer pregado ao chão e levantou o Dragão para a primeira vénia - 15 anos depois, na mesma baliza onde se estreou a marcar pela Seleção, no Euro 2004.

Os sorrisos portugueses esmoreceram quando outro Felix - Brych, árbitro do jogo - teve uma decisão polémica, recorrendo ao VAR para dar um penálti duvidoso aos suíços. Rodríguez fez o empate. 1-1 e chega de parágrafos sem Ronaldo.

Portugal reagiu bem à adversidade, pegou no jogo e teve muito mais bola do que até então. Faltava desbloquear o resultado e para tal foi só recorrer ao código habitual: CR7.

Quando já todos pensavam no prolongamento, a visão de Rúben Neves encontrou Bernardo Silva, que serviu um passe em bandeja de prata para CR7 revestir o lance a ouro. Estava dada a segunda vénia.

Mas, qual concerto da melhor das bandas, Ronaldo tinha um ‘encore’ com o maior dos hits. Finta incrível, remate imparável. Três vénias a Rei Ronaldo, a coroa é dele e não a vai entregar tão cedo.

"Foi o coletivo que desbloqueou o jogo"
"Tivemos períodos de ansiedade em que nos faltou ter mais bola. Foi o coletivo que desbloqueou o jogo. Principalmente nos últimos 10 minutos do jogo tivemos mais bola, saímos com outra qualidade e aí, claro, o nosso talento individual vem ao de cima", assumiu o selecionador Fernando Santos no final do jogo.

O técnico admitiu, contudo, que Portugal foi a melhor equipa e que o triunfo acaba por ser "justo". Sobre Cristiano Ronaldo as palavras já parecem escassear: "O Ronaldo surpreendeu-me... quando tinha 18 anos e o treinei no Sporting. Agora, nada me surpreende".

"Se o losango é para manter? Vamos ver, vamos ver. Não temos muito tempo de treino, tem de ser tudo muito rápido. É preciso tempo, nos clubes há tempo. O que fazemos é estratégico, aproveitar a qualidade e a inteligência destes jogadores. Desde 2014, esta equipa perdeu apenas três vezes", admitiu esta quarta-feira Fernando Santos, reconhecendo que o penálti da Suíça "mexeu com o ânimo dos jogadores". "Agora vamos para a final para vencer", concluiu.

"Ronaldo já não surpreende ninguém"
"Ronaldo nunca facilita dentro da área. Temos a felicidade de ter um jogador assim que decide. Ronaldo já não surpreende ninguém", disse Bernardo Silva, assumindo que tiveram dificuldades no início do jogo.

"Depois do penálti, a reação da equipa foi muito boa e nos últimos 10 minutos a equipa teve muita cabeça", garantiu.

Análise
Ainda é dono disto tudo
Três belíssimos golos, um de livre, outro de primeira e o último depois de uma brilhante finta. Já deve ser complicado compilar os 88 golos por Portugal. Mais uma final para CR7.

Pouco Bruno, nada Félix
As estrelas do campeonato estiveram abaixo do esperado. João teve noite pouco Félix e falhou um lance isolado. Bruno Fernandes errou mais passes do que em toda a Liga.

Penálti muito duvidoso
Assinalou, com VAR, o penálti de 1-1, num momento que deixa no mínimo muitas dúvidas - e não foi para tal que a ferramenta foi criada. João Félix protestou lance idêntico e - o também - Felix Brych nada fez.

Capitão mostra caminho com 3 golos

Rui Patrício – Três defesas apertadas. Podia comprometer quando largou uma bola. Quase defendia o penálti.

Nélson Semedo – Esforçado, mas com alguma falta de ritmo. Podia ter subido mais.

Pepe – Firme e hirto. Fundamental a usar a sua experiência para travar Seferovic.

Rúben Dias – Corte quando Patrício largou a bola.

Raphael Guerreiro – Não subiu tanto como é habitual. Podia ter desequilibrado mais.

Rúben Neves – É o estanque da defesa. Grande passe para Bernardo assistir CR7 no 2-1.

William Carvalho – Discreto, mas empenhado e muito interventivo.

Bruno Fernandes – Jogou fora da sua posição habitual e teve dificuldades em acertar o passo. Recuperou a bola que deu o 3-1.

Bernardo Silva – Atento. Pressionou alto e chegou a servir CR7, que rematou ao lado. Desequilibrador. Grande assistência para o 2-1.

João Félix – Estreia sem brilho. Ficou a pedir uma grande penalidade, depois de agarrado por Rodríguez.

José Fonte – Sem muito trabalho, nem se deu por ele.

Gonçalo Guedes – Entrou com garra e determinação. Assistiu Ronaldo no 3-1.

João Moutinho – Entrou para a ovação de CR7.
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