Barra Cofina

Correio da Manhã

Desporto
4

Águia vence o Tondela antes do Clássico

Benfica mudou de sistema tático e fez o resultado nos primeiros 20 minutos. Everton Cebolinha esteve em grande, apesar de alguns sustos do Tondela.
Filipe António Ferreira e Luís Oliveira 1 de Maio de 2021 às 01:30
Everton, a figura do encontro em Tondela, disputa lance com Bebeto
Everton, a figura do encontro em Tondela, disputa lance com Bebeto FOTO: MovePhoto
O Benfica venceu esta sexta-feira o Tondela de forma justa, embora com alguns sustos. Jorge Jesus fez descansar alguns jogadores antes do importante clássico de quinta-feira com o FC Porto.

A ausência de Otamendi levou Jesus a mudar o esquema para 4x4x2. Se a alteração mostrou um Benfica mais atacante, também revelou debilidades que o Tondela não soube aproveitar.

As águias tiveram 20 minutos avassaladores com Everton e Pizzi em grande. À pressão alta que o Tondela fez nos instantes iniciais, o Benfica respondeu com rápidas transições. Seferovic teve a primeira grande chance do encontro que desperdiçou. Logo a seguir Everton, de cabeça, testou a atenção de Trigueira. Cebolinha era a principal dor de cabeça dos defensas dos beirões. Numa rápida descida pelo flanco direito, aos 12’, o brasileiro cruzou na perfeição para Pizzi rematar de forma vitoriosa.

Mas o Benfica queria mais e arrumar o resultado antes do importante clássico com o FC Porto. Conseguiu-o num grande golo de Everton (talvez a melhor exibição de águia ao peito ao fim de 43 jogos). Pizzi foi outra vez importante no arranque da jogada.

O Tondela sentiu os dois golos, mas ainda assim teve hipóteses para marcar. As desatenções da defesa encarnada permitiram ao goleador Mário González ter duas oportunidades. Primeiro Helton resolveu e depois foi Lucas Veríssimo a evitar o remate.

No segundo tempo o jogo mudou de sentido. O Benfica acomodou-se e permitiu ao Tondela criar oportunidades. No duelo González-Helton Leite, o brasileiro foi gigante e levou sempre a melhor em três lances.

Até ao apito final, Jesus mudou alguns habituais titulares – Pizzi e Rafa saíram enquanto Diogo Gonçalves começou no banco– e a equipa voltou a acordar. Dispôs ainda de mais duas chances para dilatar o marcador (que seria penalizador para aquilo que o Tondela fez).

Missão cumprida das águias, agora com o duelo pelo segundo lugar na mente. O FC Porto, na Luz, é o próximo adversário.

Jorge Jesus: "Equipa está muito confiante"
"A equipa está muito confiante e faltam cinco jogos. Quatro para a Liga e a final da Taça de Portugal. Queremos vencer os cinco", disse Jorge Jesus. O técnico destacou os primeiros 30 minutos da equipa: "Fizemos um excelente jogo e marcámos dois golos. Entrámos muito fortes e depois continuámos a ter oportunidades, mas falhámos muitos. Fizemos o golo 100 na época e isso também é prova da qualidade ofensiva da equipa". Jesus falou ainda sobre a figura do jogo. "Este é o Everton que eu conheço", disse o técnico, que, antes de falar na ‘flash’, mandou calar uns "miúdos" que faziam barulho.

Everton: "Adaptação é sempre difícil"
"Estou feliz, porque estou a crescer dentro da equipa. É o meu primeiro ano na Europa. A adaptação é sempre difícil, mas o míster e os meus companheiros estão a ajudar-me e espero crescer mais ainda", disse no final Everton.

Análise ao jogo
Positivo: Velocidade e eficácia
O Benfica surgiu em Tondela com velocidade embalado pelo brasileiro Everton e pela qualidade técnica do capitão Pizzi. Antes dos 20 minutos o Benfica criou quatro grandes chances e fez dois golos. Eficácia de 50% que tranquilizou.Na 2ª parte essa percentagem diminuiu.

Negativo: Alemão desaparecido
Waldschmidt voltou a merecer a confiança de Jesus e, mais uma vez, voltou a não ser o jogador importante que já foi no início da temporada. Seferovic –o melhor marcador da Liga – voltou a ter duas grandes chances, mas esteve mais uma vez perdulário.

Arbitragem: Sem casos
Tarde tranquila de Manuel Mota no Estádio João Cardoso. Sem casos, o árbitro de Braga esteve sempre muito perto dos lances. Da única vez que teve de puxar dos cartões, mostrou (bem ) um cartão amarelo a Chiquinho, que impediu uma transição do Tondela.

Análise aos jogadores: Helton segurou classe de Cebolinha
Everton - 
Um cheirinho de Cebolinha do Brasileirão e da seleção canarinha. Serviu Pizzi no 1-0 e marcou o segundo da equipa com um golo daqueles só ao alcance dos craques. Bom jogo.
Helton Leite – Ao nível do seu compatriota Everton. Foi o grande responsável por manter o resultado, sobretudo na segunda parte. Um punhado de grandes defesas deste gigante que sentou Odysseas.
Gilberto – Não comprometeu na defesa e aventurou-se no ataque sempre, quase sempre pela certa. Saiu cansado.
Lucas Veríssimo – Um bom defesa que limpou muitas bolas, mas também causou alguma calafrios. Em certos lances arriscou em demasia.
Verthogen – Mais certinho em jogo que o colega do centro da defesa, fruto da sua experiência, que lhe dá um posto de autoridade.
Grimaldo – Dinâmico na esquerda, fez várias assistências para golo, que não foram, e tentou marcar de livre.
Gabriel – Ocupou a posição de trinco, onde, solitário, não se sente muito à vontade. Fez bons passes a rasgar e de média distância, mas foi várias vezes ultrapassado em velocidade pelos adversários.
Pizzi – Fez 20 minutos de grande nível, inaugurando o marcador aos 12’. Participou na jogada do segundo golo ao entregar a bola ao Everton. Foi desaparecendo com o decorrer da partida.
Rafa – Fez boas arrancadas e criou jogadas perigosas. Poupado na segunda parte para quinta-feira.
Luca Waldschmidt – Mesmo com boa exibição coletiva, não se destacou.
Seferovic – Não marcou e teve algumas ocasiões para isso. Algumas por culpa própria - um falhanço incrível, sozinho, frente à baliza -, outras por mérito de Trigueira.
Chiquinho – Entrou para refrescar o meio-campo ofensivo e ao mesmo tempo ajudar o Gabriel nas tarefas defensivas. Fez pouca coisa.
Pedrinho – Quase que não se viu no tempo que jogou, ocupando a mesma zona de terreno de Waldschmidt.
Cervi – Endiabrado, sempre com a bola colada aos pés, tentou marcar no pouco tempo que esteve em campo.
Diogo Gonçalves – Entrou para render Gilberto e aquecer para o jogo contra o FC Porto, dentro de cinco dias.
Morato – Estreia e dois minutos de jogo do jovem brasileiro, que há dois anos custou sete milhões de euros.
Ver comentários