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Correio da Manhã

Desporto
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Benfica afunda na ilha com derrota frente ao Marítimo

Fim da linha para Bruno Lage. A derrota na Madeira deixa o treinador sem condições para voltar ao banco que o consagrou na época passada.
Mário Pereira 30 de Junho de 2020 às 01:30
Marítimo - Benfica
Marítimo - Benfica
Marítimo - Benfica
Marítimo - Benfica
Marítimo - Benfica
Marítimo - Benfica
Marítimo - Benfica
Marítimo - Benfica
Marítimo - Benfica
Ponto final. Bruno Lage já estava a cozer em lume brando há várias semanas. Esta segunda-feira, no caldeirão dos Barreiros a fervura levantou. Com mais esta derrota do Benfica, o treinador deixa de ter condições para voltar a sentar-se no mesmíssimo banco que na época passada o consagrou. É o fim de um ciclo com final que já estava anunciado mesmo antes de os encarnados levantarem voo do continente, rumo à ilha onde o técnico acabou por ir ao fundo e o Benfica disse adeus ao título.

A forma como a equipa lisboeta perdeu esta segunda-feira é claramente demonstrativa do modo como Lage deixou de ter condições para se manter no lugar. O Benfica entrou bem no jogo, criou oportunidades de sobra para o resolver nos primeiros 20 minutos, mas a bola não entrou. Umas vezes por aselhice dos seus jogadores, outras por mérito de um superguarda-redes que com três ou quatro soberbas paradas tornou ainda mais frágil o ânimo dos jogadores do Benfica. Era como esbarrar num muro. Quando assim é, pouco mais resta.

Aos 3 minutos o resultado já é lisonjeiro para o Marítimo. Se Chiquinho, titular surpresa na equipa do Benfica, tem batido Amir num um contra um que parecia fácil de ganhar, porventura outro jogo teria acontecido. Nuno Tavares despeja cruzamentos da esquerda, Cervi empurrou a equipa para a frente, Pizzi parecia correr para um final de tarde inspirado e Chiquinho acrescentou frescura. Ingredientes suficientes para levar de vencida um insípido Marítimo. Mas nada disto funcionou, uma evidência clara de que a estrelinha de Lage deixou de brilhar.

Curiosamente, ou talvez não, como mais à frente se haveria de ver, na única vez em que o Marítimo chegou perto da baliza do Benfica marca golo. Mas foi anulado por fora de jogo

Na segunda parte o Benfica volta a entrar forte. Mais do mesmo. O Marítimo cerra fileiras e só defende. Começam as mexidas de banco e Lage faz sair Cervi, o que deixa a equipa completamente desequilibrada. Os madeirenses têm finalmente oportunidade de deitar a cabeça de fora. Nanú faz duas arrancadas e oferece dois golos, deixando a nu as fragilidades do Benfica na transição defensiva. O Marítimo faz ainda mais um golo, que o VAR (bem ) volta a anular, por fora de jogo, evitando assim uma humilhação ainda maior para o Benfica.

Cervi saiu e a equipa ficou sem equilíbrio
Odysseas – O que mais lhe deu trabalho foi ter de ir buscar a bola ao fundo da baliza duas vezes.
André Almeida – Entrou intenso e raçudo, terminou sem chama.
Jardel – Esteve bem até ter de andar a correr para trás.
Ferro – Primeiro a naufragar a partir do momento em que o Marítimo se soltou para o contra-ataque.
Nuno Tavares – Excelente início de jogo, com cruzamentos a pedir melhor sorte. Bom jogo, apesar de tudo.
Weigl – Menos mal. Jogou na contenção, junto aos centrais. Quando se adiantou, a equipa ressentiu-se.
Samaris – Passou ao lado da partida. Complicou imenso.
Pizzi – Surgiu solto e inspirado a jogar da linha para dentro. Na segunda parte desapareceu para parte incerta.
Cervi - Na primeira parte, a jogar entre linhas e sempre em movimento, criou desequilíbrios. Caiu fisicamente na segunda metade e, quando saiu, foi a sua equipa que ficou desequilibrada.
Chiquinho – Titular surpresa. Ativo até à meia-hora. Teve um golo cantado aos 3’ mas falhou na cara de Amir.
Vinícius – Também falhou isolado frente ao guarda-redes do Marítimo. Depois, andou a bater num muro.
Rafa – Inconsequente num jogo em que entrou com gana.
Seferovic – Um cabeceamento falhado e nada mais.
Zivkovic – Entrou fresco e deixou Nanú fugir para o 1-0. Veredito: culpado.
Dyego Sousa – Nulidade.
Jota – Até tentou. Mas já não dava para nada.

ANÁLISE
+ Amir segura, Nanú destrói
Memorável exibição do guarda-redes do Marítimo. O iraniano Amir segurou a equipa quando esta estava encostada às cordas. Depois, na segunda parte, apareceu Nanú, que com duas acelerações ofereceu golos a Correa e Pinho. Bastou.

- Ai Benfica, Benfica...
O Benfica teve tudo para ganhar este jogo e acabou por, paradoxalmente, escapar a uma goleada, pois nas quatro vezes em que o Marítimo passou com perigo do meio-campo marcou quatro golos. Só dois valeram. Mas quando assim é, está tudo dito. Boa

Arbitragem
Hélder Malheiro fez um bom trabalho num jogo sem casos. Teve até o mérito de usar um critério largo no ajuizamento dos contactos, deixando jogar, como é habito dizer-se. Foi coerente e, nesse caso, a estratégia ajuda o jogo a fluir.
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