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Benfica com acesso ao caso dos mails logo após início da investigação

Assessor jurídico da SAD do clube, Paulo Gonçalves, foi detido esta terça-feira.
Henrique Machado 6 de Março de 2018 às 08:51
Paulo Gonçalves é o assessor jurídico da Benfica SAD
Paulo Gonçalves é o assessor jurídico da Benfica SAD
Paulo Gonçalves é o assessor jurídico da Benfica SAD
Luís Filipe Vieira (presidente do Benfica) e Paulo Gonçalves (assessor jurídico da SAD)
Paulo Gonçalves, assessor jurídico do Benfica
Paulo Gonçalves é o assessor jurídico da Benfica SAD
Paulo Gonçalves é o assessor jurídico da Benfica SAD
Paulo Gonçalves é o assessor jurídico da Benfica SAD
Luís Filipe Vieira (presidente do Benfica) e Paulo Gonçalves (assessor jurídico da SAD)
Paulo Gonçalves, assessor jurídico do Benfica
Paulo Gonçalves é o assessor jurídico da Benfica SAD
Paulo Gonçalves é o assessor jurídico da Benfica SAD
Paulo Gonçalves é o assessor jurídico da Benfica SAD
Luís Filipe Vieira (presidente do Benfica) e Paulo Gonçalves (assessor jurídico da SAD)
Paulo Gonçalves, assessor jurídico do Benfica

Paulo Gonçalves, diretor do departamento jurídico do Benfica e braço direito de Luís Filipe Vieira, foi esta manhã detido pela Polícia Judiciária sob suspeita de, em nome da SAD do clube, ter subornado três funcionários judiciais para lhe fornecerem peças processuais do chamado 'caso dos mails' - em que o Benfica e os seus dirigentes são investigados, no DIAP de Lisboa, por corrupção desportiva, num alegado esquema com árbitros e observadores dos mesmos. As buscas ao Benfica terminaram cerca das 18h desta terça-feira.

O assessor jurídico da SAD da Luz acompanhou, sob custódia da PJ, as buscas ao seu escritório nas instalações do Estádio da Luz, sabe o CM. Vai passar a noite detido na Polícia Judiciária. Esta operação recebeu o nome de "Operação e-toupeira".

Foi esta a forma encontrada pelos encarnados, desde junho do ano passado, para tentarem acompanhar a par e passo tudo o que estava a ser feito pela Justiça - e ao mesmo tempo anteciparem eventuais operações da PJ.

Funcionário judicial detido em Guimarães já está na PJ de Lisboa
Nogueira da Silva, funcionário judicial do tribunal de Guimarães que é suspeito de ter passado informação processual sob sigilo ao Benfica, chegou, pelas 15h15 à sede da PJ em Lisboa. É um dos detidos na operação desta terça-feira, para além de Paulo Gonçalves.

Benfica com acesso ao processo dos e-mails uma semana após início da investigação
O processo da investigação ao caso dos emails foi formalmente registado pelo Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Lisboa e uma semana depois, a 15 de julho, José Silva, técnico do Instituto de Gestão Financeira e Equipamentos da Justiça (IGFEJ) e outro dos detidos na Operação e-toupeira, terá entrado no sistema CITIUS para retirar informações que constavam no processo relativas às suspeitas de corrupção desportiva envolvendo o Benfica, segundo a SÁBADO.

Estas informações terão sido depois entregues a Paulo Gonçalves, para que estivesse informado sobre os crimes em investigação e as diligências em curso.


Paulo Gonçalves teve acesso a processos que envolvem FC Porto e Sporting
Por isso a sociedade de advogados Vieira de Almeida chegou a dar formações a funcionários do Benfica sobre a forma de se comportarem em caso de buscas à SAD - e, quando as mesmas aconteceram, em outubro, a PJ chegou a encontrar documentos processuais, que estão em segredo de justiça, nas instalações do clube.

Além disso, os oficiais de justiça também terão passado a Paulo Gonçalves documentos de processos em que são visados dirigentes do Sporting e do FC Porto.

Os funcionários dos tribunais de Guimarães e de Fafe, um dos quais, Nogueira da Silva, está também detido pela Unidade de Combate à Corrupção da PJ, entraram no sistema CITIUS - base de dados da justiça - com passwords e códigos de acesso deles e abusivamente em nome magistrados do Ministério Público, tendo acedido centenas de vezes a processos judiciais como os casos dos mails e dos vouchers, entre outros.

Paulo Gonçalves ofereceu emprego a sobrinho de funcionário judicial
Quanto às contrapartidas dadas por Paulo Gonçalves aos oficiais de justiça subornados, direta ou indiretamente através do empresário Óscar Cruz (filho do ex-dirigente do FC Porto, com o mesmo nome), passavam por convites VIP para assistirem a jogos do Benfica na Luz e fora de casa, e oferta de produtos de merchandising do clube, como camisolas da equipa principal. 

Para além disso, e segundo avançou a Sábado, um sobrinho de um dos funcionários judiciais visados nesta operação terá sido, igualmente, contratado pelo Benfica para trabalhar no Museu Cosme Damião, o museu do clube. 

Na operação de hoje, que está a passar por novas buscas à SAD do Benfica, na porta 18 do estádio da Luz, e a outros locais, como os tribunais de Guimarães e de Fafe, onde foram cometidos os crimes, estão envolvidos mais de 40 inspetores da PJ - para além de procuradores do MP, juízes e um representante da Ordem dos Advogados, que acompanha as buscas ao escritório de Paulo Gonçalves e a detenção do mesmo.

O Benfica desmente esta informação e garante, em comunicado, que o sobrinho do funcionário judicial não trabalhava no museu do clube.

"A Sport Lisboa e Benfica – Futebol, SAD esclarece que é falsa a informação veiculada por alguns órgãos de comunicação social de que Fernando Rocha, sobrinho de um funcionário judicial, teria sido contratado pelo Sport Lisboa e Benfica e trabalharia no Museu Benfica Cosme Damião", escrevem os encarnados, garantindo que Farnando Rocha "não pertence, nem nunca pertenceu, aos quadros profissionais de qualquer estrutura do Sport Lisboa e Benfica e Sport Lisboa e Benfica – Futebol, SAD".

Paulo Gonçalves acompanha buscas sob detenção
Segundo apurou o CM no local, Paulo Gonçalves foi detido esta manhã na sua casa, em Santarém, e foi encaminhado para o seu gabinete, no Estádio da Luz, onde acompanhou sob detenção, as buscas da Polícia Judiciária.

Depois, deverá passar a noite nos calabouços da polícia, uma vez que, segundo avança a Sábado, o interrogatório judicial estará agendado para quarta-feira, no Tribunal de Instrução Criminal de Lisboa. 

PJ confirma Operação e-toupeira
A Polícia Judiciária já confirmou a detenção de "dois homens pela presumível prática dos crimes de corrupção ativa e passiva, acesso ilegítimo, violação de segredo de justiça, falsidade informática e favorecimento pessoal".

Em comunicado, a PJ adianta que a operação envolveu cerca de "50 elementos da Polícia Judiciária, um juiz de instrução criminal e dois magistrados do Ministério Público", sendo que "foram realizadas trinta buscas nas áreas do Porto, Fafe, Guimarães, Santarém e Lisboa" que levaram à "apreensão de relevantes elementos probatórios".

A investigação, denominada e-toupeira, foi iniciada "há quase meio ano" para averiguar "o
 acesso ilegítimo a informação relativa a processos que correm termos nos tribunais ou Departamentos do Ministério Público a troco de eventuais contrapartidas ilícitas a funcionários".

Também é confirmado que os detidos vão ser sujeitos a primeiro interrogatório judicial e que a investigação prossegue. 

Benfica garante total disponibilidade para colaborar com a Justiça
O Benfica emitiu esta terça-feira um comunicado em que confirma as buscas às suas instalações, mostrando "total disponibilidade em colaborar com as autoridades no integral apuramento da verdade". 
No comunicado, o clube também declara o seu apoio a Paulo Gonçalves, detido esta manhã no âmbito da operação 'e-toupeira'. 

Francisco J. Marques já reagiu
O diretor de comunicação do FC Porto, Francisco J. Marques, responsável pela divulgação dos emails do Benfica, já reagiu no Twitter à detenção de Paulo Gonçalves. 


"A revolução começou há uns meses. Sem medo, pela verdade", disse. 


Nuno Saraiva pede que se "faça justiça" e aponta a Vieira

O diretor de comunicação do Sporting também já reagiu oficialmente, relembrando que "há cinco anos" que o clube anda a "denunciar vouchers, emails, jogos para perder e outros compadrios no futebol português", que "envolvem sempre os mesmos". 

Para Nuno Saraiva, "as notícias de hoje são apenas isso, notícias", informações que, no entanto, não o deixam feliz "porque revelam a degradação que o futebol português atingiu". 

"Aquilo que importa, verdadeiramente, é que, havendo provas de tudo, este seja apenas o primeiro de vários passos concretos no sentido de que se faça justiça", pede, apontando o dedo à estrutura do Benfica, neste caso em concreto.

"Se for verdade que o assessor jurídico da SAD do Benfica corrompeu a justiça para ter acesso a informação privilegiada e monitorizar as investigações em curso, isto significa que não era apenas ele mas toda a sua estrutura que o estava a fazer, a coberto de uma ordem superior que, não é difícil de adivinhar, tem um nome: Luís Filipe Vieira", assegura o diretor de comunicação do clube adversário.

Para finalizar, deixa uma questão: "Se houve, alegadamente, disponibilidade para 'comprar' elementos da justiça com o objetivo de controlar as investigações, imagine-se o que, alegadamente, não estiveram dispostos a fazer para ganhar campeonatos?".

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