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Correio da Manhã

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Jorge Jesus acusa Bruno de Carvalho de mentir em tribunal

Treinador desmente ex-presidente do Sporting e acusa-o de ter alterado a hora do treino em Alcochete. Elogia Vieira por segurar Vitória.
Pedro Neves de Sousa 3 de Dezembro de 2018 às 01:30
Jorge Jesus
O treinador Jorge Jesus em entrevista ao CM
O treinador Jorge Jesus na Arábia Saudita
Jorge Jesus durante o ataque à Academia de Alcochete
Jorge Jesus
O treinador Jorge Jesus em entrevista ao CM
O treinador Jorge Jesus na Arábia Saudita
Jorge Jesus durante o ataque à Academia de Alcochete
Jorge Jesus
O treinador Jorge Jesus em entrevista ao CM
O treinador Jorge Jesus na Arábia Saudita
Jorge Jesus durante o ataque à Academia de Alcochete
Jorge Jesus, treinador do Al Hilal, recebeu o Correio da Manhã no Dubai, onde passou um dia de folga. O ex-técnico do Sporting fez novas revelações sobre o ataque à Academia de Alcochete.

Correio da Manhã – Quando foi interrogado em tribunal, Bruno de Carvalho acusou-o de ter sido o responsável pela alteração da hora do treino. Foi assim?
Jorge Jesus – Não, quem mudou foi ele. Agora não sei se foi com a intenção de alguma coisa. Só vou falar deste pormenor porque o resto está em segredo de justiça. Falo disto porque tenho testemunhas. A minha equipa técnica estava comigo na reunião em Alvalade [véspera do ataque a Alcochete] em que eu ia ser despedido ou suspenso. Estavam comigo Mário Monteiro, Márcio Sampaio, Raul José e Miguel Quaresma. Houve uma altura na conversa em que eu digo que o treino do dia seguinte era às 10 da manhã, mas o Bruno de Carvalho disse que não, porque não tinha tempo de fazer a minha nota de culpa junto dos advogados e, portanto, eu teria de alterar o treino de manhã para a tarde. Bruno de Carvalho disse que os advogados teriam de fazer a nota de culpa e se eu recebesse até ao meio-dia, então tratava-se de um inquérito e eu seria despedido. Caso contrário, eu continuaria a treinar. Não recebi a nota de culpa.

- Bruno de Carvalho mentiu então em tribunal?
- Sim, claramente. Bruno de Carvalho mentiu em tribunal, o treino foi alterado das dez da manhã para as quatro da tarde, porque ele disse que precisava de tempo para que fosse criada a nota de culpa para suspender a equipa técnica.

– Ficou admirado com a detenção de Bruno de Carvalho?
– Fiquei, não estava à espera. Agora todos vão ter de se justificar e defender. Vivemos num País democrático, com leis, às vezes, brandas demais.

– Defende penas severas para os arguidos neste caso?
– Dou um exemplo. O autocarro do Borussia Dortmund foi atacado com explosivos antes do jogo com o Mónaco para a Liga dos Campeões. Sabem qual foi a pena para o indivíduo que fez isso? 14 anos de prisão. Claro que é uma situação diferente da que se passou em Alcochete.

– Custou-lhe ver as novas imagens de Alcochete?
– Custou. Nunca tinha visto. Eu não tinha a noção do que se tinha passado naquele momento. Quando eu fui agredido... Qual foi o termo que ele [Bruno de Carvalho] utilizou, se nem sequer esteve lá?

– Ele disse que levou uma vergastada muito levezinha, pois não viu marcas...
– Claro que não fui agredido na cara com um cinto. Foi no corpo a agressão.

– Bruno de Carvalho tem razão?
– Nem estava lá, nem sabe o que se passou. Fui agredido outra vez e estava lá muita gente, incluindo jogadores que viram. O Petrovic viu e o William também viu essa agressão. Eu virei-me a alguns adeptos e disse que aquilo em Alcochete era uma traição ao Sporting. Logo a seguir levei um soco que me fez cair. Ele [Bruno de Carvalho] nem sequer lá estava.

– Sentiu-se indefeso naquele dia?
– Sim. Senti-me indefeso, mas fiz tudo para defender o Sporting e, principalmente, os meus jogadores. Eu não tive medo de nada. O meu ADN é assim, desde infância. Nem pensei se me iam dar com tacos de basebol, barras de aço e cintos. Foi um momento difícil. Eu e os meus jogadores ficámos chocados com aquilo que os nossos adeptos criaram. Nunca tive medo, mas fiquei surpreendido como é que eles tinham entrado com tanta facilidade na Academia de Alcochete.

– Desconfia de quem?
– Não posso desconfiar. Isso está em segredo de justiça. Eu vou ser ouvido quando chegar a Portugal. Os meus advogados já foram informados.

PERFIL
Jorge Fernando Pinheiro de Jesus nasceu no dia 24 de julho de 1954 (64 anos) na Amadora. Como jogador passou pelo Sporting. Iniciou a carreira de treinador no Amora em 1989/90. Tornou-se no treinador do Benfica com mais títulos (3 campeonatos, 5 Taças da Liga, uma Supertaça e uma Taça de Portugal). Trocou o Benfica pelo Sporting em 2015/16. Com os leões ganhou uma Supertaça e uma Taça da Liga. Está ao serviço do Al Hilal (Arábia Saudita).

FRASES
"Houve uma altura na conversa em que digo que o treino do dia seguinte era às 10 da manhã, mas o Bruno de Carvalho disse que não"

"Disse que aquilo em alcochete era uma traição ao sporting. Logo a seguir levei um soco"

"Senti-me indefeso mas fiz tudo para defender o sporting. Eu e os jogadores ficámos chocados"

"Não esperava outra coisa de vieira [em segurar vitória]. O Benfica precisa de paz e sossego"

"As pessoas na Arábia Saudita ensinaram-me que não vale tudo para ganhar"



"Vieira fez bem em segurar Rui Vitória"

O treinador do Al Hilal falou ainda do Benfica e do seu eventual regresso ao clube da Luz e a Portugal.

Correio da Manhã – Foi associado ao Benfica numa altura de contestação a Rui Vitória. Foi contactado?
Jorge Jesus – Não, não fui contactado. O Benfica tem um treinador e tem um presidente (Luís Filipe Vieira) que eu conheço melhor do que ninguém. Trabalhei com ele seis anos. Pensa pela sua cabeça. Quando todos não querem, ele quer.

– Face aos resultados e à contestação dos adeptos, Luís Filipe Vieira fez bem em segurar Vitória?
– Fez muito bem, mostrou que acredita e só assim o treinador sente que está protegido. Não esperava outra coisa do presidente do Benfica. O Benfica precisa de paz e sossego.

– Aconteceu consigo...
– Sim aconteceu, mas era um ano diferente. Nós perdemos nas decisões da final da Liga Europa, da Taça de Portugal e a 10 segundos da final do campeonato. Não foi em outubro ou dezembro.

– Se Luís Filipe Vieira lhe ligasse agora ia para o Benfica?
– Não. Estou num projeto em que quero ficar. Vou voltar a Portugal, não sei é quando, nem como, nem qual o clube. Importante é voltar para um clube que me quer, tenho de sentir que as pessoas me querem. Não me devem qualificar por ter mudado do Belenenses para o Sp. Braga ou do Benfica para o Sporting. Isso é uma injustiça. Qualifiquem-me se eu sou bom ou mau treinador.

"O meu regresso é inevitável"

A expressão "o bom filho à casa torna" usada por Jesus deixou no ar a ideia de um regresso à Luz. "O meu regresso a Portugal é inevitável. Só não sei se ao Benfica", disse. Questionado se o faria se tivesse uma superequipa à disposição, respondeu: "As superequipas são os treinadores e as estruturas que as fazem. Não quero falar mais do Benfica, que tem um bom treinador e um grande presidente. Agora o que é verdade é que os resultados são o limite".
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