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Correio da Manhã

Desporto
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Clima de guerra ameaça Europeu

Central sindical ameaça continuar protestos durante Euro 2016.
José Carlos Marques e Diogo Torres 29 de Maio de 2016 às 15:25
Manifestações violentas, rutura no abastecimento de combustíveis e centrais nucleares paralisadas são cenários que podem acontecer durante o Euro 2016
Manifestações violentas, rutura no abastecimento de combustíveis e centrais nucleares paralisadas são cenários que podem acontecer durante o Euro 2016 FOTO: Reuters
A ameaça da CGT (Confederação Geral dos Trabalhadores), a maior central sindical de França, deixa a UEFA e os organizadores do Euro 2016 em alerta: as greves e protestos que se repetiram nos últimos dias por toda a França poderão continuar durante o período em que decorre o Euro 2016.

Na quinta-feira, o governo decretou que seriam usadas as reservas de combustível do país – o que não acontecia em França há mais de seis anos – para fazer frente à escassez que se regista nos postos de abastecimento por causa dos bloqueios às refinarias. Os trabalhadores das centrais nucleares afetos à CGT fizeram greve, que teve como resultado cortes de energia elétrica em várias cidades. Um cenário que pode agravar-se nas próximas semanas.

Em causa está o projeto do governo de rever as leis laborais, que flexibiliza os despedimentos e reduz as garantias dos trabalhadores, por exemplo em relação aos horários de trabalho. Plano que o primeiro-ministro Manuel Valls defende sem admitir recuos. "A CGT não manda neste país", disse no parlamento. Ideia reforçada ontem pelo presidente François Hollande, à margem da cimeira do G7 no Japão: "Continuaremos no curso previsto porque esta é uma boa reforma e devemos ir até ao fim para aprovar a lei. Não é o tempo de pôr dificuldades à economia francesa."

Em resposta, a CGT promete continuar a luta. Na quinta-feira, houve manifestações por todo o país e, em Paris e Bordéus, houve confrontos de manifestantes com as autoridades, com várias detenções. A central sindical decretou que, a partir de 31 de maio, os trabalhadores entram numa "greve ilimitada" que poderá ser prolongada a cada dia. Aeroportos e transportes públicos são duas áreas que vão estar em protesto.

Com o Europeu a começar a 10 de junho, a paz social começa a ser uma miragem.

Segurança nos estádios com grande reforço
Ainda faltam cerca de duas semanas para o Euro 2016 (arranca a 10 de junho), mas, no Stade de France, o maior estádio da prova, já está montado um perímetro de segurança com dezenas de operacionais mobilizados para controlarem quem entra no recinto.

Mensavi Atayi, um francês com raízes no norte de África, é um dos 10 mil seguranças privados contratados para a competição. "Sou uma das pessoas que vão fazer a segurança neste estádio, principalmente a filtragem e controlo de objetos. O objetivo é que haja condições para que as pessoas possam assistir aos jogos sem problemas", explica ao Correio da Manhã.

O trabalho de Mensavi vai ser especialmente importante a 10 de junho, dia do jogo entre a França e a Roménia, que abre o torneio. O confronto acontece precisamente no Stade de France, que, em novembro do ano passado, foi um dos alvos dos atentados terroristas que mataram mais de 130 pessoas em França. Para garantir que tudo corra bem no evento desportivo, o perímetro de segurança vai ser alargado em todos os estádios do Euro 2016.
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