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Correio da Manhã

Desporto
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"Dou prioridade a Espanha": Jorge Jesus abre portas da Europa

Técnico português garante que um dia vai voltar ao campeonato português.
Mariana Águas 3 de Dezembro de 2019 às 01:30
“Dou prioridade a Espanha”: Jorge Jesus abre portas da Europa
“Dou prioridade a Espanha”: Jorge Jesus abre portas da Europa
“Dou prioridade a Espanha”: Jorge Jesus abre portas da Europa
“Dou prioridade a Espanha”: Jorge Jesus abre portas da Europa
“Dou prioridade a Espanha”: Jorge Jesus abre portas da Europa
“Dou prioridade a Espanha”: Jorge Jesus abre portas da Europa
“Dou prioridade a Espanha”: Jorge Jesus abre portas da Europa
“Dou prioridade a Espanha”: Jorge Jesus abre portas da Europa
“Dou prioridade a Espanha”: Jorge Jesus abre portas da Europa
No dia 10 de junho, dia de Portugal, na primeira vez em que falou como técnico do Flamengo disse: "O meu nome é Jorge Jesus e o meu testemunho vai ser o meu trabalho".

Foi tudo trabalho ou também talento?
Jorge Jesus – Nós temos ambições e temos projetos, mas nem sempre conseguimos estas conquistas. Aqui no Flamengo conseguimos tudo isto com o trabalho de muita gente. Este é um clube com uma estrutura muito bem organizada. Se sonhava com estes objetivos? Sonhava. Foi por isso que fui para o Brasil, fui à procura destes títulos. Cada vez mais tenho a consciência de que, para conquistar estes dois títulos, tens de ter muito talento e os teus jogadores têm de ter esse mesmo talento.

– Houve também inspiração e, parte dela, encontrou-a na canção ‘Melhor de mim’, da Mariza. Porque é que esta letra lhe diz tanto?
- Tem a ver com o momento que estava a atravessar no Flamengo. As nossas primeiras duas semanas não foram boas. Mas eu continuava a acreditar e a canção da Mariza falava em muitas coisas em que eu pensava. Inspirava-me um pouco, todos os dias, a ouvir essa música. Já é uma música que a minha equipa técnica e toda a estrutura que trabalha comigo põem a tocar no ginásio, quando lá estamos a treinar, porque eles também já gostam dessa letra. E é um estado de alma. Quando estava na Arábia Saudita tinha um estado de alma completamente diferente e também me agarrei à música, mas no sentido de me querer ir embora. Aqui foi ao contrário, foi a convicção no acreditar, sabendo que o melhor de mim estava para chegar… e chegou. Mas ainda falta um título, que é o mais difícil.

– Está a falar no Mundial de Clubes. O desfecho dessa competição vai ter alguma influência na decisão que vai tomar sobre o futuro?
- Não. Pode é ser o culminar de terminar a época com mais um título, tão importante como foi a Libertadores. Mas a minha decisão não vai ser tomada em função desse jogo. Até porque eu tenho contrato com o Flamengo até maio, apesar de haver alguma especulação em torno do meu futuro.

– O próximo sonho é uma grande conquista europeia?
- Sim, mas eu sei que isso só abrange 6 ou 7 equipas na Europa. Só essas é que te dão a possibilidade de ser campeão europeu.

– Há algum campeonato que o alicie mais?
- Sou mais fã de dois campeonatos, que não são os preferidos da maioria das pessoas. Sou mais fã dos campeonatos espanhol e italiano do que do inglês. Todos querem treinar em Inglaterra, mas, se der, prioridade é a Espanha. Talvez também pela língua, porque estou muito habituado a falar com jogadores que falam castelhano. Por isso, seria mais fácil para mim. Mas não quero fazer previsões, até porque estou muito feliz no Flamengo.

– No dia da festa, disse-nos que as portas de Portugal estavam praticamente fechadas. Estão mesmo ou estão entreabertas?
- Estarão sempre abertas. Não digo para acabar a carreira mas, seguramente, vou voltar ao campeonato português. Quando, não sei. Quando saí estava seguro de que, passado um ano, ia regressar. Agora não estou tão seguro, ponho mais obstáculos a essa hipótese. Mas não quer dizer que não possa acontecer. Tudo tem a ver com o que me podem oferecer a nível desportivo. Em Portugal, só há três equipas… Neste caso, agora só há duas. Se quiser pensar em ir mais além nas provas europeias, poucas equipas em Portugal dão essa possibilidade. Se for para lutar para ser campeão em Portugal, são três equipas. Se for para olhar para fora, só uma é que dá essa hipótese. Uma ou duas. E mesmo assim essas podem não dar.

– Segue atentamente o futebol português. Como alguém que levou o Benfica a duas finais europeias, consegue encontrar explicação para esta crise europeia que o clube atravessa?
- Em Portugal, estamos a perder poder competitivo. Os presidentes dos grandes clubes têm de pensar que, na Europa, se não conseguirem construir equipas fortes para disputar a Liga Europa e a Champions, vamos perder posições no ranking da UEFA. Qualquer dia podemos estar numa segunda divisão daquele que vai ser o futuro das competições europeias. As grandes equipas têm de olhar para isso e têm de investir.

– Estava preparado para tudo o que encontrou no Brasil ou foi surpreendido?
- Fui surpreendido pela qualidade do campeonato brasileiro, pela paixão e pelo entusiasmo que existe. Não há igual em parte nenhuma do Mundo. A paixão e entusiasmo com que disputam os jogos aqui não há em mais lado nenhum.

– Fora de campo gerou algum incómodo em alguns treinadores brasileiros. Em reação, referiu-se a Luís de Camões para falar de inveja. Porquê?
- Não é que leia ‘Os Lusíadas’ todos os dias, mas identifico-me muito com a nossa história. Tenho orgulho em ser português e, sempre que puder citar algo português, fora do nosso País, vou fazê-lo.

– Entre os flamenguistas tornou-se num autêntico fenómeno. Alguma vez se tinha sentido tão acarinhado por adeptos? Até querem fazer uma estátua sua…
- Não, nunca fui acarinhado como tenho sido aqui no Flamengo. Não há comparação possível. Eles também são muitos, o país tem 220 milhões de pessoas e 40 milhões são adeptos do Flamengo. Mas os brasileiros são diferentes de nós, são mais carinhosos. Hoje percebo-os melhor e percebo melhor aquelas canções brasileiras de amor que ouvia em Portugal.

– Tem saudades de Portugal?
- Claro que tenho. Tenho saudades das minhas coisas, das coisas que o futebol me deu a possibilidade de ter. Tenho saudades dos meus amigos, das minhas rotinas diárias, dos meus familiares. Quando falo em familiares não são a minha mulher e os meus filhos, porque esses, de vez em quando, vêm cá. Tive um percurso em que não me passava pela cabeça sair de Portugal. Mas em boa hora saí.

– Como diz a canção da Mariza, o melhor de Jorge Jesus ainda está para vir?
- Quero culminar com o terceiro título, no Qatar, sabendo que é dos três o mais difícil. Nas meias-finais, tenho a convicção de que vou encontrar o Al-Hilal, porque vai jogar com o Espérance de Tunis e estou convencido que vai ganhar. Curiosamente fui eu e a minha equipa técnica que montámos aquela equipa, antes de sairmos.

FRASES
‘‘Não digo para acabar a carreira mas, seguramente, vou voltar ao campeonato português. Quando, não sei."
"Se quiser pensar em ir mais além nas provas europeias, poucas equipas em Portugal dão essa possibilidade. Se for para lutar para ser campeão em Portugal, são três equipas."
"Fui surpreendido pela qualidade do campeonato brasileiro, pela paixão e pelo entusiasmo que existe. Não há igual em parte nenhuma do Mundo."
"Qualquer dia, podemos estar numa segunda divisão daquele que vai ser o futuro das competições europeias. As grandes equipas têm de olhar para isso e têm de investir."

PERFIL
Jorge Fernando Pinheiro de Jesus, nasceu a 24 de julho de 1954 (65 anos) na Amadora. Começou como jogador no Estrela da Amadora, em 1970/71, mas foi como treinador que se afirmou no mundo do futebol. Em 1989/90 estreou-se a treinar no Amora, clube onde esteve até 1992/93.

Daí seguiu para o Felgueiras, onde esteve por cinco épocas. Treinou também o U. Madeira, Estrela da Amadora, U. Leiria, V. Setúbal, V. Guimarães, Sp. Braga, Moreirense e Belenenses. Foi então que, em 2009/10, chegou a um dos três grandes: o Benfica. Esteve seis épocas na Luz, período durante o qual conquistou 3 campeonatos, 5 Taças da Liga, 1 Taça de Portugal e 1 Supertaça. Depois, em 2015/16, seguiu para o rival Sporting, clube que treinou até 2017/18 e pelo qual conquistou a Taça da Liga (1) e a Supertaça (1).

Com um percurso invejável em Portugal, rumou à Arábia Saudita em 2018/19, para treinar o Al-Hilal, onde venceu a Supertaça do país. Atualmente, está no Flamengo e já fez história ao conquistar o Brasileirão e a Taça Libertadores. Jorge Jesus tem ainda uma Taça Intertoto pelo Sp. Braga, em 2008, e um título da II Divisão pelo Amora (1991/92).
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