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Correio da Manhã

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Dragão resolve problemas à cabeçada e regressa às vitórias no campeonato

Mbemba e Taremi deram a volta nas alturas a centros de um inspirado e transpirado Sérgio Oliveira - fez 11 km e assinou o 3-1.
Sérgio Pereira Cardoso 9 de Novembro de 2020 às 01:30
Jogo aéreo de Taremi foi fundamental na vitória.Iraniano estreou-se a marcar pelos dragões
Jogo aéreo de Taremi foi fundamental na vitória.Iraniano estreou-se a marcar pelos dragões FOTO: Movephoto
A viver na Liga uma espécie de stress pós-traumático, o FC Porto voltou a assustar-se este domingo, mas deu a volta por cima, regressando às vitórias com dois golos de cabeça de Mbemba e de Mehdi Taremi, ambos a cruzamentos de um fantástico Sérgio Oliveira, que ainda assinou o 3-1 final.

É quase um problema digno de divã. Sem a música da Champions como inspiração, os dragões entram sonolentos nos jogos, o que torna a missão mais simples a equipas como o Portimonense, confortáveis num muro desenhado em 5x4x1.

É que não mexer na equipa que ganhou ao Marselha esteve longe de significar sucesso. Uribe tem uma perda displicente de bola e o lance termina no golo algarvio, com Beto a responder de cabeça ao cruzamento de Moufi. Sérgio Conceição, na bancada, mostrava a tal má cara de que falou na antevisão.

Estávamos no minuto 14 e aos 17’ já havia suplentes portistas no aquecimento, o que se tem tornado um hábito neste início de temporada. O sacrificado foi Uribe, para a entrada de Mehdi Taremi, pouco depois da meia-hora. Sérgio Oliveira já se ia destacando pelas bolas paradas e até esteve perto de marcar aos 39’, num disparo de longe. Seria, no entanto, num canto do ontem capitão do FC Porto que o empate chegaria, com cabeçada certeira de Mbemba, mesmo em cima do intervalo.

Ansiolítico importante para um FC Porto aos tremeliques. E a receita seria a mesma logo depois do descanso. O Portimonense ficou parado num lançamento dos dragões e, mais uma vez, dos pés de Sérgio Oliveira saiu um cruzamento teleguiado. Mehdi Taremi, eficaz, fez o primeiro golo com a nova camisola. Bela finalização do iraniano, que tem, pouco depois, queixas da arbitragem num penálti que fica por assinalar.

Com a reviravolta no marcador, poderia pensar-se que estavam reunidas as condições para a tranquilidade, mas o cenário foi bem diferente. O Portimonense - que entrou em campo como último classificado - chegou a empurrar o FC Porto para o último terço. Se é verdade que Taremi (71’) e Sérgio (78’, na melhor jogada do encontro) tiveram claras oportunidades, Dener (82’) ameaçou estragar a noite portista. Só que Oliveira estava em todo o lado e, depois de duas assistência, fez o 3-1, fechou o jogo e levou as chaves para casa. De longe, o melhor no regresso azul-e-branco às vitórias na Liga.

Análise do jogo
Positivo: Chá de Oliveira é anti-stress
Na ausência forçada de Pepe, Sérgio Oliveira foi capitão e honrou a braçadeira. Tornou-se quase omnipresente pelos 10,8 quilómetros que correu e virou o jogo com duas assistências e um golo. Nota para a estreia a marcar do reforço Mehdi Taremi.

Negativo: Péssimas entradas
Não foi culpa dos comentadores, dos cronistas, dos paineleiros, do relvado, do árbitro, da chuva ou do azar. As más entradas do FC Porto em campo na Liga têm-se tornado sistemáticas e é um problema de culpa própria que Sérgio tem de resolver.  

Arbitragem: Penálti por assinalar
Empurrão de Moufi sobre Mehdi Taremi é ostensivo e motivo para penálti, apesar de o iraniano estar a recuar na procura da bola. Algarvios sem razão nos protestos pelo 1-1 ter sido para lá dos descontos - o canto é conquistado bem antes.

Análise dos jogadores
Sérgio Oliveira - ‘Jogas tanto, Oliveira’ é o slogan do médio que ontem fez bem por merecê-lo. Duas assistências e um golo a espantar os sustos provocados pelos algarvios. Está em grande forma.
Marchesín – Sem hipóteses no golo, não teve muito mais trabalho. Bem a sair da baliza.
Manafá – Esteve desastrado com a bola nos pés e deu abébias que iam custando caro.
Mbemba – Não sai incólume do 0-1, mas é importantíssimo na reação, com o 1-1 mesmo ao cair do intervalo.
Sarr – Ultrapassado em duelos físicos e na velocidade. Precisa de algum descanso.
Zaidu– Aqui é o contrário. Corre dois jogos. Só que é um dos culpados no golo adversário e tanto fez centros disparatados como fabulosos (71’).
Uribe – A passadeira que estendeu no golo condenou-o à saída precoce, mesmo após ter estado perto de marcar.
Corona – Esteve desligado na primeira parte. Ajudou na defesa e dá assistência no 3-1.
Otávio – Remate aos 11’ e pouco mais até ao intervalo. Fez da luta a principal arma.
Luis Díaz – Ia sendo o melhor na pior fase - bom tiro aos 27’. Caiu até ser substituído.
Marega – Longe da baliza, melhorou com Taremi. Passe à Iniesta aos 78’.
Taremi – Mehdi Taremi. Entrou, marcou, correu como um desalmado e esteve perto de bisar. Merece a aposta.
Grujic – Tampão para o fim.
João Mário – Ia marcando nos poucos minutos que teve.
Nakajima – Pouco tempo
Romário Baró – Idem.

"Morder os calcanhares aos da frente"
Vítor Bruno, adjunto de Sérgio Conceição (técnico esteve na bancada devido a castigo), destacou a "conquista dos três pontos" e a reação da equipa após a derrota com o P. Ferreira.

"É uma vitória que nos permite manter na luta pelo título e morder os calcanhares aos da frente", disse, acrescentando: "Podíamos ter feito mais golos".

Sobre a pausa na Liga para as seleções, considerou que "não é benéfica" para o FC Porto, porque "não há tempo para trabalhar".

Sérgio Oliveira: "Triste pela primeira parte"
"Estou feliz pela vitória, mas triste pela primeira parte. Não entrámos ligados no jogo". Foi desta forma que Sérgio Oliveira abordou a partida, acrescentando: "Fizemos uma boa segunda parte. Contem connosco na luta pelo título".
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