Barra Cofina

Correio da Manhã

Desporto
3

Erros traem sonho do Dragão na Liga dos Campeões

Conceição tentou aplicar em Sevilha a fórmula de sucesso da ronda anterior, em Turim, frente à Juventus.
Mário Pereira 8 de Abril de 2021 às 08:52
Otávio tenta passar pelo defesa espanhol César Azpilicueta, durante o jogo, em Sevilha
Otávio tenta passar pelo defesa espanhol César Azpilicueta, durante o jogo, em Sevilha FOTO: Jose Gageiro/movephoto

Dois erros defensivos, implacavelmente aproveitados pela equipa do Chelsea, praticamente deitam por terra o sonho do FC Porto de seguir em frente na Liga dos Campeões. Com uma desvantagem de 0-2, no jogo da primeira mão dos quartos de final, os dragões têm agora uma montanha gigantesca para escalar no segundo encontro. Que, tal como este, tem a cidade de Sevilha como palco. O cenário fica ainda mais cinzento pelo facto de o ‘match’ desta quarta-feira ter sido, oficiosamente, em casa do FC Porto. Na questão dos golos marcados fora, faz toda a diferença.

O resultado foi injusto. A equipa portuguesa, pelo que fez durante os 90 minutos, não merecia este resultado. Mas foi atraiçoada por duas falhas na defesa: Zaidu na primeira parte e Corona na segunda metade falharam com estrondo em lances de fácil resolução. E quem falha assim dificilmente tem perdão. Tudo o resto acaba por perder sentido.

Na estratégia alinhada para este jogo, Sérgio Conceição clonou o modelo aplicado com grande sucesso na ronda anterior, frente à Juventus, em Turim. Uma fórmula que garante coesão defensiva – a linha de retaguarda chega a ter seis unidades - e exige elasticidade com a bola nos pés. A jogadores como Corona, Otávio e até Luis Díaz era pedido um esforço extra em tarefas de desdobramento. O FC Porto demorou dez minutos a adaptar-se ao andamento do jogo e a partir desse momento soltou-se. Teve mais bola, obrigou o Chelsea a recuar e construiu boas jogadas, algumas delas dignas de conduzir a situações de finalização privilegiada. Mesmo sem Sérgio Oliveira e sem Taremi, o coletivo foi solidário e engenhoso.

Para coroar o ascendente portista, faltava o golo. Que poderia ter acontecido. Mas quem marcou foi o Chelsea, por Mount, aos 32 minutos, no aproveitamento de um erro de Zaidu, que falhou o corte na linha defensiva.

O FC Porto não se entregou e foi de novo à luta. Na segunda parte cresceu e criou situações de finalização para chegar ao empate. Marega falhou na cara do golo e pouco depois Luis Díaz atirou a rasar o poste. O Chelsea manteve-se de pé e aos 84’ deu um primeiro aviso antes do golpe fatal, que chegou sob a forma de novo erro, agora com Corona como protagonista. Chilwell disse obrigado e as ‘meias’ são agora uma ilusão.

Análise ao jogo
Posititvo: Personalidade esteve lá
O FC Porto voltou a mostrar andamento para a alta roda do futebol europeu. A equipa revela personalidade e evidencia grande caráter. Sofreu dois golos e não marcou nenhum, é certo. Mas a história deste jogo foi tudo menos uma coisa lógica.

Negativo: Erros meus, má fortuna
Falhar redondamente, a este nível, é pecado mortal. O Chelsea raramente foi superior ao FC Porto neste jogo. Mas aproveitou de forma superior os erros de Zaidu e Corona. Quando assim acontece, o insucesso está sempre à espreita.

Arbitragem: Contacto fora da área
O lance polémico aconteceu aos 72’. Azpilicueta empurra Marega à entrada da área do Chelsea. Fora? Dentro? O primeiro contacto é fora. O ridículo é o árbitro nada ter assinalado. O FC Porto reclamou ainda outro penálti, sobre Luis Díaz, sem razão.

Há penalti sobre Marega
"Há penálti sobre o Marega. O Azpilicueta fez 5 faltas e não viu amarelo. Somos a única equipa que não pertence às Big 5 [maiores campeonatos]", disse Sérgio Conceição, para explicar o gesto que fez ao árbitro, de que tinha inclinado o campo a favor dos ingleses. Para o treinador portista, o resultado é "extremamente injusto", mas diz que nada está perdido e "acredita" na reviravolta, pois a eliminatória ainda "está no intervalo".

Análise aos jogadores
Otávio - Desequilibrador e um quebra-cabeças para os adversários. Irrequieto, jogou e fez jogar a equipa portista, dando muito trabalho aos jogadores da formação inglesa para o travarem.
Marchesín – Sem trabalho. Bem a jogar com os pés. Sem culpa nos golos. Ainda viu uma bola bater no ferro.
Manafá – Não subiu muito mas fez alguns cruzamentos. o Mbemba – Bem no jogo aéreo e a limpar tudo.
Pepe – Forte a defender e muito perigoso no ataque, em que teve dois cabeceamentos a visar a baliza.
Zaidu – Foi o elo mais fraco da defesa. Foi ‘enganado’ por Mount no golo e ainda deve estar com dores nos rins.
Grujic – Incansável no meio-campo. Tem um cabeceamento à figura de Mendy.
Uribe – Trabalhador e criativo no miolo portista. Quando surgiu em posição de finalização rematou sem medo. Valeu o guarda-redes Mendy.
Corona – Esteve irrequieto e muito ativo. Acabou por comprometer a eliminatória ao perder uma bola para Ben Chilwell, que fez o 2º golo.
Luis Díaz – Ficou a pedir penálti (54’), mas destacou-se com uma bomba rente ao poste, já com Mendy batido.
Marega – Apareceu na segunda parte, com remates perigosos. Queixou-se de um empurrão de Azpilicueta.
Francisco Conceição – Sem bola e sem perigo.
Fábio Silva – Ainda cruzou.
Toni Martínez – Sem tempo.

Ver comentários