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Ex-vice aperta Rui Costa sobre entrada de americanos na SAD do Benfica

Fernando Tavares quer saber motivos para “ausência de iniciativa” de comprar ações que eram do 'Rei dos Frangos'.

03 de maio de 2026 às 16:37

A entrada na SAD do Benfica de mais um fundo norte-americano, que se junta a outro já com 5,24% das ações, para um total de 21,62%, está a agitar o universo benfiquista. O tema deverá ser levantado nas próximas assembleias-gerais, previstas para o mês de junho, mas já tem motivado posições públicas de ex-candidatos ou sócios notáveis.

Fernando Tavares, ex-vice nas direções de Luís Filipe Vieira e Rui Costa, depois de se ter manifestado nas redes sociais, escreveu mesmo uma carta ao presidente da Mesa da Assembleia-geral a pedir esclarecimentos e que seja “disponibilizada aos sócios a ata, ou atas, das reuniões da Direção em que tenha sido discutido o posicionamento estratégico do Clube”. No documento - que o CM transcreve na íntegra mais abaixo -, Tavares destaca que “estamos perante a potencial transmissão do maior bloco privado de ações” da SAD, com “impacto direto na estrutura acionista e no equilíbrio de poder no seio da sociedade”.

O antigo dirigente quer saber “quais as razões que determinaram a ausência de iniciativa por parte do Benfica” para comprar as ações de José António dos Santos, num negócio “estimado em cerca de 45 milhões de euros, quando tal permitiria elevar a posição do clube para aproximadamente 80% do capital social”. Até porque a 1 de outubro de 2025 foi aprovado em AG “um programa de recompra de ações próprias até ao limite de 10% do capital”, mediante o investimento “estimado entre 15 milhões 18 milhões”.

Leia a carta na íntegra:

"Exmo. Senhor Presidente da Mesa da Assembleia Geral

do Sport Lisboa e Benfica, Dr. José Pereira da Costa

Na qualidade de sócio do Sport Lisboa e Benfica, e com o mais elevado respeito institucional pelos Órgãos Sociais do Clube e pelos seus associados, venho, por este meio, requerer a V. Exa. que sejam prestados esclarecimentos formais, completos e devidamente documentados aos sócios relativamente ao processo de alienação de 3.767.400 ações da Sport Lisboa e Benfica – Futebol, SAD, detidas pelo Senhor José António dos Santos e pelo Grupo Valouro.

Em particular, considero essencial que seja disponibilizada aos sócios a ata, ou atas, das reuniões da Direção em que tenha sido discutido o posicionamento estratégico do Clube face a esta operação, incluindo quaisquer deliberações, análises ou pareceres produzidos pelos órgãos competentes do Sport Lisboa e Benfica.

Estamos perante a potencial transmissão do maior bloco privado de ações da Sport Lisboa e Benfica – Futebol, SAD para a sociedade Entrepreneur Equity Partners SPV V, operação com impacto direto na estrutura acionista e, consequentemente, no equilíbrio de poder no seio da sociedade. Trata-se, portanto, de matéria de inequívoca relevância estratégica para o Clube e para todos os seus associados. Adicionalmente, solicita-se que seja prestada informação clara sobre se o Sport Lisboa e Benfica tem conhecimento de qualquer relação direta ou indireta entre o referido adquirente e outros acionistas relevantes, designadamente a Lenore Sports Partners, que possa consubstanciar a formação de um bloco de voto ou de influência, suscetível de colidir com as disposições estatutárias aplicáveis, nomeadamente com o disposto no artigo 6.º, n.º 2 dos Estatutos do Sport Lisboa e Benfica, que impede a existência de acordos, de natureza parassocial ou outra, que limitem a capacidade do Clube de manter o controlo societário e exercer a liderança da gestão das sociedades desportivas.

Neste contexto, afigura-se indispensável esclarecer, de forma objetiva e transparente:

1. Quais as razões que determinaram a ausência de iniciativa por parte do Sport Lisboa e Benfica no sentido de adquirir a referida participação, estimada em cerca de €45 milhões, quando tal permitiria elevar a posição do Clube para aproximadamente 80% do capital social da Sport Lisboa e Benfica – Futebol, SAD, reforçando de forma inequívoca o seu controlo estratégico;

2. De que forma se compatibiliza essa decisão com a aprovação, em 1 de outubro de 2025, de um programa de recompra de ações próprias até ao limite de 10% do capital, o qual implicava já um compromisso financeiro estimado entre €15 milhões e €18 milhões, e por que motivo esse programa não foi ajustado ou expandido, total ou parcialmente, de forma a permitir a aquisição do referido bloco acionista estratégico, concentrando o esforço financeiro numa operação com impacto estrutural no controlo da sociedade;

3. Se foi devidamente ponderada, em termos económicos e estratégicos, a possibilidade de direcionar o esforço financeiro associado ao programa de recompra, já aprovado, para a aquisição de um bloco acionista estruturante, em detrimento de aquisições dispersas em mercado, maximizando assim o impacto desse investimento ao nível do reforço do controlo e da estabilidade acionista da sociedade;

4. Se, atendendo à atual situação económico-financeira, designadamente ao resultado líquido positivo de €34 milhões apresentado pela Sport Lisboa e Benfica – Futebol, SAD no exercício de 2024/2025, aprovado em Assembleia Geral, bem como à referência expressa da gestão à existência de eventuais excessos de liquidez, não existiam condições para, de forma prudente e responsável, suportar um investimento desta natureza, com impacto direto no reforço do controlo, estabilidade acionista e alinhamento estratégico de longo prazo da sociedade.

Os sócios do Sport Lisboa e Benfica têm o direito de compreender, de forma clara e fundamentada, as decisões que influenciam o futuro do Clube, sobretudo quando está em causa uma oportunidade relevante de reforço da sua posição acionista numa sociedade que assume carácter central na sua atividade desportiva e económica.

A transparência, o rigor e o respeito institucional pelos associados exigem que matérias desta natureza sejam objeto de plena clarificação.

Nestes termos, requer-se a V. Exa. que promova a disponibilização da referida documentação e dos esclarecimentos solicitados, assegurando que os sócios possam formar uma opinião informada sobre decisão de manifesta relevância estratégica.

Com a mais elevada consideração,

Fernando Tavares

Sócio número 5690 do Sport Lisboa e Benfica

30 de abril 2026"

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