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Correio da Manhã

Desporto
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"Ameaçaram-me, levei socos e pontapés": Bataglia descreve terror vivido na Academia

Jogador recorda momentos de terror vividos no dia 15 de maio de 2018, na Academia de Alcochete.
Sofia Garcia e Tânia Laranjo 17 de Dezembro de 2019 às 11:44
Battaglia
Acuña
'Façam o que quiserem': Antigo chefe de segurança lembra declaração de Bruno de Carvalho na reunião com claques
'Façam o que quiserem': Antigo chefe de segurança lembra declaração de Bruno de Carvalho na reunião com claques
Battaglia
Acuña
'Façam o que quiserem': Antigo chefe de segurança lembra declaração de Bruno de Carvalho na reunião com claques
'Façam o que quiserem': Antigo chefe de segurança lembra declaração de Bruno de Carvalho na reunião com claques
Battaglia
Acuña
'Façam o que quiserem': Antigo chefe de segurança lembra declaração de Bruno de Carvalho na reunião com claques
'Façam o que quiserem': Antigo chefe de segurança lembra declaração de Bruno de Carvalho na reunião com claques

Decorreu esta terça-feira a 14.ª sessão do julgamento do ataque à Academia de Alcochete, no Tribunal de Monsanto.

Durante o dia foram ouvidos os jogadores do Sporting, Marcos Acuña e Rodrigo Battaglia através de videoconferência.Nas duas audiências, os atletas reforçaram o medo que têm sobre a possibilidade de novos ataques.

Acuña revelou que "durante algum tempo andava a olhar para trás para ver se vinha alguém e trancava a casa toda. "A minha mulher estava com os meus filhos e a minha primeira reação foi proteger a minha família, dizer para trancar a casa e ligar o alarme. Senti medo, mais pela minha mulher e filhos" e acrescenta "Isto continua a acontecer. Penso que pode acontecer tudo. Em cada jogo que não vencemos penso que isto pode voltar a acontecer".

Rodrigo Battaglia, jogador do Sporting presente na Academia aquando da invasão, recordou também os momentos de terror vividos: "Eu estava no meu lugar sentado, quando entraram. Levantei-me quando os vi e fui para junto da maca. Ameaçaram-me 'vamos matar-te', levei socos e pontapés. Um soco na cara, no peito, nos braços", contou. "Atiraram de um garrafão de água de 25 litros que me acertou no peito. O Acuña foi atingido na cara e com pontapés nas pernas. Eram cinco ou seis a dirigirem-se a ele", recorda.

"Fiquei com medo desde essa altura. Sempre que perdemos um jogo penso que possa acontecer. Depois daquilo liguei à minha namorada para que não saísse de casa. Se no nosso local de trabalho aquilo aconteceu não sei como poderia ser na rua", concluiu.

Na parte da manhã foi ouvido Vasco Santos, antigo chefe da segurança para a realização dos eventos do Sporting Clube de Portugal, principalmente dos jogos de futebol do clube realizados em casa.

Vasco Santos referiu que esteve presente numa reunião em abril de 2018 na 'casinha', a sede da claque da Juventude Leonina', onde estiveram também presentes Bruno de Carvalho, André Geraldes, Jacinto e Mustafá. O propósito da reunião com os adeptos das claques "era pedir desculpa à Juve Leo pelo post escrito no Facebook, por ter proferido palavras contra os jogadores porque tinha inflamado os ânimos". Os membros das claques presentes da reunião sugeriram "que se deslocassem a Alcochete para falar com os jogadores, outros sugeriam escrever tarjas para os jogos para mandá-los jogar mais. Depois Bruno de Carvalho ouviu as várias ideias e concluiu "tudo bem, façam o que quiserem e depois informem-me", recorda Vasco Santos.

Sobre a invasão à Academia de Alcochete, a 15 de maio de 2018, Vasco Santos afirmou que não teve conhecimento do episódio e que "na hora da ocorrência estava no comando metropolitano da PSP em Lisboa". "Tentei falar com Gonçalves que não atendeu o telefone. E falei com o Bruno de Carvalho por telefone que me informou que estava no carro a ir para Alcochete para ver o que se estava a passar", sublinhou. O antigo chefe da segurança do SCP referiu em tribunal que "houve uma ausência de comunicação". 

Após a audição de Santos, Jorge Correia, Jojo, como também é conhecido, disse que era ele quem tinha a chave e tomava conta da 'casinha' (nome pelo qual é conhecida a sede da Juventude Leonina).
Rocha Quintal, advogado do líder da claque Juventude Leonina, questionou diretamente Jorge Correia se a droga encontrada na arrecadação da sede no dia das buscas (a última realizada a 11 de novembro de 2018) pertencia ao seu constituinte.
"Não posso acusar o senhor Nuno Mendes nem ninguém, pois não sei de quem é. Com tanta gente ali dentro", respondeu a testemunha.

A audiência a Rodrigo Battaglia prosseguena próxima quinta-feira, da parte da tarde, dia em que será também ouvido o jogador leonino, Sebastián Coates.

Acompanhe ao minuto: 

18h45 -
Termina a sessão no Tribunal de Monsanto. Audiência a Rodrigo Battaglia continua na próxima quinta-feira, da parte da tarde, dia em que será também ouvido o jogador leonino, Sebastián Coates.

18h30 -
"Na reunião de 14 de maio, Bruno de Carvalho disse que depois do aeroporto os adeptos passaram a noite a lugar lhe a pedir a morada do Acuña", confessa Battaglia, que acrescenta que o antigo presidente do Sporting "criticou o comportamento de Acuña no aeroporto". "Bruno de Carvalho propôs uma reunião com adeptos e Acuña aceitou e perguntou se estariam com ele acontecesse o que acontecesse", prossegue o jogador, mas não ficou marcada nenhuma data.
Durante o encontro de 14 de maio, "Bruno de Carvalho teve confrontos com William [Carvalho] e [Rui] Patrício", numa "reunião muito nervosa", descreve Battaglia. Tanto o Rui como William defenderam os jogadores e o presidente acusou-os de não defenderem o SCP".

18h20 -
Sobre o jogo na Madeira e os insultos dos adeptos, o jogador confirma que "no final do jogo estavam muitos adeptos à nossa espera a dizer que queriam falar connosco. Falei com eles para os tranquilizar. A saída dos estádio e junto ao autocarro". 
Já no aeroporto, os adeptos queriam em particular "O Acuña. Quatro ou cinco pessoas estavam a insultar-nos e tentei tranquilizá-los, dizendo que somos humanos e que também erramos".
Battaglia confirma também que Fernando Mendes estava presente no aeroporto e que chamou por Acuña - "Ele [Fernando Mendes] chamava pelo Acuña? Sim", respondeu.

18h11 -
Testemunha afirma que nunca viu adeptos na Academia desde a sua entrada no clube - Rodrigo Battagia é jogador do SCP desde junho de 2017.
Relativamente à presença de Bruno de Carvalho em Alcochete no dia dos ataques, o jogador recorda que viu o antigo presidente dos leões no local, "uma ou duas horas depois [da invasão]. Só foi saber o que se passou, não foi falar com os jogadores". Battaglia confirma que Geraldes chegou juntamente com Bruno de Carvalho.

18h10 -
Battaglia partilha igualmente do sentimento de medo após a invasão a Alcochete - "Fiquei com medo desde essa altura. Sempre que perdemos um jogo penso que possa acontecer. Depois daquilo liguei à minha namorada para que não saísse de casa. Se no nosso local de trabalho aquilo aconteceu não sei como poderia ser na rua".

18h06 -
"Atiravam coisas, houve gritos, ameaçavam nos. Vi pessoas paradas ao pé da porta", relembra.
Tal como na audiência de Marcos Acuña, Battaglia recorda a mensagem deixada pelos adeptos após as agressões - "Não ganhem no domingo e já vão ver". O jogador leonino afirma não viu o rosto de nenhum dos indivíduos. 

17h55 -
Segundo o testemunho do jogador, golpearam o Acuña, o William [Carvalho] e depois Battaglia. "Rui Patrício também levou socos. [Agressões] eram dirigidas a todos em geral, mas com mais agressividade a estes em particular".
Battaglia descreve o momento em que foi agredido - "Eu estava no meu lugar sentado, quando entraram. Levantei-me quando os vi e fui para junto da maca. Ameaçaram-me 'vamos matar-te', levei socos e pontapés. Um soco na cara, no peito, nos braços".
"Atiraram de um garrafão de água de 25 litros que me acertou no peito. O Acuña foi atingido na cara e com pontapés nas pernas. Eram cinco ou seis a dirigirem-se a ele", recorda o jogador que acrescenta que Rui Patrício e William Carvalho "tentaram parar com aquilo". "William tentou parar tudo, mas também foi atingido por trás e pela frente, com socos. O Montero levou um soco na cara", conclui. 

17h50 -
"O roupeiro tentou fechar a porta. O Ricardo e o Vasco Fernandes (seguranças) tentaram contê-los mas eles tiveram força e abriram a porta. Havia muito ruído", começa por descrever o jogador. 30 a 40 pessoas entraram [no balneário] e tinham todos o rosto tapado. Começaram a chamar o meu nome, do Acuña, do William e Rui Patrício. Entraram de forma gradual, dois a dois, porque a porta não permite mais", começa por descrever Rodrigo Battaglia. "Filho da p***, não merecem a camisola do Sporting" - foram algumas das palavras ouvidas pelo jogador. 

17h37 - Battaglia começa por dizer que estava na Academia no dia do ataque - "Estava no ginásio a fazer uma sessão. Quando acabámos íamos ao balneário, quando ouvimos gritos vindos do mesmo". "Queriam forçar a porta para entrar", recorda o jogador leonino, que não conhece nenhum dos arguidos do processo, à exceção de Bruno de Carvalho.

17h35 -
Termina audiência a Marcos Acuña. Rodrigo Battaglia é ouvido de seguida, também por videoconferência.

17h31 -
Advogado pergunta ao jogador se viu Ricardo (segurança) no balneário no momento da invasão à Academia. Acuña diz que se lembra de ter visto alguém da segurança, mas não se recorda quem. 

17h26 -
Acuña revela que Bas Dost sangrava e que foi assistido na sala de médicos.

17h15 -
Quando confrontado sobre se foi o medo que sentiu na altura que fez com que rescindisse o contrato com o SCP, Acuña revela que ainda hoje tem receio - "Ainda hoje tenho medo e nunca rescindi com o SCP. Em nenhum momento tentei rescindir".

17h12 -
Acuña responde que não quando Miguel Matias, advogado do arguido Afonso Ferreira, lhe pergunta se ouviu alguma expressão "ninguém pode sair" no balneário, no dia do ataque.

17h04 -
A advogada Sandra Martins pergunta à testemunha se "Chamou "hijo de p***" a alguém, na Madeira?". "Não chamei isso a ninguém", riposta o jogador.
Sobre as agressões a Battaglia, Acuña recorda que o jogador estava na maca de massagens, em pé, "e ao lado estava o fisioterapeuta Ludovico". 

17h00 -
"A minha mulher estava com os meus filhos e a minha primeira reação foi proteger a minha família, dizer para trancar a casa e ligar o alarme. Senti medo, mais pela minha mulher e filhos. Durante algum tempo andava a olhar para trás para ver se vinha alguém e trancava a casa toda", confessa o jogador. Acuña revela, no entanto, que a situação continua a acontecer - "Isto continua a acontecer. Penso que pode acontecer tudo. Em cada jogo que não vencemos penso que isto pode voltar a acontecer".

16h53 -
"A frase "falamos na academia" ouviu só no vídeo depois ou ouviu no aeroporto, pessoalmente?", pergunta o advogado. "A frase do ouvi na TV e os meus companheiros contaram me", reforça o jogador.

16h48 -
O advogado do Sporting, Miguel Coutinho, questiona agora o jogador sobre se ia ser feito alguma coisa sobre o que se tinha passado com os adeptos após o jogo na Madeira? "Ninguém me disse que isso ia ser feito", responde Acuña.

16h41 -
"Eu levei um estalo na cara e depois tapei o rosto e levei os golpes no resto do corpo". Acuña recorda novamente a agressão. 

16h32 -
Acuña revela que esteve na reunião de 7 Abril de 2018 e que recorda os posts no fcebbok - "Fiquei em choque, não reagi".

16h28 -
Apesar o episódio no aeroporto, o jogador não estava convencido de que alguém fosse à sua procura - "Não estava convencido de que alguma coisa acontecesse. O treino ficou marcado para a tarde [de dia 15 de maio] e só dei conta [do que aconteceu] quando [os adeptos] estavam lá dentro".

16h20 -
Acuña confirma que esteve presente na reunião com o presidente do SCP e alguns diretores, a 14 de Maio (um dia antes do ataque), onde foi abordado sobre o que se tinha passado no jogo da Madeira.
"Recordo me do William, do Rui Patrício em discussão com o presidente. O presidente disse que os adeptos lhe perguntaram se sabia onde ele eu [Acuña] vivia". Perante o discurso de Bruno de Carvalho, o jogador leonino afirmou que "queria falar com os adeptos para esclarecer o que se tinha passado na Madeira".

16h15 -
Sobre o episódio do aeroporto, Acuña recorda que havia um indivíduo - Fernando Mendes - à sua procura "mas a segurança levou-me diretamente para o avião, não tive contacto direto com ele. Só ouvi "depois na academia logo falamos". Nesse momento não soube quem era. Mais tarde os meus companheiros disseram-me e vi na televisão". Jogador recorda-se que o William [Carvalho], o Battalgia, o corpo técnico e o Jorge Jesus falaram com ele.

16h12 -
"Esteve no dia 13 de maio na Madeira? Recorda-se se houve troca de palavras no aeroporto?", pergunta a juíza.
O jogador responde afirmativamente e recorda que no final do jogo os jogadores foram cumprimentar os adeptos "Pedi lhes apoio e ajuda e só recebi insultos.Depois fomos para o balneário".

16h10 -
Acuña admite que viu André Geraldes a acompanhar Bruno de Carvalho, já depois do ataque - "Não sei se Geraldes chegou no carro do presidente. Só os vi juntos lá dentro".

15h06 - 
"O preparador físico foi queimado na barriga com a tocha e o Bas Dost com ferimentos na cabeça", descreve o jogador, que viu Bruno de Carvalho "só mais tarde, quando chegou à Academia, duas horas depois, mais ou menos".
"Foi inicialmente ao balneário, mas já não estávamos lá", relembra.

15h58 -
"Só me recordo que William parecia conhecer um ou dois [agressores]", sublinha Acuña, que não identificou nenhum dos mesmos. "Alguns [adeptos], um ou dois estavam a dizer para ir embora", acrescenta.

15h50 -
De acordo com o relato do jogador, alguns dos agressores encontravam-se a tapar a porta "para que ninguém saísse". "Só me lembro dos [agressores] de rosto coberto, não me lembro de mais entradas."
Acuña recorda as palavras proferidas pelos adeptos quando estavam quase a abandonar o balneário. Ao largarem mais uma tocha, os agressores dirigiram-se aos jogadores dizendo "que iam ver o que lhes acontecia", caso não ganhassem o jogo seguinte.

15h45 -
Perante o ataque, Acuña revela que não reagiu - "Só tentei tapar a cara para não ser atingido".
Segundo declarações do jogador, os agressores que se dirigiram a Battaglia não foram os mesmos que o atacaram: "Não eram os mesmos. Só vi que lhe atiraram com um garrafão de água. Nesse momento também estava a ser agredido". 
Acuña recorda que os agressores chamaram também pelos nomes de William e Rui Patrício. "Só vi o William a sofrer agressões. Ao Rui [Patrício] não me recordo. Era mais do que um homem. Bofetadas e socos na cabeça [do William Carvalho]", conclui.

15h47 -
"Eram entre 30 a 40 pessoas e entraram todos juntos", relata Acuña, que sublinha que os colegas tentaram fechar a porta, mas sem êxito. "O William tentou fechar a porta e eles forçaram e entraram a perguntar por mim e pelo Battaglia. O William estava junto a porta. Dirigiram-se a nós e começaram a atacar-nos. Eram uns 4 ou 5. Primeiro levei uma bofetada e depois murros e pontapés. Diziam "não mereces a camisola", tentaram tirar-me o equipamento mas não conseguiram e ameaçaram-me. Diziam que sabiam onde eu vivia, que me iam matar, e que sabiam onde os meus filhos andavam à escola", relata o jogador.

15h40 -
Jogador leonino revela que estava no interior da Academia com os colegas quando os adeptos entraram.
"Ouvi colegas a dizerem que viram e quando tentei ver pela janela já estavam lá dentro. Acuña recorda que os jogadores estavam quase todos dentro do balneário "menos o Bast Dost".

15h35 -
Acuña, jogador do Sporting, começa a ser ouvido por videoconferência.

13h40 -
Jorge Correia foi ouvido ao final da manhã, após a audição de Vasco Santos. O tribunal não tinha conseguido notificar a testemunha a tempo e o advogado de Mustafá prontificou-se em trazê-lo.
Jojo, como também é conhecido, disse que tomava conta da 'casinha' (nome pelo qual é conhecida a sede da Juventude Leonina) e que era ele quem tinha a chave. Referiu ainda que a droga encontrada nas buscas de que foi alvo, a última realizada a 11 de novembro de 2018, em que foram encontrados os 15,6 gramas de cocaína, não era dele, mas que também não podia dizer que era do Mustafá, uma vez que "em dias de jogo entram lá centenas de pessoas".
Rocha Quintal, advogado do líder da claque Juventude Leonina, questionou diretamente Jorge Correia se a droga encontrada na arrecadação da sede no dia das buscas pertencia ao seu constituinte.
"Não posso acusar o senhor Nuno Mendes nem ninguém, pois não sei de quem é. Com tanta gente ali dentro", respondeu a testemunha.

12h00 -
Advogado do Sporting Clube de Portugal: "Esse spotter não lhe deu informação que naquela manhã tinha tido conhecimento de uma suspeita na Academia?" "Não", responde a testemunha, e acrescenta que "O que disse é que tinha falado com o Jacinto e lhe tinha perguntado se alguém ia à Academia [no dia 15 de maio]".
"Quem lhe enviou o relatório do que aconteceu em Alcochete, como diretor de segurança?", pergunta Miguel Coutinho. "Creio que foi o Gonçalves", relembra Santos.

12h00 -
Santos revela que, dois dias depois do ataque à Academia, foi questionado por Bruno de Carvalho sobre o facto do mecanismo da porta com cartão não estar ativado, coisa que a testemunha não sabia que estava. "Depois expliquei que o mecanismo tinha sido desativado por indicação do departamento de futebol para facilitar as entradas e saídas. Relativamente ao portão, não tinha sido fechado para permitir a entrada dos jornalistas", reforça Santos.

11h51 -
"Quando ele [Bruno de Carvalho] diz 'façam o que quiserem' foi numa de "têm o meu aval" ou "façam o que quiserem, não quero saber"?", questiona o advogado. "A sensação era que já estava farto de estar ali, estava a despachar. Depreendi que estava cansado e queria ir embora", conclui Santos, que reforça que em momento algum se falou em agressão.

11h50 -
O advogado do Sporting Clube de Portugal, Miguel Coutinho pergunta à testemunha se sabia que havia suspensão dos jogadores na altura. Vasco afirma que se "falou" sobre o assunto, mas reforça que não sabe de nada.

11h44 -
Vasco Santos revela que soube do ataque a Alcochete quando estava na reunião com a PSP, no momento em que "um agente entra com o telemóvel na mão a mostrar a notícia da CMTV."

11h33 -
"No dia 15 de maio, depois de almoço, depois das 15 horas, eu estava no Comando Metropolitano de Lisboa e cruzei me com um spotter, Leandro, que me pergunta se havia alguma visita prevista a Alcochete. Eu disse que não", relembra Santos, acrescentando que não teve qualquer contacto do Ricardo Gonçalves, do Vasco Fernandes ou Geraldes antes das 17h. Quando o spotter me perguntou se havia alguma visita programada, eu perguntei-lhe se tinha mais alguma informação. Ele disse-me que não, que não sabia que estivessem a preparar nada", reforça Santos, que afirma ainda que apesar das conversas que mantinha com a unidade de informação da PSP, "não havia qualquer alerta nem previsibilidade de haver uma situação destas".
Perante a resposta de Vasco Santos, juíza diz que "só falta agora dizer que lhe deviam ter enviado um email a avisar que iam fazer o ataque".

11h30 -
Sobre Fernando Mendes, Santos apercebeu-se de que o antigo líder da claque leonina era tido como a figura histórica na Juve Leo, "que toda a gente respeitava e considerava".
"Posso dizer que nunca assisti a desentendimento entre o Mustafá e Mendes", conclui.

11h29 -
 Santos relembra algumas expressões ouvidas, usadas pelos adeptos da Juve Leo durante a reunião de abril: "Estes tipos não estão a jogar nada, não merecem a relva que pisam, parecem uns meninos". "O que foi excecional ali [na reunião] foi o pedido de desculpa do Bruno de Carvalho", refere Santos e acrescenta que ficou feliz porque pensou que "aquilo ia trazer acalmia aos ânimos entre os adeptos e os jogadores".

11h24 -
"Fiquei a pensar que eu seria avisado da ida a Alcochete, se fosse uma ideia que a concretizar", afirma Santos.
Sobre o pedido de desculpas do antigo presidente do Sporting, a testemunha diz que "Não era anormal dele [Bruno de Carvalho] ter reuniões com os adeptos e até com ânimos exaltados".

11h21 -
Após o ataque à Academia, "O Bruno de Carvalho pediu reunião de emergência, foi reforçada a vigilância humana na Academia e iniciado o processo de orçamentação de obras aos acessos para reforçar a segurança das instalações", relembrou Vasco Santos. "Percebo que houve uma ausência de comunicação, nem da parte da unidade de informações tivemos alerta, o que dá a entender que eles desconheciam e, por outro lado, as recomendações que tínhamos feitos mais de um ano antes com o Gonçalves, nunca foram feitas, porque aquilo é quase uma escola e não pode ser tratado como um estabelecimento prisional", relembra e acrescenta "A visita a Alcochete foi mais uma ideia".

11h16 -
Quando questionado sobre se tinha tido conhecimento do episódio do aeroporto, a testemunha refere que não.
Sobre a ida dos adeptos à Academia no dia do ataque, Vasco Santos afirma que não teve conhecimento do episódio e que "na hora da ocorrência estava no comando metropolitano da PSP em Lisboa". "Tentei falar com Gonçalves que não atendeu o telefone. E falei com o Bruno de Carvalho por telefone que me informou que estava no carro a ir para Alcochete para ver o que se estava a passar", sublinha.

11h03 -
Santos é questionado se após a reunião, tinha ficado convencido de que os adeptos iam a Alcochete. "Não. Nunca me chegou nenhum agendamento e pensei que a ideia tivesse sido abandonada", confirma.

10h54 -
"Para situações mais específicas, recorda se de uma reunião a 7 de abril de 2018 na sequência do jogo SCP Madrid?", pergunta a procuradora. "Estive presente nessa reunião", confirma Vasco Santos, e acrescenta que no mesmo dia estavam presentes Bruno de Carvalho, Geraldes, Jacinto e Mustafá. "Não estou certo quem convocou, mas acompanhei o Bruno de Carvalho, o Geraldes. Foi realizada [a reunião] na sede do grupo juventude leonina e o propósito era pedir desculpa à Juve Leo pelo post escrito no Facebook, por ter proferido palavras contra os jogadores porque tinha inflamado os ânimos. E procurar apaziguar os ânimos. Foi André Geraldes que explicou o propósito da reunião", acrescenta Vasco Santos.

Na mesma reunião, a testemunha refere os adeptos estavam exaltados e criticavam muito o comportamento do presidente nas redes sociais. "O líder da Juve Leo deu a palavra a elementos da claque que interpelaram diretamente o Bruno de Carvalho sobre os posts no Facebook e palavras que ele tinha dirigido aos jogadores. O presidente pediu várias vezes desculpa. Por um lado não concordavam com a forma como o presidente se dirigia aos jogadores, mas por outro lado também concordavam que os jogadores não estavam a jogar da melhor forma. Depois alguns sugeriam que se deslocassem a Alcochete para falar com os jogadores, outros sugeriam escrever tarjas para os jogos para mandá-los jogar mais. Depois Bruno de Carvalho ouviu as várias ideias e concluiu "tudo bem, façam o que quiserem e depois informem-me", recorda Vasco Santos.

10h53 -
Vasco Santos prossegue na explicação:"O Oficial de Ligação aos Adeptos (OLA) informava a hora da visita e normalmente estava presente. E todas passavam por mim. O departamento de futebol informava qual era a disponibilidade da equipa, na pessoa de Geraldes que era o responsável, e eu só tratava da parte da segurança. Eu solicito a ajuda necessária à GNR" e acrescenta "O Gonçalves é que depois coordenava os contactos com a polícia. Eu solicitava e o Ricardo punha em prática".

10h52 -
Procuradora questiona Vasco Santos sobre se este tinha intervenção a visitas de jogadores à academia. 
"O departamento de futebol informava a data das visitas às forças de segurança locais para montar o dispositivo de segurança e assim davam se as visitas, sempre com o apoio do Oficial de Ligação aos Adeptos (OLA)", descreve a testemunha.
"Visitas nunca ocorriam sem a presença das forças de segurança?", pergunta a procuradora. "Não", responde Vasco.

10h50 - Vasco Santos é a primeira testemunha a ser ouvida esta terça-feira. Começa por explicar que era o diretor de segurança para a realização de eventos do SCP, principalmente dos jogos de futebol do clube realizados em casa.
Uma das funções era "coordenar toda a estrutura de segurança privada, articular com as forças de segurança, no caso de Alvalade, a PSP". "Em relação à segurança da Academia era Ricardo Gonçalves que me reportava a mim", refere Vasco Santos.

10h27 - O início da sessão está atrasada devido a um problema com o sistema de gravação do tribunal.

10h10 - Encontram-se 17 arguidos dentro da sala de audiência. Bruno de Carvalho está novamente ausente.

9h17 - Miguel Fonseca, advogado de Bruno de Carvalho, já chegou ao Tribunal de Monsanto.

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