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Correio da Manhã

Desporto
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FC Porto deu cambalhota com duas voltas em Guimarães

Tal como 2020, o encontro começou mal e acabou bem para os portistas. Escolha de Baró foi um erro.
Sérgio Pereira Cardoso 30 de Dezembro de 2020 às 01:30
V.Guimarães-Porto
V.Guimarães-Porto FOTO: DR
Um fecho de ouro sobre o azul que pintou este ano no futebol português. Numa espécie de resumo de 2020, as coisas não começaram bem para os dragões, que estiveram a perder por duas vezes em Guimarães. Uma dupla reviravolta, com dois golos de Taremi e um de Díaz, deu direito a finais felizes, de jogo e de ano.
Com Otávio castigado, Conceição escolheu Romário Baró para o onze e não demoraria a arrepender-se. Da parte do Vitória, tudo como esperado, a não ser uma saída de bola atabalhoada logo a abrir, com Varela a deixar a baliza à mercê de Corona. O mexicano falhou.

Como estamos em época festiva, Uribe quis retribuir o gesto. Perda em território proibido, com Rochinha a tirar máximo proveito. O remate desvia em Diogo Leite e trai Marchesín para o 1-0 dos vimaranenses.

O FC Porto ia tentando reagir, mas Baró mantinha-se como corpo estranho. Viu um amarelo aos 12’ e teve o perdão do segundo aos 30’. Sérgio nem ponderou mais. Díaz lá para dentro, juntamente com Sarr, este devido a lesão (mais uma) de Pepe.

E tudo mudou. Díaz é outra loiça e demorou três minutos a deixar a defesa vitoriana aos papéis. O ataque portista ganhava forma de avalanche - Taremi atirou a rasar aos 37’, e Díaz aos 40’ a falhar de forma incrível novo erro de Bruno Varela. O mais que previsível golo chegou aos 42’. Sérgio Oliveira viu Marega e o maliano tocou ao lado para Taremi. Paços de Brandão-Mali-Irão, tudo ligado no 1-1.

Só que Quaresma, depois do intervalo, quis mostrar que ainda conta e deu a assistência para o 2-1 de Estupiñán. Segundo golpe no Dragão, e segundo resgate imediato nos pés de Taremi. Jogada e passe genial, claro está, de Luis Díaz, que continuava a encher o campo e a empurrar os homens da casa para o último terço. Como se não bastasse, o colombiano assumiu mesmo o papel de herói no encontro ao dominar uma bola perdida na área e, ao melhor jeito de futebol de rua, de ‘bico’, a dar o pontapé para a festa de fim de jogo e de fim de um ano de vitórias para o FC Porto de Sérgio Conceição.

Rochinha foi rocha no sapato do dragão
o Bruno Varela – Desastrado num corte de cabeça e num cruzamento em que largou a bola. Sem culpa nos golos. o Sacko – Luis Díaz pôs-lhe a cabeça em água. Esforçado.
o Jorge Fernandes – Cumpriu no eixo da defesa, mas acabou por sair lesionado.
o Abdul Mumin – Grande passividade no golo de Taremi, mas forte no jogo aéreo.
o Mensah – Deu profundidade ao seu flanco. Tem pulmão e músculo.
o Pepelu – Trabalhador incansável no meio-campo, quer a defender, quer a atacar.
o André André – Criativo e com visão de jogo. É o maestro desta equipa.
o André Almeida – Lutou muito no meio-campo. Saiu exausto.
o Rochinha - É ele quem constrói o 1.º golo. Aproveita um mau passe de Uribe, arranca para a baliza e remata forte. A bola desvia em Diogo Leite e engana Marchesín. Atacou e defendeu bem.
o Quaresma – Irrequieto e quando tem bola há magia. Assistiu Estupiñán para o segundo golo vimaranense. Tem classe nos pés.
o Estupiñán – Um golo de cabeça após assistência de Quaresma. Teve mais um cabeceamento perigoso.
o Suliman – Um corte defeituoso (cabeceou para o ar) resultou no golo da vitória portista de Luis Díaz.
o Miguel Luís – Refrescou a equipa, mas não foi solução.
o Marcus Edwards – Trouxe velocidade e perigo à defesa portista.

Sociedade Taremi e Díaz faz miséria
o Marchesín – Traído por um desvio no lance do 1-0, não teve muito que fazer, mas esteve algo intranquilo.
o Manafá – Teve pela frente o melhor do V. Guimarães [Rochinha]. Perdeu e ganhou lances. Regular.
o Pepe – Noite infeliz do capitão, que voltou a lesionar-se logo no início do jogo.
o Diogo Leite – Desvio involuntário de cabeça ajudou a enganar Marchesín. Bem nos lances aéreos.
o Zaidu – Quaresma não o deixou descer pelo flanco.
o Uribe – Falhou o passe que viria a dar o 1-0. Importante para empurrar o adversário.
o Sérgio Oliveira – Sempre a leste, exceto quando teve um passe teleguiado para Marega, que assistiu Taremi (1-1).
o Corona – Começou bem, com um remate perigoso logo a abrir. Ação importante.
o Romário Baró – Surpresa que não resultou. Muito faltoso, esteve perto da expulsão e saiu ainda no 1º tempo.
o Taremi - Dois golos à matador e sempre quando os dragões estavam em desvantagem. Depois de um início tímido começa a ganhar espaço e estatuto: sexto golo na época, quarto na Liga.
o Marega – Sempre a jogar na profundidade. Assistiu para o 1-1. Perdida aos 74’.
o Sarr – Cumpriu, embora o 2-1 tenha surgido no seu raio de ação.
o Luis Díaz – Mudou o rumo do jogo. Uma assistência e o golo da vitória. Fantástico.
o Fábio Vieira – Rematador.
o Grujic – Deu músculo.

ANÁLISE
+ Dragão rima com Irão
Dois golos e muito futebol de Mehdi Taremi. Se Díaz se tornou decisivo, a eficácia do iraniano foi essencial, até pelos timings, para resgatar a vitória num jogo muito, muito difícil.

- Os erros de Baró e Uribe
Romário Baró foi um tiro ao lado de Conceição na escolha do 11 e revelou-se um corpo estranho na equipa. Uribe teve erros infantis em ambos os golos da equipa vitoriana.

Perdoou expulsão
Exibição globalmente positiva, mas manchada pelo perdão do segundo amarelo a Romário Baró. Sérgio Conceição não perdeu nem mais um segundo e substituiu o atleta.
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