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Correio da Manhã

Desporto

"Foi muito duro, difícil de esquecer": Bas Dost recorda ataque à Academia do Sporting

Jogador assumiu em tribunal que sentiu medo nas semanas seguintes.
Tânia Laranjo 13 de Fevereiro de 2020 às 08:44
Bas Dost
Tiago Neves
Bas Dost
Tiago Neves
Bas Dost
Tiago Neves
Agora a jogar no Eintracht Frankfurt, Bas Dost, o avançado holandês que vestia a camisola do Sporting na altura do ataque à academia, recordou esta quarta-feira os momentos de terror vividos aquando da entrada dos adeptos nas instalações leoninas. "Foi muito duro, difícil de esquecer", disse o jogador que respondeu sempre em inglês e foi acompanhado de uma intérprete. 

Bas Dost falou a partir da Alemanha, por videoconferência, e as suas declarações foram ouvidas no Tribunal de Monsanto. O atleta contou que viu o primeiro grupo de adeptos encapuzados entrarem na academia e que quando se aproximou pensou que seria possível conversarem e resolverem os conflitos. "Eles estavam zangados por termos perdido o jogo da Madeira e eu queria assumir as minhas responsabilidades como líder da equipa. Sempre pensei que podíamos conversar e que nos íamos entender."

O jogador diz que a sua atitude não foi compreendida. Foi de imediato atacado pelo grupo que parecia muito violento. "Um deles fechou o punho e atingiu-me com um objeto que não percebi o que era. Caí imediatamente e ele começou a pontapear-me. Depois disse a outro para também o fazer, até que desmaiei."

Bas Dost lembra ainda que foi ajudado alguns minutos depois por um médico do Sporting que o ajudou a fugir. "Fui egoísta. Mas quando saí do balneário só pedi para não me deixarem sozinho. Fiquei com muito medo."

O sentimento de terror, disse ainda o avançado holandês, perseguiu-o durante várias semanas. E o regresso à academia foi difícil, tal como o regresso ao Sporting. "Só voltei porque o Sousa Cintra me garantiu que aquilo nunca mais ia acontecer. E o presidente Frederico Varandas também o fez", recordou.

Troca gritos com o então presidente
Bas Dost recordou uma troca de palavras com o então presidente do Sporting, Bruno de Carvalho, logo após o ataque. O dirigente dirigiu-se à academia e o avançado contou, esta quarta-feira, que o interpelou: "Eu disse-lhe, em inglês: ‘Como é que isto é possível?’ E ele respondeu: ‘Sim, como é que isto é possível? Eu não sei como é que isto aconteceu.’ E eu gritei novamente: ‘Como é que é possível?’", recordou o jogador que deixou de vestir a camisola do Sporting em dezembro passado.

"Peço desculpa a jogadores e também ao Sporting"
Tiago Neves garantiu esta quarta-feira que estava arrependido de ter participado no ataque a Alcochete. À juíza no Tribunal de Monsanto assegurou que não pensou nas consequências. "Peço desculpa a jogadores e também ao Sporting", disse o rapaz, hoje com 29 anos, que assumiu que ser adepto era um vício. "Hoje percebo que tinha de me livrar daquilo para poder ter uma vida", contou, insistindo várias vezes de que não pensou nas consequências.

PORMENORES
Sousa Cintra ouvido
Sousa Cintra vai ser ouvido esta sexta-feira, a pedido das defesas. O ex-presidente da Comissão de Gestão, nomeada após o afastamento de Bruno de Carvalho, foi chamado pelas defesas.

Pinto da Costa vai depor
Pinto da Costa foi chamado como testemunha por Bruno de Carvalho. Vai depor na terça-feira, por videoconferência, a partir de um tribunal do Porto.

Arguidos falam
Na sexta-feira, mais dois arguidos vão ser interrogados. Já são 15 os que pediram ao tribunal para prestar declarações, numa altura em que termina a produção de prova.
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