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Correio da Manhã

Desporto
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Jesus vence em Moscovo num jogo a contar para a Liga dos Campeões

Benfica arrasa Spartak Moscovo com golos de Rafa e Gilberto e têm portas do play-off da Champions abertas.
Mário Figueiredo 5 de Agosto de 2021 às 08:43
Rafa e João Mário festejam o primeiro golo do Benfica, ‘fabricado’ pelos dois. Pizzi corre para entrar na festa
Rafa e João Mário festejam o primeiro golo do Benfica, ‘fabricado’ pelos dois. Pizzi corre para entrar na festa FOTO: Pedro Ferreira
O Benfica deu esta quarta-feira um passo de gigante rumo ao play-off da Liga dos Campeões, ao vencer o Spartak, por 2-0, em Moscovo, num jogo em que Jorge Jesus deu uma lição tática a Rui Vitória.

O técnico do Benfica voltou aos ‘mind games’ (jogos mentais) e prometeu uma equipa em 4x4x2, mas apresentou um 3x4x3. A verdade é que manietou a equipa de Rui Vitória, que mostrou muito pouco.

O Benfica entrou lento mas foi subindo de rendimento. O Spartak também atacou, mas nessas alturas sobressaiu Odysseas com um punhado de defesas. Quando João Mário pegou no jogo do Benfica a meio-campo deu-se início ao domínio encarnado. Após algumas ameaças, as águias acercaram-se com perigo da baliza de Maksimenko. Rafa teve um golo nos pés, mas a trivela saiu ao lado. Depois foi Pizzi quem rodopiou e tirou um adversário do caminho, mas o remate foi contra um defesa. O Benfica acreditava na vitória e assumiu as rédeas do jogo e nem a lesão de Seferovic (substituído por Gonçalo Ramos) retirou poder de fogo. Mas o golo só surgiu na segunda parte. O jovem avançado trouxe mais presença na área e esteve perto de marcar em duas ocasiões. Numa delas ficou a pedir grande penalidade.

A equipa de Jorge Jesus conseguia anular com facilidade a zona de construção do Spartak. Weigl foi o músculo e João Mário o cérebro. E o golo surgiu numa bomba de Rafa, após uma boa jogada que incluiu Pizzi e João Mário.

Jesus percebeu que alguns jogadores, face à pré-época, revelavam alguns sinais de cansaço e fez entrar Everton e Gilberto. O flanco direito surgiu mais refrescado e agressivo.

E o golo da tranquilidade acabou por surgir por Gilberto que fuzilou o guarda-redes Maksimenko , após uma assistência de Lucas Veríssimo, o melhor dos três centrais.

O triunfo das águias é incontestável e, apesar da vantagem de dois golos, Rui Vitória não vai facilitar no jogo da segunda mão na terça-feira (dia 10), naquele que será um regresso à Luz.

análise
+ João Mário pega de estaca
O médio João Mário pegou de estaca nesta equipa do Benfica. Foi o cérebro do meio-campo, que teve em Weigl o músculo. Resta saber se o ex-Sporting não se deixará afetar nos jogos em Portugal.

- Rui Vitória
Não é só pela derrota que o técnico do Spartak é o ‘menos’ do jogo. É pela sua postura de dizer de antemão que não iria cumprimentar o técnico rival. A responsabilidade do treinador é maior do que um resultado.

Alérgico a penáltis
O juiz sérvio parecia alérgico a penáltis. Houve quatro lances de bola a bater na mão na área e não assinalou nenhuma grande penalidade. Pelo menos um desses lances foi por demais evidente. Deixou passar em claro uma jogada em que Gonçalo Ramos parece ser impedido de chegar à bola em falta. Sentiu-se a falta do VAR.

João Mário trabalha e Rafa executa
Odysseas – Um punhado de defesas de elevado grau de dificuldade. Larsson foi o que deu mais trabalho. Mas também assustou ao deixar passar uma bola entre as mãos
Lucas Veríssimo – Muito ativo na defesa. Interventivo, foi-se assumindo como o patrão desta defesa a três. Mas também agitou no ataque, onde fez a assistência para o golo do Gilberto (2-0).
Otamendi – Guerreiro e sem medo do choque. É o músculo da zona defensiva. Também tentou marcar de cabeça nos cantos nas jogadas ofensivas. Seguro.
Vertonghen – Mais apagado do que os outros dois centrais, o belga cumpriu a sua parte. Nunca comprometeu.
Diogo Gonçalves – Boas arrancadas pelo seu flanco a criarem desequilíbrios. Boas combinações com Rafa. Um cabeceamento perigoso que morreu nas mãos do guarda-redes.
Weigl – Trabalhador, mas ofuscado pela classe de João Mário. Mesmo assim teve um papel ativo na jogada que dá o 2-0 para o Benfica. Bom passe para Gonçalo Ramos.
João Mário – Quando apareceu no jogo, apareceu o melhor Benfica. Bons passes, alguns mal aproveitados. Recuperou muitas bolas e marcou o ritmo da equipa. Assistiu, com classe, Rafa no 1-0.
Grimaldo – Um remate por cima, quando tinha companheiros em melhor posição. Lutador como sempre, mas com algumas falhas.
Pizzi – Notou-se uma vontade grande em afirmar-se. Abusou por vezes com bola. Um par de remates, em boa posição, contra os defesas.
Seferovic – Discreto e longe da baliza. Acabou por sair ainda antes do intervalo com queixas na perna esquerda,
Gonçalo Ramos – Entrou a frio no jogo, após a lesão de Seferovic. Trouxe presença na área e foi incómodo para os defesas adversários. Chegou atrasado a alguns cruzamentos, mas deu trabalho.
Everton –Agitou. Um remate com perigo.
Gilberto – Boa desmarcação, após passe de Lucas Veríssimo, e uma bomba sem hipóteses para o guarda-redes. Estava feito o 2-0.
Taarabt – Segurou a bola e ajudou o meio-campo.
Gil Dias – Ajudou a refrescar a equipa.
Muito ativo. Jogou e fez jogar. Bons cruzamentos para Pizzi e Diogo Gonçalves que não foram bem aproveitados. E não perdoou na hora de finalizar. Uma bomba no 1-0.
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