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Correio da Manhã

Desporto

Leão vive pesadelo com goleada do Ajax no regresso à Champions

O jogo começou com o primeiro golo do Ajax. A partir daí, o Sporting desconjuntou-se e foi para o intervalo a perder.
Octávio Lopes 16 de Setembro de 2021 às 01:30
Golo de Paulinho:  uma gota de água no deserto que foi a prestação do Sporting no jogo
Golo de Paulinho: uma gota de água no deserto que foi a prestação do Sporting no jogo FOTO: Reuters
Um pesadelo - assim se pode resumir o regresso do Sporting à Liga dos Campeões, quatro anos depois, traduzido numa goleada (1-5), em Alvalade, diante do Ajax, que não é um dos tais ‘todo-poderosos’ da alta roda do futebol europeu. Faltou tudo ao leão. A defesa foi um descalabro; o meio-campo mostrou uma confrangedora falta de ideias; o ataque teve alguns fogachos - renderam um golo e uma bola no poste -, é certo, mas na maioria dos minutos parecia que ninguém percebia bem o que andava por ali a fazer.

O atropelo dos agora neerlandeses começou logo no minuto dois: Antony fugiu a Vinagre e rematou; a bola tabelou em Neto, foi ao poste e sobrou para Haller, de cabeça, inaugurar o marcador. Sete minutos depois, o 2-0: Vinagre ficou a ver a bola enviada pelo ar pelo guarda-redes Pasveer para Antony controlar e cruzar para Haller bater Ádan. O leão estava de rastos. Sem ideias, sem concentração defensiva. Nada de nada. Mas no meio do nada surgiram dois lances perigosos. No primeiro, Palhinha, na área, em boa posição, cabeceou mal um livre de Nuno Santos; no segundo, Paulinho fez o 2-1 - Matheus Nunes meteu a bola na área, o avançado, acossado por um defesa, rematou para ver no que dava. E deu. Pasveer deu um monumental frango e atenuou o sofrimento verde e branco. Que logo a seguir foi agravado. Antony voltou a fazer gato-sapato de Vinagre. Deu a bola a Gravenberch que tirou Feddal do caminho e passou para Berghuis encostar para o golo.

Tinham passado 33 minutos. Até ao intervalo, o leão melhorou um tudo nada e só não reduziu porque Feddal, solto na área, cabeceou por cima um magistral centro de Jovane.

A segunda parte parecia que ia começar bem para o Sporting. Paulinho cabeceou certeiro um centro de Feddal. O festejos foram logo interrompidos com um fora de jogo do avançado. E voltou tudo à realidade. Ou seja, mais um golo do Ajax, por Haller, a passe de... Antony. Vinagre já estava no banco e Matheus Reis ficou a ver a trivela do brasileiro para o costa-marfinense faturar. O Sporting teve uma tímida reação, num remate ao poste de Porro e numa boa defesa de Pasveer, num tiro cruzado do mesmo Porro. Só que o Ajax, mesmo em contenção, chegou ao 5-1, pelo inevitável Haller.

"Jogadores foram muito corajosos"
"Tenho muito orgulho nos jogadores do Sporting, são muito corajosos. Disse para fecharem em 5x4x1 e eles não quiseram", explicou Rúben Amorim na abordagem à goleada sofrida em Alvalade frente ao Ajax . O técnico leonino lamentou os dois golos madrugadores: "Sofremos um golo no primeiro minuto. Depois tivemos de ir atrás e eles estavam confortáveis. A equipa é algo inexperiente. Tentámos dar a volta, sofremos o terceiro, fizemos um golo que foi anulado e poderia mudar o jogo. Depois sofremos o quarto e não soubemos gerir. Ajax foi melhor".

Análise ao jogo
Positivo: Haller, Antony e Ajax
Sem ser uma equipa da alta roda atual do futebol europeu, o Ajax chegou a Alvalade com a lição bem estudada e anulou o Sporting. Fez uma boa exibição, alicerçada no enorme trabalho do coletivo, onde sobressaíram Haller (4 golos) e Antony.

Negativo: Vinagre e Amorim
Rúben Vinagre foi uma completa nulidade, no primeiro tempo. Falhou inúmeras vezes na marcação a quem lhe aparecia pela frente, principalmente Antony. Rúben Amorim demorou 45 minutos a perceber que Vinagre não estava bem.

Arbitragem: Razoável
Na ânsia de deixar jogar, o espanhol José Maria Sánchez deixou por marcar várias faltas. E também mostrou dualidade de critérios. Palhinha viu um amarelo por pisar um adversário. Haller fez o mesmo a Palhinha e só marcou falta.

Análise aos jogadores
Matheus Nunes - Esteve na origem dos lances mais perigosos do Sporting com passes a rasgarem a defesa holandesa. Assistiu Paulinho no tento de honra dos leões nesta estreia na Champions.
Adán – Cinco golos não abonam em seu favor, mesmo assim não foi o mais culpado.
Luís Neto – Tremideira, falta de ritmo e incapacidade de reação.
Gonçalo Inácio – Lesão aos 17’ fez desmoronar a defesa.
Feddal – Melhor a atacar do que a defender. Duas ocasiões perto do golo.
Porro – Alguns desequilíbrios e um remate ao poste.
Palhinha – Dificuldades para travar Haller que foi um quebra-cabeças.
Vinagre – Uma noite para esquecer. Nunca se encontrou e saiu, tarde, ao intervalo.
Jovane – Sem bola e sem conseguir romper a defesa.
Nuno Santos – Agitou, mas por pouco tempo. Um remate e um cruzamento perigoso.
Paulinho – Fez um golo com ajuda do guarda-redes do Ajax e reacendeu o sonho. Viu ainda um outro golo ser anulado pelo videoárbitro.
Esgaio – Estreia de fogo a central. Incapaz de travar a avalanche ofensiva.
Sarabia – Bom toque de bola. Chegou atrasado na recarga à bola do poste de Porro.
Matheus Reis – Não teve tarefa fácil para travar Antony.
Tiago Tomás – Sem bola, numa altura em que a equipa já queria era o apito final.
Daniel Bragança – Ganhou experiência de Champions.n
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