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Correio da Manhã

Desporto
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Leia as declarações do ex-funcionário do Sporting Bruno Jacinto em interrogatório judicial

Elemento que fazia a ligação do clube às claques revelou em tribunal organograma dos verdes-e-brancos.
6 de Dezembro de 2018 às 20:02
Bruno Jacinto
Bruno de Carvalho
Bruno de Carvalho
Bruno de Carvalho
Bruno Jacinto
Bruno de Carvalho
Bruno de Carvalho
Bruno de Carvalho
Bruno Jacinto
Bruno de Carvalho
Bruno de Carvalho
Bruno de Carvalho

Bruno Jacinto, ex-funcionário do Sporting que tinha a missão de fazer a ligação do clube às claques de futebol, negou qualquer envolvimento no ataque a Alcochete durante o seu primeiro interrogatório judicial, a que o CM teve acesso. Leia as declarações proferidas na íntegra:

Bruno Jacinto:
Eles nunca me disseram e eu nunca soube, da maneira como eles estavam a planear ou deixavam de planear. Uma coisa que eles me tinham dito, o Tiago Silva [Bocas], "ir à Academia"… ok mas falar, para falar num tom mais exaltado com os jogadores. Era uma situação que já aconteceu noutras vezes. Agora agredir nunca me disseram, nem a forma como estavam a planear, nem isso eu sabia.

Juiz: Quando você diz, infelizmente ou felizmente, "estes jogadores eram bem malhados." Isso o senhor justifica como uma expressão. Não queria dizer para ninguém lhes bater…

Bruno Jacinto: Sim.

Juiz: "Esses eram bem malhados". Toda a gente sabe o que isso quer dizer. Bem ou mal, infelizmente ou felizmente… "bem malhados", malhar é bater. Pronto. Felizmente ou infelizmente foi isso que você disse. Não há dúvida.

Bruno Jacinto: Não era… se eu disse não era nesse sentido.

Juiz: Não estamos a falar em intenções, estamos a falar ipsis verbis aquilo que o senhor disse e aquilo que o senhor escreveu.

Bruno Jacinto: Se formos estritamente pela palavra…

Juiz: Quer dizer vamos malhar neles.

Bruno Jacinto: Às vezes a expressão "malhar", nem sempre quer dizer bater, pelo menos no meu ponto de vista.

Procuradora MP: Queria perguntar aqui ao arguido…

Juiz: Faça favor directamente senhora doutora.

Procuradora MP: O senhor diz que não se apercebeu de nada e teve o cuidado de referir agora que na verdade o encontro com o Bocas, Tiago Silva, que o senhor efectivamente esteve com ele presencialmente mas que o senhor Fernando Barata, mais conhecido por Fernando Mendes, estava afastado. Mas por que é que o senhor telefonou para o Bocas, o Tiago Silva, e disse-lhe "já cá estou"?

Bruno Jacinto: E eu..

Procuradora MP: Mas por que é que telefonou? Se já na véspera…

Bruno Jacinto: Porque ele…

Procuradora MP: Qual era o assunto?

Bruno Jacinto: Taça de Portugal.

Procuradora MP: Desculpe lá, o Bocas é quem? Ele é o quê neste País e neste mundo?

Bruno Jacinto: Na altura dos acontecimentos…

Procuradora MP: Sim.

Bruno Jacinto: Era…

Procuradora MP: Esse senhor Tiago Silva é quê? Adepto de quê?

Bruno Jacinto: Era o responsável da Juve Leo pela gestão dos bilhetes.

Procuradora MP: Era desculpe?

Bruno Jacinto: Era o responsável da Juve Leo pela questão dos bilhetes.

Procuradora MP: Dos bilhetes.

Bruno Jacinto: Exatamente.

Procuradora MP: Pelo dinheiro que o senhor tinha em casa. Sim.

Bruno Jacinto: Era eu que falava com ele para saber o número de bilhetes que precisava.

Procuradora MP: Mas por que é que o senhor que falava com ele e não com o líder da claque?

Bruno Jacinto: Porque era o Tiago Silva o responsável no momento por essa gestão.

Procuradora MP: Mas por que é que era o Tiago Silva? Mas quem é que decidiu isso na claque da Juve Leo?

Bruno Jacinto: O líder.

Procuradora MP: Qual líder? Diga lá o nome do traficante! Por amor de Deus! De uma vez por todas! Diga o nome!

Bruno Jacinto: O Mustafá é que decide quem é que faz o quê.

Procuradora MP: Ahhh. Portanto o senhor achou que se na véspera o dito… O senhor tem este raciocínio: na véspera, véspera, alguém diz… "o senhor Tiago Silva é o responsável pelos bilhetes", ou seja, o dinheiro com o qual os senhores ficam. E o senhor também tinha os bilhetes em casa e ficou com o dinheiro. E já tinha os bilhetinhos do novo jogo, do Arsenal, fica a saber…

Bruno Jacinto: Sim.

Procuradora MP: Ah tinha?! Pois então tem de o devolver porque sabe perfeitamente que já não é funcionário do Sporting.

Bruno Jacinto: Sim.

Procuradora MP: Volto a repetir-lhe: foi chamado ao departamento dos recursos humanos para rescindir o contrato. Não sei porque é que está aqui a dizer que não foi. Não consigo perceber.

Bruno Jacinto: ‘Tá’ bem mas… acho eu…

Procuradora MP: ‘Tá’ bem não! Está a falar para um juiz e está a dizer que é funcionário quando sabe que foi chamado…

Bruno Jacinto: Fui chamado… Ainda não assinei…

Procuradora MP: Pois, está bem, eu não estou a dizer que assinou. Eu já lhe expliquei.

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