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Correio da Manhã

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"No futebol não vale tudo": o gesto comovente de árbitro e assistentes ao saberem da morte da avó de jogador

Rodrigo Martins, do Real Sport Clube, marcou golo, festejou e quando foi para os balneários deparou-se com uma notícia trágica.
Pedro Almeida 22 de Outubro de 2019 às 15:58
Roberto Rebelo, Roberto Santos e Flávio Silva
Roberto Rebelo, Roberto Santos e Flávio Silva FOTO: Direitos Reservados

Marcou golo, festejou, mas no final do encontro recebeu uma notícia trágica: a morte da sua avó. Rodrigo Martins, jovem futebolista do Real Sport Clube no escalão de juniores, em Massamá, ficou em choque depois de saber o que tinha acontecido, logo após o jogo frente ao Oriental alusivo à II Divisão Nacional de juniores, no passado fim de semana. Também a reação do árbitro do encontro, bem como dos seus dois assistentes, tornou-se um gesto de grande emoção.

Quando soube do sucedido, a equipa de arbitragem - Roberto Santos, o árbitro principal, e os seus assistentes Roberto Rebelo e Flávio Silva - dirigiu-se ao balneário para consolar o jovem jogador, com o pensamento de que o resultado da partida havia passado "para segundo plano".

"Tanto ele como toda a equipa e estrutura ficaram surpreendidos, pois não esperavam que entrassem o árbitro e assistentes no balneário após o jogo e após aquela notícia. Ele levantou-se e recebeu o abraço e palavras com muita humildade e agradecimento", começou por dizer, ao CM, Roberto Santos, sublinhando que "no futebol não vale tudo".

"Efetivamente foi um momento intenso e não poderia ter tido outra atitude que não a de confortar o Rodrigo Martins. A ética no desporto leva-nos para um campo mais importante do que um simples jogo de futebol. No futebol não vale tudo. Há valores que merecem ser valorizados. O de respeito e fairplay é um deles", confessou o árbitro madeirense, que  não esquece os valores morais inerentes ao desporto.

No futebol, o árbitro tem sobre si uma responsabilidade que muitas vezes é criticada, mas Roberto Santos quis vincar que quem faz arbitragem pode não ser alguém "sem coração e sem caráter".

"É importante desmistificar aquela ideia de que o árbitro é um homem sem valores, sem coração, sem caráter e que a única coisa que está ali a fazer é aplicar a lei nua e crua. O árbitro é muito mais do que isso, são seres humanos como qualquer um, temos as nossas famílias, os nossos filhos, os nossos amigos, e sejam momentos de alegria ou de dor, também ficamos sensibilizados", reforçou, dando também ênfase ao facto de ter sido Rodrigo a marcar o golo na partida frente ao Oriental.

"O momento de dor pelo qual o Rodrigo estava a passar, depois de ter sido o marcador do golo da sua equipa - que garantidamente teve um sentido mais especial depois da notícia que recebeu-,  não o poderia deixar passar de forma indiferente", disse Roberto Santos.

Recorde-se que o encontro, disputado em Marvila, Lisboa, e referente à oitava jornada do campeonato, terminou empatado a um golo para cada lado.

"Os árbitros são, acima de tudo, homens"

Numa publicação no Facebook, o Núcleo de Árbitros de Futebol da Região Autónoma da Madeira enalteceu o gesto de Roberto Santos e respetivos assistentes, "numa altura em que muito se fala na necessidade de existir atitudes de fairplay entre todos os intervenientes do futebol".

"O NAFRAM vem por este meio partilhar e dar destaque ao belo momento vivenciado pelos nossos associados no passado fim de semana, que demonstram que os árbitros são acima de tudo Homens de carácter e com verdadeiro sentido de solidariedade e humanidade", pode ler-se na publicação.

O vereador do CDS, em Câmara de Lobos, Amílcar Figueira, também não quis deixar passar em branco o sucedido e, através das redes sociais, sublinhou que "os homens do apito também têm coração".

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