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Bronca com os 16,95 milhões gastos pelo FC Porto na renovação de Otávio

Valor surge no relatório e contas como prémio de assinatura e custos de intermediação, mas agente do médio desmente
João Moniz 13 de Outubro de 2021 às 22:47
Otávio no FC Porto
Otávio no FC Porto FOTO: Lusa
O FC Porto divulgou um custo de quase 17 milhões de euros pela renovação de Otávio. No relatório e contas relativo à época 2020/21, o clube revela que gastou 16 945 662 euros em "custos adicionais", que correspondem ao prémio de assinatura do jogador e à comissão que os seus representantes receberam.

No documento, o FC Porto não especifica o valor do prémio de assinatura, mas revela que a "celebração e/ou renegociação de contratos de trabalho, nomeadamente no que se refere a prémios de assinatura" implicou um gasto "no montante de 14 990 711 euros relativos, essencialmente, ao jogador Otávio". Ou seja, os custos de intermediação rondarão os 2 a 3 milhões de euros, ficando o jogador com cerca de 14 a 15 milhões dos 17 milhões que a sua renovação custou.

Só que o agente do jogador desmente estes valores: "O Otávio não recebeu nem um euro de prémio de assinatura pela renovação. Não sei como é que surge aquele valor de 15 ou 17 milhões de euros no Relatório e Contas como prémio de assinatura. São valores semelhantes, isso sim, aos salários que ele vai auferir se ficar no FC Porto até ao fim deste contrato", afirmou Israel Oliveira ao Record.

Segundo o empresário, Otávio vai receber quatro milhões de euros de salário por ano, o que daria 16 milhões ao fim das quatro épocas pelas quais renovou (até 2025).

A acreditar em Israel Oliveira, o FC Porto terá cometido vários erros no relatório e contas, faltando saber se a CMVM vai obrigar o clube a corrigir o documento. Não só o montante em custos adicionais estaria errado, como também o passivo não estaria correto. É que o valor dos prémios de assinatura surge na categoria dos "compromissos assumidos" […] não vencidos e pendentes de faturação à data da demonstração da posição financeira e suportados pelos respetivos contratos".
Por outro lado, os clubes, com frequência, recorrem aos prémios de assinatura para aumentar o rendimento dos jogadores.

Esta solução traz vantagens financeiras. Por um lado, os prémios de assinatura não pagam contribuição à Segurança Social, ao contrário dos salários. E os prémios de assinatura são incluídos na rubrica de aquisições, o que traz vantagens no acerto de IVA com o fisco.

Recorde-se que, esta terça-feira, Pinto da Costa disse que "a SAD não renovará com nenhum jogador que custe seis milhões de euros por ano", justificando assim as saídas a custo zero de Herrera, Brahimi ou Marega nas últimas épocas.
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