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Correio da Manhã

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'Traumatismo ucraniano' deixa Portugal a fazer contas para chegar ao Euro 2020

Dois erros resultaram numa derrota em Kiev, apesar de Portugal ter tido mais bola e mais oportunidades de golo.
Mário Pereira 15 de Outubro de 2019 às 01:30
Ucrânia - Portugal
Ucrânia - Portugal
Ucrânia - Portugal
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Ucrânia - Portugal
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Ucrânia - Portugal
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Ucrânia - Portugal

Duas pancadas da Ucrânia provocaram um forte traumatismo nas pretensões imediatas portuguesas no apuramento para o Campeonato da Europa de 2020. Com esta vitória (2-1), os ucranianos garantem a presença na fase final e obrigam Portugal a vencer os próximos dois jogos da qualificação com a Lituânia e o Luxemburgo.

O campeão europeu e vencedor da Liga das Nações não conseguiu superar a Ucrânia, fruto de dois erros defensivos e de um ataque com uma pontaria desafinada. Cristiano Ronaldo cumpriu a sua parte ao fazer um golo, o 700 da carreira, mas não teve direito a festa.

Fernando Santos mexeu no onze com as entradas de Guedes e João Mário para os lugares de Félix e Bruno Fernandes (no jogo anterior). A equipa portuguesa revelou-se perra. Mais, parecia surpreendida pela seleção de Shevchenko. Uma equipa à imagem do treinador. Gosta de tratar bem a bola, tem bons executantes e é objetiva no ataque. Foi isso que aconteceu. Bastaram dois erros e não foi preciso serem graves, mas foram o suficiente para renderem dois golos. Dois murros no estômago do campeão europeu.

O primeiro golo surgiu na sequência de um canto. Rui Patrício ainda travou o cabeceamento de Kryvtsov, mas a defesa foi lenta e Yaremchuk empurrou a bola para a baliza. CR7 dava um grito de revolta. Assumiu as operações. Pela frente teve Pyatov, que defendeu tudo. Livres, cabeceamentos, remates de longa distância.

Portugal tinha mais posse de bola, mais oportunidades e estava balanceado no ataque. Segundo erro. A defesa é apanhada em contrapé e Yarmolenko faz o segundo golo após cruzamento de Mykolenko. Raphaël Guerreiro ficou a marcá-lo... à distância.

A seleção nacional assumiu as rédeas do jogo e criou oportunidades. Em todo o jogo teve 22 remates contra cinco dos ucranianos. No futebol, a eficácia é tudo. Fernando Santos retificou a equipa após o intervalo, mas foi Bruma quem chegou para agitar o ataque. É ele quem ganha o penálti, quando remata e Stepanenko trava a bola com a mão. Penálti e expulsão. Ronaldo, desta vez, não perdeu o duelo. Rematou forte e estava feito o golo 700.

A equipa das quinas não soube aproveitar a vantagem numérica. A ‘ratice’ e a técnica dos ucranianos e fizeram o resto. Aguentaram a avalanche ofensiva portuguesa. Danilo ainda rematou à trave nos descontos, mas a noite era dos da casa.

ANÁLISE
Pyatov foi antídoto
O guarda-redes ucraniano Pyatov esteve intransponível na bola corrida. Muito forte entre os postes e seguro fora deles. Anulou os livres de Ronaldo e a longa distância de Bernardo Silva, Bruno Fernandes e Guedes. Não se notaram os 37 anos.

Defesa portuguesa
A defesa portuguesa revelou-se insegura, o que é pouco habitual. Lenta a reagir no primeiro golo, numa ressalto a defesa de Patrício, e surpreendida no segundo, com algum desposicionamento de Raphaël Guerreiro. E os erros pagaram-se caro.

Arbitragem segura
Uma arbitragem segura do inglês Anthony Taylor. Bem no capítulo disciplinar e bem a ajuizar os lances na área. Demorou um pouco a assinalar o penálti, mas esteve bem ao expulsar Stepanenko, pois o defesa não jogou a bola .

"Jogámos muito com o coração"
"Entrámos bem, mas logo a seguir a Ucrânia foi à nossa baliza e fez golo. A equipa procurou dar a volta, foi para cima do adversário, conseguiu coisas positivas e outras menos positivas. Mas sempre que a Ucrânia foi à nossa baliza tivemos dificuldades. Usámos e abusámos do jogo interior e não foi isso que trabalhámos", disse o selecionador Fernando Santos, no rescaldo da derrota com a Ucrânia.

"Ao intervalo tentei retificar e as coisas melhoraram um pouco. Jogámos muito com o coração e menos com a cabeça e foi isso que transmiti ao intervalo. Pedi para entrarem com mais cabeça e que fôssemos fortes em termos defensivos, como sempre fomos, manter a concentração e deixar os avançados à vontade", acrescentou.

Fernando Santos deixou ainda uma garantia aos portugueses: "Os próximos dois jogos [com a Lituânia, em casa, e com o Luxemburgo, fora] são duas finais e são para vencer."

CR700 sem direito a festa na Ucrânia
Rui Patrício
– Ainda defendeu a bola no primeiro golo, mas nada podia fazer na recarga. Sem hipóteses no segundo golo ucraniano.
Nélson Semedo – Preocupou-se em atacar, descurando por vezes a defesa.
Pepe – Um passe errado e falta de ritmo. Mas muita vontade e muito lutador.
Rúben Dias – Menos eficaz do que é habitual, numa defesa descoordenada.
Ronaldo - É o mais inconformado da equipa. Nunca desiste e motiva a equipa. Marcou o golo 700 na carreira na sequência de um penálti, mas não teve direito à merecida festa. 
Raphaël Guerreiro – Tal como Semedo, valorizou mais o ataque. Na defesa andou desposicionado e atrasado. Ficou a ver Yarmolenko a marcar o segundo golo.
Danilo – Um cabeceamento por cima e uma bomba à trave já no período de descontos.
João Moutinho – Uns laivos de talento, mas sem conseguir desequilibrar.
João Mário – Novidade no onze. Sofreu muitas faltas.
Bernardo Silva – Não foi o desequilibrador que Portugal precisava.
Gonçalo Guedes – Sofreu várias faltas e Portugal criou perigo nesses livres.
João Félix – Apagado. Ainda anulou um remate de Bernardo Silva.
Bruno Fernandes – Duas bombas que acabaram nas mãos de Pyatov.
Bruma – Entrou e agitou o ataque português. Ganhou o penálti e ‘expulsou’ Stepanenko.

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