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Eurodeputados apelam ao boicote dos Jogos Olímpicos de Inverno de Pequim

Em causa estão os abusos do governo chinês contra os direitos humano.
Lusa 8 de Julho de 2021 às 23:43
Jogos Olímpicos de Inverno
Jogos Olímpicos de Inverno FOTO: Direitos Reservados
Os eurodeputados apelaram esta quinta-feira aos líderes da União Europeia e dos Estados membros para recusarem os convites para os Jogos Olímpicos de Inverno, a realizaram-se em 2021, em Pequim, na China, em protesto contra a situação de Hong Kong.

Com 578 votos (29 contra e 73 abstenções), o Parlamento Europeu instou a Comissão, o Conselho e os Estados membros a "recusarem os convites de representantes governamentais e diplomatas para participarem nos Jogos Olímpicos de Inverno de Pequim de 2022".

Em causa estão os abusos do governo chinês contra os direitos humanos.

De acordo com o documento aprovado esta quinta-feira pelos eurodeputados, a recusa só será revertida se o governo chinês demonstrar "uma melhoria clara sobre a situação dos direitos humanos em Hong Kong, na região de Xinjiang, no Tibete, no interior da Mongólia e noutras zonas da China".

O Parlamento Europeu "condena veementemente o encerramento forçado do jornal Apple Daily, o congelamento continuado dos seus bens e as detenções dos seus jornalistas, todas as medidas tomadas pela China para o desmantelamento de uma sociedade livre em Hong Kong e o fim definitivo da liberdade de imprensa".

Fundado em 1995, o Apple Daily foi um firme apoiante do movimento pró-democracia e dos protestos antigovernamentais que abalaram o território em 2019.

O proprietário do diário, o magnata Jimmy Lai, cumpre atualmente uma pena de vários meses de prisão pela participação nas manifestações, e enfrenta ainda acusações por "conluio com forças estrangeiras", alegadamente por defender sanções contra dirigentes de Pequim e de Hong Kong.

O jornal anunciou o fim das operações em junho, após o congelamento dos bens pelas autoridades de Hong Kong.

Dois responsáveis do jornal foram detidos e acusados de "conspirar com forças estrangeiras", ao abrigo da lei de segurança nacional, imposta no ano passado por Pequim à região semiautónoma chinesa.

Três outros responsáveis do jornal foram, entretanto, postos em liberdade sob caução.

Esta foi a primeira vez que opiniões políticas publicadas por um órgão de comunicação social de Hong Kong levaram a um processo judicial, ao abrigo da controversa lei da segurança nacional.

O Parlamento Europeu também adotou esta quinta-feira uma resolução que apela à libertação dos jornalistas do jornal de Hong Kong Apple Daily.

Os eurodeputados aprovaram o relatório que apela à libertação "imediata e incondicional" dos jornalistas, bem como dos ativistas e representantes políticos, que "exerceram simplesmente o seu direito à liberdade de expressão".

Além disso, o Parlamento Europeu apelou à Comissão europeia e aos Estados membros para que façam "uma legislação de segurança nacional, uma das principais prioridades da agenda de todas reuniões entre a União Europeia e a China, incluindo nos encontros diplomáticos preparatórios".

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