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Correio da Manhã

Desporto
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Ninguém está seguro no Rio de Janeiro

Força nacional ameaça deixar os Jogos Olímpicos.
Domingos Grilo Serrinha e correspondente no Brasil 14 de Julho de 2016 às 17:57
O Estado do Rio de Janeiro decretou, a 17 de junho, "estado de calamidade pública"
O Estado do Rio de Janeiro decretou, a 17 de junho, 'estado de calamidade pública' FOTO: Getty Images
Oficiais e agentes da Força Nacional, tropa de elite formada por membros da Polícia Militar de todos os estados brasileiros, fizeram um protesto no Rio de Janeiro e ameaçam abandonar o esquema de segurança dos Jogos Olímpicos Rio 2016, que decorre naquela cidade brasileira entre 5 e 21 de Agosto.

Os militares, deslocados dos seus estados de origem para a capital fluminense para reforçarem o mega-esquema de segurança do maior evento desportivo do mundo, protestam contra a falta de pagamento das diárias e contra as péssimas condições dos apartamentos em que foram instalados.

Mostrando que, a poucos dias do início da Rio 2016, tudo continua a ser feito na base do improviso, a maioria dos 3000 militares da Força Nacional deslocados para a cidade foi instalada em apartamentos do programa social "Minha Casa, Minha Vida", destinados a pessoas carenciadas e que estavam em fase final de construção. Só que nesses apartamentos não há absolutamente nada a não ser paredes, não há móveis, electrodomésticos, fiação eléctrica e nem mesmo, em parte deles, torneiras.

Após a surpresa inicial, muitos agentes tentaram amenizar a situação comprando colchões, fogões, algumas cadeiras ou bancos para se sentarem, mas perceberam que não dá para continuarem a pagar tudo do próprio bolso e iniciaram os protestos.
Sem terem recebido até agora as diárias a que têm direito, estão a pagar do próprio bolso almoço e jantar e até a água que bebem, pois as ligações em muitos apartamentos ainda não foram feitas.

A ausência de recursos nos apartamentos fez nascer em frente aos edifícios populares um mercado alternativo, com moradores da região a vender aos polícias as suas próprias camas, mesas, fogões e até água. A situação pode ficar ainda mais grave nos próximos dias, pois outros 3000 militares da Força Nacional devem ser enviados para o Rio de Janeiro e, até ao momento, ninguém sabe onde os instalar.
Os protestos dos militares da Força Nacional somam-se a outros feitos por polícias da própria cidade, que estão com ordenados atrasados há meses e reclamam, além do pagamento dessas verbas, melhores condições de trabalho.

Na semana passada, agentes fizeram manifestações por toda a cidade, incluindo o Aeroporto Internacional do Galeão, porta de entrada de atletas, turistas e governantes do mundo inteiro, onde estenderam faixas em inglês na área de desembarque com os dizeres "Bem vindos ao inferno. Com a polícia sem receber e sem ter meios, ninguém está seguro no Rio de Janeiro".
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