Barra Cofina

Correio da Manhã

Desporto
3

"Quero ser o melhor de todos": A 'ginga' do judoca Jorge Fonseca conquistou o bronze nos tatamis dos Jogos Olímpicos

Judoca conquistou a 25.ª medalha portuguesa e a terceira da modalidade, após Nuno Delgado e Telma Monteiro.
Lusa 29 de Julho de 2021 às 11:02
Jorge Fonseca conquistou o bronze
Jorge Fonseca conquistou o bronze FOTO: Reuters
Jorge Fonseca conquistou esta quinta-feira o bronze em -100 kg nos Jogos Olímpicos Tóquio2020, conseguindo a 25.ª medalha portuguesa e a terceira da modalidade, após Nuno Delgado e Telma Monteiro. "Quero ser o melhor de todos", disse o judoca depois de conquistar a medalha de bronze.

O judoca do Sporting chegou ao Nippon Budokan com boas memórias da emblemática 'casa' da estreia da modalidade nos Jogos Tóquio1964. Foi onde venceu o primeiro título mundial, em 30 de agosto de 2019, quando bateu na final o russo Niyaz Ilyasov, para se tornar no primeiro português campeão do mundo da modalidade, celebrando com uma animada dança no tatami.

Jorge Fonseca foi o primeiro e também o segundo português campeão do mundo, porque repetiu o feito em 11 de junho último, em Budapeste, onde derrotou, por ippon, o sérvio Aleksandar Kukolj, depois da interrupção competitiva e do adiamento dos Jogos Olímpicos Tóquio2020, provocada pela pandemia de covid-19.

Não foi só a paragem que a doença provocada pelo novo coronavírus perturbou Jorge Fonseca. O judoca contraiu a infeção em junho de 2020, antes de integrar um estágio da seleção portuguesa e prometeu: "Continuo absolutamente determinado e focado nos meus objetivos desportivos, designadamente, na minha participação nos próximos Jogos Olímpicos de Tóquio, que, estou certo, não sairá prejudicada por este percalço".

E, apesar de ter estado três semanas em isolamento, não saiu. Hoje, o judoca nascido em São Tomé e Príncipe, em 30 de outubro de 1992, começou a jornada, depois de ter trocado o aquecimento por uma volta ao tatami a ouvir música e a cantar, com um ippon frente ao belga Toma Nikiforov, após 17 segundos de combate, avançando depois para as meias-finais ao derrotar o russo Niiaz Iliasov, num combate mais desgastante, decidido no 'golden score'.

"Vou para os Jogos Olímpicos [Tóquio2020] para fazer um grande resultado. Quero ser campeão olímpico, pode ser em Tóquio, ou a seguir, mas neste momento sinto que posso encarar os Jogos de frente, posso chegar ao pódio", frisou Jorge Fonseca, em 17 de outubro de 2019, no Palácio de Belém, em Lisboa.

O caminho acabou por ser interrompido nas meias-finais, pelo sul-coreano Guham Cho, que, por 'waza-ari', o relegou para a disputa das medalhas de bronze, frente ao canadiano Shady Elnahas, que derrotou por 'waza-ari', subindo ao lugar mais baixo do pódio, mantendo o desígnio de ser campeão olímpico, tal como anunciou na iniciativa Desportistas no Palácio, a convite do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.

Antes de partir para o Japão, em entrevista ao Diário de Notícias, Jorge Fonseca prometeu que o dia seria épico, e celebrado com um 'pimbazinho', a primeira promessa foi cumprida, a segunda impedida pela 'playlist' da organização, mas a 'ginga' estava lá.

O ritmo, muito diferente da capacidade de explosão e repentismo nos combates, está no sangue, nas suas origens, em São Tomé e Príncipe, de onde partiu para Portugal aos 11 anos, com a mãe e o padrasto, para viver na Damaia, na Amadora, onde o seu treinador e antigo judoca Pedro Soares o descobriu para a modalidade.

Um linfoma numa perna diagnosticado em 2015 foi uma das grandes contrariedades na vida -- superada com o ânimo do filho, agora com 11 anos -, enquanto não cumpre o sonho de se tornar polícia, até ao momento inviabilizado, primeiro por não ter concluído o ensino secundário, algo já ultrapassado com sucesso, mas agora devido ao limite de idade: é de 27.

Com 1,75 metros e os determinados 100 quilogramas, Jorge Fonseca hoje foi exemplar, contrastando com o 17.º lugar alcançado na estreia olímpica no Rio2016, conseguindo juntar-se ao restrito lote de portugueses com medalhas olímpicas.

Jorge Fonseca arrecadou a 25.ª medalha portuguesa em Jogos Olímpicos, a terceira de bronze do judo, depois Nuno Delgado, em Sydney2000 (-81 kg), e Telma Monteiro, no Rio2016 (-57 kg), perdurando a 'seca' de títulos olímpicos, que dura desde 21 de agosto de 2008, quando Évora saltou 17,67, no 'ninho de pássaro' de Pequim.

Jorge Fonseca Nuno Delgado Telma Monteiro Tóquio Tóquio2020 São Tomé e Príncipe
Ver comentários