Beth Dobbin tem apenas 32 anos mas já acabou a sua carreira enquanto 'sprinter'. Após ser diagnosticada com Síndrome de Fadiga Crónica, a britânica passa mais de 22 horas por dia deitada.
Há cinco anos competiu pela Grã-Bretanha nos Jogos Olímpicos de Tóquio - foi eliminada na meia-final dos 200 metros, depois de percorrer a distância em 22,85 segundos -, mas agora passa mais de 22 horas na cama. Beth Dobbin, de 32 anos, foi diagnosticada com uma Encefalomielite Miálgica (EM) - também conhecida por Síndrome de Fadiga Crónica (SFC) -, uma doença de origem desconhecida e que pode ser altamente incapacitante.
A ex-velocista (especisliata nos 200 metros) está a tentar alertar a sociedade e a comunidade médica para esta condição, que é encontrada mais frequentemente em mulheres jovens e de meia-idade, embora já tenham sido relatados casos em todas as idades e em ambos os sexos.
Beth Dobbin reconhece que nas últimas competições em que participou já mostrava sinais de que algo se passava com o seu corpo, que não estava bem fisicamente. "Depois dos Europeus (em Munique, em 2022), os sintomas pioraram", contou à BBC. "Após seis semanas, voltei a treinar. Mas apenas aguentei três (semanas)."
"Fui vista por quatro ou cinco especialistas, porque os sintomas que eu tinha afetavam várias partes do corpo. Todos me diziam 'isto é SFC, mas não queremos que seja isso porque não há cura ou tratamento'", acrescenta a ex-olímpica. Mas o temido diagnóstico acabaria mesmo por se confirmar.
Quando questionada sobre o futuro, assume apenas que "infelizmente, é muito sombrio". Hoje em dia, a ex-atleta só sai da cama para comer e usar a casa de banho. "Tenho feito coisas mínimas, como ir fazer análises ao sangue, e depois fico de cama durante meses. Por isso, dar esta entrevista, estar aqui a falar durante 30 minutos, pode ter impacto em mim em 2027", revela a ex-atleta.
Beth confessa que a doença é deteriorante de uma maneira que não consegue "descrever em palavras". "Sinto que perdi tudo. Ainda tenho a minha família, mas perdi toda a minha independência, a minha saúde, a capacidade de trabalhar, de fazer exercício".
Atualmente, vive em casa dos pais, em Doncaster, Inglaterra. A mãe assume que todos os dias se preocupa sobre "como é que ela irá estar a cada dia" e "quem é que irá cuidar dela quando nós (os pais) não o conseguirmos fazer". O pai, um antigo futebolista, assume, por sua vez, que se sente "desesperado para ajudar", mas que nada pode fazer.
Os sintomas aparecem de forma abrupta. Começa com o aumento dos gânglios linfáticos, fadiga extrema, febre e dores em várias partes do corpo. Normalmente, os pacientes apresentam também distúrbios de sono, de cognição, muita sonolência e têm a sensação de que não descansaram o suficiente enquanto dormem. Desde a pandemia de Covid-19 que o número de pessoas que apresentam os sintomas de EM tem crescido.
Segundo o site da "EM-movimento" - uma associação portuguesa que tem como objetivo promover o conhecimento e a consciencialização sobre esta doença -, estima-se que existam entre "17 a 24 milhões de pessoas em todo o mundo" com esta condição. Porém, estes números podem não ser um espelho da realidade, uma vez que a doença é muito pouco estudada e de diagnóstico difícil. É comum ser confundida com ansiedade e depressão.
Com Isabel Dantas
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