A CURTIR UMA LUA-DE-MEL

Num festival de Verão pode acontecer de tudo: bebedeiras, amuos, amizades, zangas e alegrias. Mas também começo e final de namoros ou curtes. Olga e António passaram a lua-de-mel num deles, no Sudoeste

06 de julho de 2003 às 15:00
A CURTIR UMA LUA-DE-MEL Foto: Natália Ferraz
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Agosto de 1999. António Melão 48 anos, conhecido no meio fotográfico como ‘Cameraman Metálico’, disse o sim que o uniu matrimonialmente a Olga de 42 anos, e fez as malas à pressa para partir de viagem no dia seguinte. Ao contrário da maioria dos casais, escolheu um local poucas vezes, ou nunca, procurado para uma lua-de-mel. Não foi para praias tropicais, como as da República Dominicana, de Cuba ou das Maldivas, nem optou por um destino cultural, como Itália ou França.

O itinerário estava desde logo traçado: Herdade da Casa Branca, São Teotónio, Alentejo. A praia da Zambujeira do Mar fica ali mesmo à mão, mas o interesse do casal concentrava-se acima de tudo em estar presente no Festival do Sudoeste, onde os esperava grande confusão, horas intermináveis de música e muita cerveja. “Optámos por ir ao festival porque a minha profissão obriga a estar presente nestes eventos e, como não somos apegados àquela imagem do casamento tradicional, com uma viagem para uma ilha tropical, acabámos por rumar à Zambujeira”, revela António, para quem o facto de ter passado uma lua-de-mel ‘alternativa’ não deixa de ter a sua graça. Segundo diz, “o importante é uma pessoa estar com quem gosta, seja no Alentejo ou noutro sítio qualquer, embora se conseguisse reunir condições monetárias para tal também não me importasse de passar umas férias numa ilha do Pacífico”.

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Entre os companheiros de profissão com quem ‘Cameraman Metálico’ já partilhou os mais variados serviços, ninguém estranhou o facto dele ter decidido viajar até à Zambujeira mal acabou a cerimónia, preferindo cumprimentá-lo com os habituais parabéns e votos de boa sorte para o enlace. Afinal, estranho seria que não estivesse presente no evento, até porque é uma das figuras mais populares entre os homens que fotografam as bandas, e que chama mesmo a atenção do público: “Há putos que gostam de estar comigo e me pedem autógrafos, outros que querem tirar fotos e ainda alguns que, por certo, olham para mim e devem pensar: “O que é que este gajo anda aqui a fazer?”, esclarece António Melão, antes de soltar uma gargalhada e contar a que gosta mesmo é de estar entre a “malta nova, que vai ali para beber uns copos, curtir um som e fumar uns charros”.

EU NASCI P’RÁ MÚSICA

Hoje, num regresso ao tempo em que também ele era mais novo, recorda os festivais que já teve o previlégio de presenciar, lembrando-se do seu ‘baptismo’ no Monster of Rock, em Inglaterra, o primeiro de muitos que o levaram a correr os mais diversos países, numa contabilidade final impossível de registar. Holanda e Alemanha, por exemplo, são outras nações onde assistiu a alguns grandes eventos do género, ficando apenas um ou outro por realizar. “Faltei ao Vilar de Mouros de 1982 porque não estava cá em Portugal – quando voltei só ouvia falar dos U2 –, e também não fui ao Woodstock, que é uma referência da minha geração, mas de resto creio que tenho visto quase tudo o que quero”.

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O facto de andar sempre a viajar de um lado para o outro para assistir a concertos acabou mesmo por traçar-lhe o caminho do coração. António Melão lembra que foi numa deslocação a Espanha que acabou por conhecer a sua actual mulher. Talvez, por isso, nunca estranhou a iniciativa de passar os primeiros dias de casada num festival: “Conhecemo-nos num concerto que os Rolling Stones deram em Vigo, em 1998, e a partir daí ficámos juntos, numa cumplicidade que se arrasta muito por esse campo dos sons”. Em jeito de remate final, o ‘Cameraman Metálico’ deixa um pensamento curioso: “Não deixa de ser interessante ver que vivo neste meio há muito tempo e que a música deu-me tudo, até o amor”.

TUDO PODE ACONTECER

Os festivais de Verão ainda não entraram na idade adulta e já têm muitas histórias para contar. No Carviçais Rock, por exemplo, Zé Pedro, guitarrista dos Xutos & Pontapés, aproveitou o concerto e estimulou a audiência feminina com um mini ‘striptease’ numa noite de 2001, mas as atenções do público estavam centradas na actriz Adelaide Teixeira, protagonista de uma encenação memorável. Vestida de noiva, procurava pelo seu Nândo, noivo que a abandonou 30 anos antes. Houve quem pensasse que se tratava de uma rábula para os ‘apanhados’ da TV, enquanto outros achavam estar na presença de uma doida. Doidos, contudo, ficaram os presentes numa edição do Vilar de Mouros, invadida pelos insectos. Como cantariam os GNR num momento desses, “a culpa é do mosquito”. Mas as histórias mais recambolescas tiveram lugar no Sudoeste. Na quarta edição, em 2000, Cátia Silva deu à luz uma menina no Hospital de Beja, poucas horas depois de ter estado a vender bilhetes. Um ano mais tarde, Dânia Silva, que na altura toda a gente apelidou de ‘Bebé Sudoeste’, foi baptizada em pleno recinto, mais precisamente na tenda de dança, com a festa a decorrer ao som do ‘sound check’ dos Sepultura. Como presente, a organização do festival deu-lhe um passe vitalício, para que cresca num ambiente que conhece desde o útero materno. Há dias assim. No ano desse baptismo, além de um desfile de moda que contou com a presença de novos criadores, destaque para a venda de tomate e de vinho tinto por parte de dois festivaleiros que corriam o acampamento à procura de despachar a mercadoria e, assim, ganhar alguns trocos que pagassem a deslocação. No campo musical, o evento ficou marcado pela birra protagonizada pelos Oasis e pela perna partida por Virgul, MC dos Da Weasel, que logo ao entrar em palco decidiu dar uma série de mortais, acabando por cair mal e fazer a fractura. É que, apesar da vontade, a vida de artista nem sempre corre bem.

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2003: PARA TODOS OS GOSTOS

Este Verão, os concertos são para todos. Eis o alinhamento dos principais festivais que dão outra cor às férias. De Norte a Sul do país, é só pegar na mochila e partir. A festa está já aí

DUNAS DE SÃO JACINTO

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10 DE JULHO

Death in Vegas (after hours)

Xutos & Pontapés

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INXS

Big Fat Mama

Crude

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FishBrain

11 DE JULHO

Simply Red

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Pedro Abrunhosa

Shivaree

Santos e Pecadores

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FadoMorse

12 DE JULHO

Roxy Music

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Paulo Gonzo

EZ Special

Raindogs

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Bodhisattva

18 DE JULHO

Guano Apes

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HIM

Sepultura

Planet Hemp

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19 DE JULHO

David Fonseca

Rufus Wainwright

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Blasted Mechanism

Los Planetas

Lenine

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20 DE JULHO

Public Enemy

Tricky

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The Wailers

Tomahawk

Melvins

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7 DE AGOSTO

Terrakota

Arnaldo Antunes

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Múm

8 DE AGOSTO

Primal Scream

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Jamiroquai

Suede

Blind Zero

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Toranja

9 DE AGOSTO

Skin

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Morcheeba

Beth Orton

David Fonseca

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Sly & Robbie

10 DE AGOSTO

Beck

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Beth Gibbons & Rustin Man

Moloko

Badly Drawn Boy

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Ainda sem o cartaz totalmente fechado, tem os seguintes nomes já agendados: PJ Harvey, Placebo, Radio 4, Ziggy Marley e Yeah Yeah Yeahs

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