A gueixa feminista

Uma fusão de Lucrécia Bórgia com dragão de Komodo. Eis como Yoko Ono ficará na história? Acusada de envenenar a banda mais popular de todos os tempos, foi alcunhada “a Madame Mao do pop”. Calúnia? Ao conhecer Lennon, ela era uma “performer”.

18 de novembro de 2007 às 00:00
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Uma obra dela, “Yes”, cativou o então Beatle, em 1966. Hoje com 74 anos, a arte de Ono nunca parou (o sonho acabou, mas o pesadelo continua). Exemplos? Em “Cut Piece”, o público era convidado a cortar com uma tesoura bocados da roupa da artista, até à nudez total.

No vídeo “Fly” (de excruciantes 25 minutos), contemplamos a viagem de uma mosca pelo corpo de uma mulher nua, que não se move nem quando o insecto lhe pousa nos lábios. Já “Bottom” mostra os rabos em pêlo de amigos da autora, filmados enquanto caminhavam. Há ainda a série “A Minha Mamã Era Linda”, com fotos de mamas e vaginas da respectiva progenitora (“Não percebo o choque. Saímos todos de uma vagina”).

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Yoko continua a viver no edifício Dakota, em N.I., em cuja porta John foi assassinado em 1980. Pode parafrasear Zsa Zsa Gabor: “Sou uma óptima dona de casa. Sempre que me divorcio, fico com a casa”. Nas paredes, 8 Magrittes (um deles o Governo francês tenta comprar há anos), 5 Léger e John, Sean e Ono retratados por Andy Warhol.

Ela dorme sobre um tatame, num quarto com vista para o Central Park. Recebe os convidados numa sala onde tudo é mais branco do que o Michael Jackson. Dispõe de um staff de 10 funcionários. Não sejamos picuinhas.

Oriunda de uma família abastada (filha de um banqueiro japonês que era casado com a filha de outro banqueiro japonês), Ono andou nos melhores colégios (foi colega de turma do escritor Mishima).

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Há dias, inaugurou em Reiquiavique (capital da Islândia), a torre “Peace”, com a palavra “Imagine” escrita em 24 línguas – todos os anos o monumento ficará aceso de 9 de Outubro, aniversário de Lennon, até 8 de Dezembro, dia da morte do músico.

A militância, claro, não é de agora. Certa vez, Yoko e John passaram uma semana inteirinha na cama, para pedir a paz (espertalhões!).

E ela escreveu a letra da canção “Woman Is The Nigger of The World” (algo como “A Mulher É O Escarumba do Mundo”). Mas a arte desta japonesa é uma tortura chinesa. Misoginias à parte, a obra-prima de Yoko Ono foi mesmo o seu casamento com Lennon. Bem, o cão é o melhor amigo do homem – e os diamantes os melhores amigos da mulher. Agora digam lá quem é mais inteligente.

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