As Índias Orientais na rota de Magalhães
Depois de Buenos Aires, a barca seguiu para Sul com 600 kg de ajuda alimentar para o Chile. O mau tempo no mar obrigou a esforço redobrado.
Foi uma estadia atarefada em Buenos Aires, cumpriu-se um vasto programa protocolar e recebeu-se inúmeras visitas a bordo. A Comunidade Portuguesa local recebeu de braços abertos a visita da sua ‘Sagres’. Acarinharam a guarnição! Abrilhantaram o desfile de tripulações e comunidades! E por fim, num gesto de solidariedade, reuniram apoios que o navio transportará até ao Chile: 600 quilos de leite em pó e medicamentos, que, simbolicamente, ajudarão as famílias chilenas.
Reconfortados, largámos do Rio da Prata, rumando à cidade mais austral do Mundo, Ushuaia, na Tierra del Fuego. A navegação foi pautada pelo mau tempo. Nos dias 13 e 14, os ventos fortes e a ondulação, de oito metros, levaram a barca a abrigar no golfo de San Matías. Aqui também abrigou Fernão de Magalhães quando procurava o estreito que o levaria às Índias Orientais e que hoje tem o seu nome.
Apesar das adversidades, a ‘Sagres’ passou pela Isla de los Estados, cujo farol de San Juan del Salvamento foi imortalizado por Júlio Verne como ‘Farol do Fim do Mundo’. Entrámos no canal de Beagle e atracou-se ontem em Ushuaia.
O esforço hercúleo dos nossos 150 marinheiros foi fulcral. Várias noites mal dormidas e quartos (turnos) expostos ao frio e à chuva foram necessários para aqui chegar. Largaremos nesta terça-feira para Punta Arenas, no Chile, destino final do busto de Fernão de Magalhães, que vai passar pelo mítico cabo Horn.
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