BEBÉS A UM PASSO DA FAMA
É cada vez mais usual ver os famosos a adoptarem crianças. Uma moda, ou uma nova forma de encarar a maternidade, podem explicar este súbito interesse pela adopção. Mas estes pais VIP têm a vida muito mais facilitada.
Em Hollywood, as modas surgem com o mesmo fulgor com que desaparecem. Nos dias que correm é com alguma regularidade que se conhece a intenção de algumas actrizes solteiras adoptarem uma criança. O último caso é a coqueluche da sétima arte, Gwyneth Paltrow, que está a pensar deixar a Meca do cinema, mudar-se para Londres e adoptar uma criança. Uma decisão que nunca deverá ser tomada de ânimo leve, mas que se está a vulgarizar nos Estados Unidos. Para alguns especialistas, esta nova "moda" vem mostrar que as mulheres se sentem cada vez mais confiantes para educarem uma criança sozinhas, dispensando a ajuda masculina. Mas há quem sugira que esta nova tendência está a crescer porque as actrizes, ou as mulheres executivas, não se podem dar ao luxo de passar pelos normais inconvenientes de uma gravidez, como o aumento de peso, os enjoos ou a fadiga, e encontraram na adopção a solução ideal.
Ao contrário de muitos casais que aguardam anos pela chegada de uma criança, não há dúvida de que as estrelas têm tratamento VIP e a vida mais facilitada. De forma a contornar o longo período de espera, são muitas as vedetas que se deslocam ao estado da Florida, onde as leis são mais permissivas para as celebridades. Há quem espere duas semanas a um ano pela chegada de uma criança, números que contrastam com a realidade do país, onde há pais que aguardam mais de oito anos por um filho. Além disso, este sunshine state não permite à mãe biológica mudar de ideias mal assina os papéis para a adopção, uma medida que contraria a tendência geral, já que nos restantes estados a lei "oferece" um período de 90 dias para reflexão. Até lá, a mãe biológica tem o direito de reclamar a custódia do seu filho.
Regalias à parte, a verdade é que não se pode negar a importância destas vedetas na "promoção" da prática da adopção, que aos poucos, está a ser encarada com mais naturalidade pela população em geral. Um contributo importante, que pode vir a facilitar a integração das crianças adoptadas na sociedade.
São muitos os casos de casais ou actrizes célebres que deram uma segunda oportunidade a uma criança. Conheça algumas das suas histórias:
* A actriz Calista Flockhart, de 37 anos, (também conhecida como Ally McBeal), deixou-se levar pelas batidas do seu relógio biológico e decidiu tornar-se mãe. No início de 2001, Calista recebeu de braços abertos a chegada do seu primeiro filho adoptivo, Liam, que nasceu no dia de Ano Novo. Segundo os jornais, a actriz assistiu ao parto da mãe biológica, uma enfermeira já com quatro filhos. Durante as gravações da série, (que terminaram a 20 de Maio), Flockhart teve a possibilidade de deixar o pequeno Liam na creche da estação de televisão Fox Network, o que lhe permitiu acompanhar o seu crescimento. Calista, que neste momento vive um romance com Harrison Ford, já fala na possibilidade de vir a adoptar outro filho.
* Durante as gravações do filme Tomb Raider, no Camboja, a actriz Angelina Jolie, de 26 anos, apaixonou-se por um bebé de sete meses, e com a ajuda do seu marido, o actor Billy Bob Thornton, fez os possíveis para levá-lo para os Estados Unidos. Na altura, o pequeno Maddox, era uma das 18 crianças deste país asiático que aguardavam luz verde dos serviços de adopção americanos. Quatro meses depois, no passado dia 11 de Março, Angelina e Billy Bob tornaram-se, oficialmente, nos pais de Maddox. As duas estrelas do grande ecrã adiantaram que fazem questão de educar o filho nos dois países e já andam à procura de casa no Camboja. Perante o interesse de Angelina Jolie pelos problemas sociais dos refugiados, as Nações Unidas concederam-lhe o título de Embaixatriz da Boa Vontade.
* O nome Rosie O'Donnel pode não ser familiar para alguns portugueses, mas nos Estados Unidos esta apresentadora de televisão é uma verdadeira estrela. Apesar de ser solteira, o que pode causar alguns problemas no processo de adopção, Rosie é mãe de três filhos adoptivos. Mas não é este o facto que torna a sua história peculiar. Nas últimas semanas, a apresentadora deu uma entrevista onde confessou a sua homossexualidade. Uma revelação que surpreendeu os americanos e colocou o dedo na ferida: se Rosie tivesse admitido a sua opção sexual antes de iniciar os processos de adopção, qual teria sido o resultado? Uma vez que a actriz reside na Florida, (que proíbe a adopção entre casais homossexuais), e continua interessada em ser mãe de mais uma criança, a pequena Mia, aguarda-se com expectativa o desenrolar desta história. Em declarações à televisão, Rosie mostrou-se contra a posição do presidente George W. Bush: "A sua perspectiva de família [mãe e pai, casados] está errada. Eu sou uma boa mãe e não admito que ninguém questione isso."
* No início da década de 90, o realizador Woody Allen e a actriz Mia Farrow, saltaram para as primeiras páginas dos jornais quando se descobriu o romance deste com a filha adoptiva, Soon-Yi Previn, de 32 anos. Numa viagem à Coreia, Mia e Woody não resistiram ao encanto da pequena Soon-Yi, de apenas oito anos, e levaram-na para os Estados Unidos. Mas quando a actriz descobriu fotos pornográficas de Previn, ainda adolescente, as duas estrelas deram início a um longo processo judicial. Resultado, Allen ficou impedido de visitar o filho biológico, Satchel, e a pequena Dylan. Em 1997, o realizador e Soon-Yi casaram e, dois anos mais tarde, resolveram adoptar uma criança. Recorde-se que Mia Farrow tem a seu cargo mais de 14 filhos - dez são adoptados - e ficou perplexa face à possibilidade de Woody poder adoptar uma criança, já que está proibido de participar na educação dos outros dois filhos: "Realmente, quando se é uma celebridade, consegue-se tudo", lamentou a actriz.
Na lei portuguesa, a adopção é um vínculo que se estabelece entre duas pessoas, à semelhança da filiação natural, mas independente dos laços de sangue. Este vínculo constitui-se por sentença judicial proferida em processo que corre no tribunal de Família ou de Comarca. Se está a pensar adoptar, o melhor é dar uma vista de olhos aos requisitos legais:
* Deverão apresentar-se reais vantagens para o menor a adoptar;
* A adopção deve fundar-se em motivos legítimos;
* Não deve envolver sacrifício injusto para os outros filhos de quem adopta;
* Permite supor que, entre o menor e quem o quer adoptar, se estabelecerá um vínculo semelhante ao da filiação;
* O adoptando deverá ter estado ao cuidado do adoptante durante tempo suficiente para se poder avaliar da conveniência da adopção;
* Não podem várias pessoas adoptar a mesma pessoa, excepto se quem adopta é um casal.
* Adopção Plena (não pode ser revogada nem por acordo das partes).
* Adopção Restrita (pode ser revogada se os pais adoptivos não cumprirem os seus deveres).
* Regime Transitório.
* Duas pessoas casadas, há mais de quatro anos, e não separadas judicialmente de pessoas e bens ou de facto, se ambas tiverem mais de vinte cinco anos.
* Quem tiver mais de 30 anos ou, se o menor a adoptar for filho do cônjuge de quem quer adoptar, tiver mais de 25 anos.
* Quem não tiver mais de 50 anos à data que o menor lhe tenha sido confiado, salvo se o menor a adoptar for filho do cônjuge do adoptante
* Excepcionalmente, quem tiver menos de 60 anos à data que o menor lhe tenha sido confiado, desde que não seja superior a 50 anos a diferença de idades entre quem adopta e o menor ou, pelo menos, entre este e um dos cônjuges que vai adoptar.
Todos os candidatos são sujeitos a um estudo que analisa a sua condição social e
psicológica, num processo que demora cerca de três anos.
Onde se dirigir se pretende adoptar:
Organismo de Segurança Social da área da sua residência
Santa Casa da Misericórdia / Largo Trindade Coelho / 1200 Lisboa
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