COMPUTADORES EM VEZ DE BONECAS
Um ecrã, um teclado e um rato têm mais fascínio que as bonecas ou a bola. Os computadores chegaram aos jardins-de-infância alentejanos
No jardim-de-infância da freguesia de Canaviais, em Évora, a grande atracção dos mais pequenos
é o novo computador. Colorido, com um teclado grande e apropriado para o tamanho das crianças, esta ‘máquina’ depressa se tornou no objecto mais concorrido da sala.
“Quando o equipamento chegou foi uma alegria para os miúdos. As meninas levaram logo o banco do computador para a casinha das bonecas e os rapazes mexiam em tudo”, lembrou a educadora responsável, Maria Adelina.
O computador ‘KidSmart’, envolvido num módulo fabricado pela Little Tikes e composto por um diversificado software educativo produzido pela Edmark, chegou a este estabelecimento em Fevereiro. Pelo Alentejo foram ainda distribuídos pela IBM Portugal, equipamentos idênticos por mais 23 infantários, metade dos quais no distrito de Portalegre e outros tantos no concelho de Évora.
A diversidade de programas educativos, os sons, as cores e os bonecos animados fizeram as delícias dos mais pequenos que dispensaram até grandes ‘apresentações’ a esta coisa surpreendente da informática. Desde então, os mais pequenos andam radiantes e chegam mesmo a esquecer, por instantes, as brincadeiras com as bonecas, com os carrinhos e, até mesmo, com a bola.
MARAVILHOSO MUNDO NOVO
Catarina Pinto, de cinco anos, uma das 25 crianças que frequentam o jardim-de-infância de Canaviais, jura que gosta mais do computador do que brincar na casinha das bonecas. E explica: “Fazemos desenhos, pintamos, jogamos e ouvimos música”.
O único problema é, afinal, não poder exercer a vontade de monopólio: “Não me deixam é estar lá mais tempo”.
Cláudia Amado (cinco anos) e Manuel Alexandre (seis anos) não têm dúvidas sobre quais as suas preferências informáticas. Do que gostam mesmo é de brincar com os “jogos, ver os animais, carregar nos botões e ouvir os barulhos”.
No entanto, para os responsáveis pela implementação deste projecto, brincar é apenas um complemento do principal objectivo deste programa educacional. O mais importante é que as crianças, durante as brincadeiras no computador, aprendam a manusear o rato, a escrever no teclado e percebam a utilidade das novas tecnologias. Um momento lúdico que, assim, lhes pode servir para a vida.
O próximo objectivo deste projecto, que resultou de uma parceria entre a IBM Portugal, a Universidade de Évora e a Associação de Profissionais de Educação do Norte Alentejo (APENA), passa pela ligação em rede de todos os jardins-de-
-infância que receberam o KidSmart. Os outros infantários do interior do País ficam também a aguardar pelo computador ‘crianças espertas’.
KID SMART EM TRÊS MIL ESCOLA
O programa KidSmart foi lançado pela IBM em 1998 nos Estados Unidos. Nos últimos anos foi implementado em três mil escolas de 250 cidades de diversos países.
No caso do projecto português, a companhia distribuiu gratuitamente 26 unidades em 24 jardins-de-infância de Portalegre e Évora ( 509 crianças e 38 educadores). Este ano o programa estará em funcionamento em mais
23 países europeus e sul-africanos. Um estudo da Fundação Educativa de Bank Street College revela que 94 por cento das crianças participantes mostraram índices elevados de descontracção e de motivação durante o período escolar. Os professores confirmam que 99 por cento dos alunos reagem com maior à vontade em classes que adoptaram o KidSmart.
FALTA SOFTWARE WM PORTUGAL
Dois dos principais impulsionadores deste projecto em Portugal, Ana Artur, docente da Universidade de Évora, e Francisco Pacheco, da ANECA, começaram a trabalhar neste programa há cerca de um ano.
“Do anterior Governo ficou por fazer a informatização dos jardins-de-infância, já que as escolas do ensino básico tiveram todas computadores com ligação à Internet. Tivemos conhecimento deste projecto de aprendizagem e a IBM disponibilizou-se a implementar este programa”, sublinhou Francisco Pacheco.
Estas duas entidades passaram a desenvolver acções de formação para os educadores e, neste momento, estão a desenvolver um estudo sobre os primeiros dois meses de actividade. “Ainda é cedo para fazermos um balanço do projecto mas, durante as formações, os educadores transmitem-nos informações positivas”, indicou Ana Artur.
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