DOSE DUPLA: MAIS GÉMEOS PORTUGUESES
Tiago e David Nunes são os seus nomes. Pelas semelhanças óbvias não é difícil adivinhar que são gémeos. E bonitos. Depois da popularidade dos gémeos Guedes e Stilwell, chegou a vez dos manos Nunes?
À primeira vista, nota-se que não têm aquele ar comercial, que agrada a “gregos e troianos”, dos já famosos manos Guedes. Por isso não é de estranhar que tenha sido a DXL Models, agência de manequins de Nayma Mingas e David Simões – conhecidos pelos seus modelos “alternativos” – a ‘lançarem’ estes dois jovens nos circuitos da moda nacional. Tiago e David Nunes têm 19 anos, andam nestas andanças há cerca de um ano e meio, mas já não querem passar sem os desfiles ou sessões fotográficas, a tal ponto se enquadraram no novo contexto. Já deram um ‘pezinho’ em desfiles da ModaLisboa ou do El Corte Inglés, fizeram comerciais de televisão e até experimentaram uma temporada de ‘castings’ em Milão.
Isto só para lhes aguçar o apetite. Porque eles não querem parar… Ao mesmo tempo que estudam Arquitectura Paisagística no Instituto Superior de Agronomia, aproveitam os tempos livres para o novo mundo que agora começam a desbravar. “Trocas e baldrocas” Tiago é o mais novo, já que foi ele o primeiro a soltar o choro saudável que qualquer mãe espera mal dá à luz o seu filho. Cinco minutos depois nascia o David. 'A fórmula ‘dois em um’. Na moda a imagem de gémeos parece funcionar. Ricardo e Pedro Guedes, da Central Models, foram os primeiros portugueses a desbravar a moda em dose dupla.
Entre variadíssimos trabalhos de destaque nacional ou internacional – como por exemplo as campanhas internacionais para Tommy Hilfigger e Michiko Koshino, ou os desfiles para nomes sonantes como Vivienne Westwood, Lanvin ou Valentino –, até foram capa da conhecida WallPaper (tal como vieram ao mundo) e juntos têm feito uma carreira que rapidamente os transformou em figuras públicas. O mesmo se passou com as irmãs Stilwell que, apesar de menor notoriedade no universo ‘fashion’ (e também de, recentemente, se terem retirado do circuito profissional), não deixam de ser uma referência no panorama dos reflexos de uma imagem que, ao que tudo indica, vale a pena ver repetida. Curiosamente, existem outros dois irmãos na moda que, não raras vezes, são confundidos como se fossem gémeos: Hélder e Romeu Sousa, da Elite, têm cinco anos de diferença entre si mas as semelhanças são de tal ordem que poderiam muito bem passar por gémeos.gualzinho ao irmão.
Em bebés, havia alturas em que a mãe dava de mamar a um dos gémeos e, depois de um intervalo, voltava distraidamente a pegar no mesmo. A confusão seria total, não fosse um sinal de nascença na barriga de David e alguns códigos habituais nestas ocasiões. “Nós tínhamos sempre coisas diferentes, para nos distinguirem”, esclarece David. “A xuxa, os sapatos…”, completa o irmão. E desatam os dois a rir, em uníssono, enquanto recordam (mais) uma história do passado. “Eu tinha dois anos e andávamos sempre de sapatos diferentes: eu usava uns azuis e o Tiago uns castanhos. Mas eu embirrava e queria usar os mesmo que ele… para ser igual”, reforça David. A birra era de tal ordem que a mãe, para o satisfazer, trocava os pares e cada um usava sapatos das duas cores.
Não se perdiam as referências para os identificar e, assim, ficavam todos contentes. Hoje, mais crescidos, recordam a alegria dos tempos em que faziam questão de ser a fotocópia um do outro. “Éramos um bocadinho estúpidos”, começa Tiago, divertido. “Até que percebemos que ficávamos com muito mais roupa se comprássemos coisas diferentes e fossemos trocando”. Já no que se refere a namoradas, os gémeos Nunes não primam pelas histórias de “trocas e baldrocas” usuais entre manos iguais. Além de não serem mulherengos, essas “coisas” de namoradas é uma novidade recente e, ao que tudo indica, não lhes alicia a ideia de partilharem o mesmo amor.
Dialecto de gémeos Não é só a sabedoria popular que confirma o chavão que diz que entre dois gémeos, tem que haver sempre um líder. Não receando que um se sobreponha ao outro, os manos Nunes até já encontraram uma “fórmula” para enfrentar a questão. “Há alturas em que varia. Agora até posso ser eu o líder, por ter mais iniciativa e puxar mais pelo meu irmão…”, começa a explicar David. Mas o Tiago interrompe uma vez mais, acrescentando sempre qualquer coisa, o que leva a questionar se – neste caso – será fácil identificar um mais “forte”. Afinal, são os dois “tagarelas” e completam-se de tal modo que é difícil imaginar alguma discordância – ou até preponderância - entre ambos.
Como os próprios reforçam, estão tão habituados a serem vistos em conjunto que quase não lhes passa pela cabeça viverem sem o seu reflexo por perto, como se se tratasse de um ‘alterego’. E, de conversas que recordam com outros gémeos, “todos dizem o mesmo”. E todos contam histórias semelhantes. Como aquela que aconteceu aos siameses Nunes, quando eram pequenos. Um deles partiu a cabeça, foi parar ao hospital e, quando estava a ser cosido, o outro acordou – em casa - a chorar . Motivo? Dores de cabeça. Exactamente no mesmo sítio onde o irmão hospitalizado sofrera um golpe profundo… Numa outra altura, já mais crescidinhos, foram acusados por um professor do liceu de terem copiado, um pelo outro, num teste.
Nada de estranhar porque, como em várias outras circunstâncias da vida, pensavam e faziam exactamente o mesmo, ainda que estivessem separados. Ou outra situação ainda, em que recordam a posição fetal como a única em que os dois conseguiam dormir – “tal como estávamos na barriga da nossa mãe – de frente um para o outro.” Mas há mais. David lembra-se muito bem que em pequenos a linguagem que usavam entre si era raras vezes descodificada por terceiros. “Era como que um dialecto, uma barreira que montávamos à nossa volta e ninguém percebia nada do que dizíamos”, esclarece David. E, quem não acreditar, rapidamente dissipa qualquer dúvida sobre a ligação mais-do-que-genética que xiste entre estes irmãos. Basta olhar para eles ou vê-los falar distraidamente para perceber que os laços que os unem estão muito para além do sangue que lhes corre nas veias.
A fórmula ‘dois em um’
Na moda a imagem de gémeos parece funcionar. Ricardo e Pedro Guedes, da Central Models, foram os primeiros portugueses a desbravar a moda em dose dupla. Entre variadíssimos trabalhos de destaque nacional ou internacional – como por exemplo as campanhas internacionais para Tommy Hilfigger e Michiko Koshino, ou os desfiles para nomes sonantes como Vivienne Westwood, Lanvin ou Valentino –, até foram capa da conhecida WallPaper (tal como vieram ao mundo) e juntos têm feito uma carreira que rapidamente os transformou em figuras públicas. O mesmo se passou com as irmãs Stilwell que, apesar de menor notoriedade no universo ‘fashion’ (e também de, recentemente, se terem retirado do circuito profissional), não deixam de ser uma referência no panorama dos reflexos de uma imagem que, ao que tudo indica, vale a pena ver repetida.
Curiosamente, existem outros dois irmãos na moda que, não raras vezes, são confundidos como se fossem gémeos: Hélder e Romeu Sousa, da Elite, têm cinco anos de diferença entre si mas as semelhanças são de tal ordem que poderiam muito bem passar por gémeos. As manas Stilwell fizeram carreira na moda nacional também pelo facto de trabalharem em dupla. Os Guedes viram a sua fama ultrapassar fronteiras e até tiveram direito a honras de capa na famosa revista “Wallpaper”. Pormenor: apareciam os dois tal como vieram ao mundo...
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt