E SE OS POMBOS NÃO MORREREM

A obra ‘Cartas a um Jovem Poeta’ de Rainer Maria Rilke e os poemas de António Franco Alexandre servem de ponto de partida para uma peça original.

07 de dezembro de 2003 às 00:00
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Na passada quinta-feira, dia 4 de Dezembro e precisamente no dia em que se assinalou o aniversário de nascimento do malogrado poeta e ensaísta Rainer Maria Rilke (1875-1926, nascido em Praga), o encenador Jean Paul Bucchieri estreou, no quartel da Graça, em Lisboa, um espectáculo sobretudo poético intitulado ‘E se os pombos não morrerem’, baseado na mais popular obra de Rilke, ‘Cartas a Um Jovem Poeta’. “Para começar, tiramos todo o lado narrativo das cartas. O que é relevante é o espaço. O público é completamente livre de fazer o seu percurso”, conta o encenador. É que este espectáculo prima pela originalidade. “Temos sete salas e em cada sala um actor confronta-se com a sua cena. Não há um guia. O público entra e pode espreitar todas as salas, voltar áquela que mais o marcou...”, acrescenta Jean Paul Bucchieri, um homem ligado às artes cénicas e que se considera completamente “apaixonado pelo espaço em que estamos a trabalhar”. Quanto a António Franco Alexandre, autor de poemas na sua maioria compilados pela Assírio & Alvim, o encenador frisa: “este poeta remata, de alguma forma, o trabalho. É diferente do Rilke, mas há um complemento”.

Adriana Aboim, Ana Lacerda, Cláudio Silva, Diogo Bento, Eleonore Didier, John Romão e Miguel Loureiro são os actores responsáveis pela ‘captação’ da atenção dos vários públicos. Porque são eles que desfilam pelas salas e que, durante duas horas respiram, em jeito de teatro, poesia. Paulo Gaio Lima acompanha-os no violoncelo e Paul Wakabayashi na viola.

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Outro aspecto a realçar é o combate à solidão. Rilke foi um viajante e uma criança traumatizada que, até aos cinco anos, era vestido de menina (a mãe havia perdido uma filha pouco tempo antes). Era homossexual assumido numa sociedade do início do século XX e, apesar disso, casou e teve uma filha. Conviveu com o meio intelectual francês, conhecendo, entre outros Cézanne e Rodin. “Mas Rilke procurou, sempre, combater a solidão”, saliente o encenador, prosseguindo: “E, neste espectáculo, pretendemos que isso aconteça, que o público escolha o seu próprio percurso, tal como acontece na vida. Gostava que as pessoas entrassem aqui e entrassem dentro das cenas, esquecendo a falta de tempo e ausência de espaço que o quotidiano oferece”.

Quartel da Graça, Largo da Graça, Lisboa; De quinta a segunda, e das 21h30 às 23h30; Em cartaz até 21 de Dezembro.

Ingressos: e 7,50 (descontos para jovens, séniores e profissionais do espectáculo)

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Reservas: 91 791 10 11 (entre as 14h00 e as 21h30)

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