Edson Athayde: “Recessão sem coração”
É o slogan que o publicitário diz melhor descrever o estado actual do País. O homem que revolucionou os anúncios dedica-se agora à escrita, mas aprendeu a “nunca dizer nunca” à publicidade.
Edson das Neves Athayde nasceu no Rio de Janeiro, Brasil, em 1966. Começou a trabalhar em publicidade aos 17 anos e aos 21 chegou a Portugal para ser copy junior na agência Young & Rubicam. Em dois anos chegou a vice-presidente e coleccionou prémios de publicidade. Fez parte do governo de Guterres.
Nos últimos meses, Edson Athayde escreveu um romance em Guimarães, a convite da Capital Europeia da Cultura. As ilustrações e fotos do livro foram escolhidas em concurso. É mais uma faceta de um criador versátil, que deixou em stand by a muito bem sucedida carreira na publicidade.
Com a vida dividida entre Lisboa, Barcelona e o Rio de Janeiro, Edson é pouco dado a rotinas. Cronista hábil, tem no Tio Olavo uma personagem que pinta de humor e sapiência os seus textos. Cansado de tanta conversa sobre a crise, diz que o ministro Vítor Gaspar precisa de melhorar a imagem.
A resposta escolhida surge a sublinhado
- Disse numa crónica recente sentir-se "Imerso num sem número de notícias económicas e debates estéreis sobre a taxa de imposto correcta a aplicar sobre o sexo dos anjos". O que deveríamos então discutir?
a) Formas de convencer o mundo de que o País não vai acabar amanhã
b) Se calhar devíamos discutir menos e trabalhar mais
c) O caminho que nos trouxe até aqui, para não o repetir
- Que anúncio televisivo actual o deixa a pensar, gostava de ter tido esta ideia?
a) O da Optimus com o maestro Vitorino de Almeida na aldeia de Montalegre
b) Os sketches dos Gato Fedorento para o Meo
c) A Soraia Chaves a fazer de sereia para a Vodafone
d) Outra hipótese: Há sempre coisas boas no ar, mas não cultivo o hábito de invejar o trabalho dos outros
- A frase é sua: "Sou um português-brasileiro. No Brasil sou mesmo português pelo sotaque, para eles é portuguesíssimo". Que sentimento tipicamente português descobriu em si?
a) A capacidade de ter saudades das pessoas, dos sítios, das vivências
b) Algum queixume e maledicência, que habitam em todo o português
c) A convicção que as coisas se hão-de resolver, nem que seja à última hora
- Chegou a Portugal em 1991. Qual a maior mudança que regista nos portugueses?
a) Perderam o medo do ridículo e aprenderam a rir de si próprios
b) São hoje um povo muito mais aberto à novidade e à mudança
c) Os hábitos consumistas tornaram os portugueses mais burgueses
- Diz que há três aeroportos em que se sente em casa quando chega de uma viagem prolongada: o de Lisboa, o do Rio de Janeiro e o de Barcelona. Viver entre três países é?
a) Uma canseira indescritível, pelo que penso ficar em Portugal por uns tempos
b) A maneira que encontrei de evitar a saturação
c) Estou bem nestas três cidades, em diferentes momentos e circunstâncias
- Ajudou António Guterres a chegar a primeiro-ministro com o slogan ‘Razão e Coração’. Hoje, que frase descreveria o estado do País?
a) Um aperto no coração
b) Razão sem tostão
- Que político português precisaria de uma urgente operação para melhorar a sua imagem?
a) Vítor Gaspar, que fala como se os seus interlocutores fossem criancinhas
b) António José Seguro, que de seguro só tem o nome
c) Cavaco Silva, campeão de gaffes e frases inoportunas
- Que personalidade histórica portuguesa gostaria de juntar com o seu Tio Olavo, a voz sapiente das suas crónicas, num serão prolongado de conversa afiada?
a) Afonso Henriques, o fundador de toda esta balbúrdia
b) D. João II, que empurrou Portugal para fora das suas estreitas fronteiras
c) D. Pedro IV – que foi rei de Portugal e do Brasil e que viveu com o coração dividido entre os dois lados do Atlântico
- Depois da publicidade, tem-se dedicado à escrita. Porquê esta mudança?
a) Na verdade sempre escrevi, mas percebo que me associem aos anúncios
b) Chega um momento em que nos cansamos de vender produtos e queremos só partilhar ideias
c) Nunca direi nunca à publicidade, mas agora estou noutra
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