"Estive sempre à procura da subversão"

A mesa frágil, onde projectou o histórico programa televisivo 'Zip-Zip', range acotovelada por Raul Solnado. Na véspera, o actor teve a rodar, até às 04h00, o filme 'América!' - de João Nuno Pinto e com argumento, também, de Luisa Costa Gomes. Aos 79 anos, promete regressar à TV e rádio com as Produções Ficticias.

14 de dezembro de 2008 às 00:00
"Estive sempre à procura da subversão" Foto: João Miguel Rodrigues
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Ainda que não me possa falar do seu papel no filme ‘América!’, como está a ser produzido?

No filme participam actores russos, chineses, africanos, brasileiros, espanhóis e portugueses. E tudo se passa na Cova do Vapor [Almada]. A história é sobre imigração – esta gente que vem de certos países, com máfias que os perseguem e lhes tiram dinheiro. Apreendem-lhes os passaportes...

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Reeditou agora o CD d’A História da Minha Ida à Guerra de 1908’; tem saudades de humor diferente dos ‘Contemporâneos’, Gato Fedorento ou de Herman José?

Não posso dizer isso. Aquele tempo era aquele tempo, este tempo é este. Os códigos são outros. Naquele momento havia 30 mil alunos e, agora, há 300 mil. Há um riso de maior qualidade.

E, por isso, os humoristas conseguem fazer rir com mais facilidade?

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Como em todas as actividades: uns são bons, outros excelentes e, outros, mais ou menos.

Qual era o truque que usava para fazer uma plateia rir?

Não faço ideia nenhuma. Estou a falar a sério. 

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Na ‘Guerra’, o Raul tem um jeito próprio de falar e, muitas vezes, era disso que as pessoas riam...

Aquilo era um personagem. Como a crítica no Brasil disse: era o homem perplexo. Não sou propriamente eu.

Foi à guerra?

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A Guerra Colonial foi uma das grandes tragédias portuguesas. Eu fui lá trabalhar quatro vezes para os nossos militares. As frases da ‘Guerra’ aplicavam-nas no seu quotidiano. Havia um tiro de canhão e, diziam eles, “não batam com as portas”. Por isso, eu era uma pessoa não querida por uma determinada esquerda, que achava que estava a fazer um serviço ao anterior regime.

Conseguiu fugir à censura com estas rábulas...

Consegui, por milagre. A censura estava dividida em duas partes. Na primeira, mandávamos os textos e eles iam cortando – o famoso lápis azul. E no teatro, uns quatro ou cinco senhores visualizavam, depois, se aquele tique era bom, se a senhora tinha a maminha bem composta, se a pernoca estava como deve ser. Acontece que este texto da ‘Guerra’ é praticamente todo “non sense”. Se a gente começar no meio, ninguém percebe rigorosamente nada. E eles não entenderam nada. Até porque o texto dizia: “entra o Cantiflas e disse.” Era para os baralhar. Eles achavam que era o Cantiflas e, a partir daí, tudo passava.

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Era um homem subversivo ou tentava ser um actor à procura da subversão?

Isso é uma bela pergunta... Eu acho que era subversivo. Estive sempre à procura da subversão. Construir um teatro era uma subversão, porque estreei o Teatro Villaret – que eu fundei, em 1965 – com ‘O Inspector-Geral’, de Gogol.

E a censura?

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A censura não podia aceitar aquilo. Na lei, os teatros só podiam ter dois metros abaixo do solo. Eu fiz uma quantidade de metros abaixo. E convidei, no dia da estreia, o Governo para assistir ao espectáculo. Estava autorizado.

Com quem se dava no Governo?

Dava-me com um homem que se chamava [César] Moreira Baptista. Ensinou-me como poderia fazer todas essas habilidades. Ele era marcelista.

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E o Raul, era politizado?

O Partido Comunista não me interessava. Por outro lado, o meu primo era comandante da LUAR [Liga da União e da Acção Revolucionária] e sempre me dizia: “não te mexas. És mais útil assim.” E eu segui isso.

Ganhou muito dinheiro com as rábulas da ‘Guerra’?

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Quem grava um disco ganha, em média, dez ou 11%. A mim, deram-me 2%. Eu não me importei. Agora, tive foi trabalho no Brasil e fama em Portugal.

Por isso foi para o Brasil?

Em 58, fui fazer uma revista no Rio de Janeiro. Foi um grande fracasso. E eu também. Depois, vim para Portugal em terceira classe [no avião]. Mas logo o comissário me pôs na primeira. Vá lá.

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Ele reconheceu-o?

Por acaso reconheceu. O disco chegou mais tarde ao Brasil e esteve semanas no top. Andava toda a gente atrás de mim para eu ir ao Brasil. Vinham tipos da televisão para me convidarem. Mas eu não podia ir. Só voltei em 67.

É coincidência que a sua primeira mulher, Joselita Alvarenga, seja brasileira?

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Não tem nada a ver. Quando eu fui para o Brasil já estava casado. Ela era actriz numa companhia brasileira que chegou aqui. E eu fui assistir a um espectáculo seu, depois conheci-a.

É a mãe dos seus filhos José Renato e Alexandra. Teve mais um filho com uma dinamarquesa.

Porquê só estrangeiras?

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Calhou. Mas tenho muita pena que não haja nenhuma portuguesa como mãe.

 

Como mãe!? E companheira?

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Como era o seu relacionamento com as mulheres? Sei que a sua mãe morreu cedo...

Eu sempre gostei muito de mulheres e sempre gostei muito das mulheres. Um psicanalista pode dizer que ando atrás da minha mãe. Pode ser, não sei.

 

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Era um ‘bon vivant’?

Sim, sim. Fui um homem da noite.

Frequentava os cabarés...

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Cabarés não. Nunca gostei de cabarés.

Mas trabalhou no Maxime?

Comecei por trabalhar no bar Maxime.

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E não era um cabaré?

Era um cabaré – estava a nascer.

Essas mulheres encantavam-no?

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Elas encantavam. Eu é que não as encantava muito.

O que lhe faltava? As mulheres gostam de homens com sentido de humor. E isso tem!

Eu sempre fui feiinho e, talvez, um pouco desajeitado. Não, mas não eram derrotas atrás de derrotas.

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E, hoje, vive sozinho...

Deixa-lhe alguma mágoa?

Ficou tudo, um pouco, dissolvido. Porque o Mikkel está, com a mãe, na Dinamarca; a Joselita vive com o seu filho; e, realmente, não tive essa capacidade de reunir uma família e de a ter comigo. Tenho muita pena. Eu entendo que, realmente, a unidade é a família.

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O que é que lhe faltou?

Não sei. A nossa carreira é muito atribulada. Os meus filhos queixam-se que fui mau pai. Têm toda a razão. Eu fazia duas sessões à semana e três ao domingo. Nunca jantava com eles. E, quando eles acordavam, eu estava a dormir.

Nunca desejou que eles fossem para o teatro?

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Eu sempre desejei que eles fossem felizes.

A sua carreira teve muitos aplausos, sem dúvida. O Villaret não foi um dos pontos baixos?

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Esse não. Eu acho que o Villaret é uma parte da minha vida conseguida. Construí o teatro, construí um reportório com qualidade. E consegui pagá-lo. Depois saí, o meu projecto não era ser empresário.

 

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Mas perdeu muito dinheiro?

 

Perdi, mas isso não me é importante.

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Em que circunstâncias saiu do Villaret?

 

Saí do Villaret porque chegou a revolução. As revoluções, como você sabe, não são a noite de Natal. Em Portugal, só se fazia teatro de comédia, porque a censura não autorizava mais nada. Naturalmente – e ainda bem, – nasceram grupos de teatro independente. E a comunicação social foi insinuando que aquele teatro de comédia era fascista, portanto, foi morrendo. Até hoje. Em Portugal, praticamente, não há teatro de comédia. Madrid está cheia de teatro de comédia.

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Como se explica que hoje não haja teatro de comédia se a televisões vivem uma guerra entre Contemporâneos, Gato Fedorento...

 

O problema do teatro é que deixou de ter empresários. Não há uma escola de teatro média – que havia, evidentemente.

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Na televisão há cada vez mais actores emergentes; como avalia isso?

Em todo o Mundo. Há uns que entram, depois saem. Entram outros, depois saem. Mas poucos ficam.

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Que qualidade têm essas telenovelas?

 

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A qualidade das novelas melhorou muito, em muitos aspectos. Até nas representações. Porque há uns miúdos que já têm uma cultura de representação – porque vêem representar desde crianças. Agora, o problema é o seguinte: depois vão para o teatro e as coisas já não correm muito bem. No teatro, nós temos que representar com o corpo todo. E na televisão não é bem assim. O teatro é uma exposição muito violenta.

 

A sua neta Joana pertence a essa geração; acha que ela podia aprender mais no Brasil a fazer novelas?

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Ela é determinada. Ela gosta é de estar em Portugal. Quando ela vai para o Brasil muda de sotaque rapidamente, porque ela passou lá muitas férias com a avó. Ela pode ser uma brasileira. Mas, na novela [“Como uma onda”], ela recusou-se a falar com sotaque brasileiro. Eu, pessoalmente, tenho uma grande gratidão no Brasil porque aprendi muito lá. Acho que ela é uma excelente aluna, ela ‘bebe’ tudo.

 

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As histórias da ‘Guerra’ eram de origem espanhola; quais são os países com um humor parecido ao nosso?

 

Os espanhóis. Apesar de que, em Espanha há muito humor e na história do humor português não há muito.

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Porquê?

 

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Havia a escola de teatro de revista, que era boa, mas que nunca passou muito disso. Agora há as Produções Fictícias, que são profissionais, são vários e desenvolvem um grande trabalho. Mas nessa altura não existiam.

Aos 17 anos os amigos levaram-no para o teatro amador na Sociedade Guilherme Cossoul...

Foi o José Viana, Jacinto Ramos, Varela Silva – gente que, por acaso, foi para o Conservatório. Malta da esquerda.

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O Raul não fez o Conservatório?

Estive lá uma noite. Aquilo era chatíssimo. Eu não quis perder tempo.

Como é ver partir alguns amigos?

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Por cada amigo que parte é um bocado de vida que sai de nós.

Ainda há poucos dias despediu-se de António Alçada Baptista.

Ficará sempre ali [numa moldura].

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Sente-se um resistente da vida?

Não. Sinto-me amabilizado e fiz metade daquilo que pretendia fazer – o que acho muito. Estou contente por isso.

Gostava de continuar activo até que as forças o permitam?

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Sim, não gostava era de morrer _no palco como muita gente diz. Quero morrer numa cama, confortável, quentinho.

 

Deixar uma imagem digna de si.

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Quero morrer com grande dignidade.

Acaba por ser o fim do ‘palco da vida’, portanto, tem que ter palmas...

Com palmas é bom. Isso é uma ideia que eu não tinha tido. Mas gosto.

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Queria falar-lhe também de Fialho Gouveia; começaram por fazer o ‘Zip-Zip’, o primeiro dos vossos sucessos; como é que o viu partir?

Mal. Eu não esperava nada que ele morresse assim. Fez-me muita falta. Tínhamos um humor complementar. O humor já é raro, agora um humor complementar nunca mais se encontra.

Conseguiu encontrar alguém tão perfeito?

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Não. Ele faltou-me completamente.

 

A propósito do ‘Zip-Zip’, falo-lhe de Carlos Cruz; surpreende-o que o Ministério Público considere provados alguns crimes de abusos sexuais no caso Casa Pia?

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Sim, surpreendeu-me. Eu estive no tribunal, fui testemunha dele, e disse que não acreditava [na acusação], não por razões intuitivas ou de amizade. Ele era um todo-poderoso. Em todos os aspectos: rico, o sr. televisão... não precisava de nada disso. Perguntava-me eu: como é que aquele homem ficou dependente daquilo tudo? Não pode ser.

Sente-se constrangido em falar com ele sobre isso?

Sinto. Primeiro porque acho que a pedofilia é terrível. Destrói as crianças. Segundo, o Carlos Cruz era um grande profissional. E acho que são cinco anos que, de alguma forma, o marcaram.

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O que mais o desiludiu na vida?

 

Muita coisa, como não podia deixar de ser. Amigos que falharam – afinal não queriam a amizade, mas outras coisas. Mas também não tenho grande razão de queixa.

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Passou por muitas casas de teatro porque esse sempre foi o seu maior prazer; como vê o estado do teatro em Portugal?

Neste momento, não há empresários. Há uns grupos e eles não promovem os seus actores. Às vezes põem os nomes dos actores, no cartaz, por ordem alfabética. Eu acho que isso só facilita os medíocres. Acho que um actor tem que ter ambição.

O Raul quis sempre ser reconhecido em toda a parte que fosse?

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Quis. Lutei para isso, evidentemente. Eu acho que isso é também ser actor.

Empenhou-se numa causa social, com uma dimensão colossal, que é a Casa do Artista; aquele sempre foi um projecto seu...

 

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Não, não. Era uma ideia minha que, depois, um grupo pôs de pé. E eu apenas sempre os apoiei, mais nada.

Queriam dar alguma dignidade aos artistas?

 

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Quisemos sempre. E temos conseguido. A classe foi sempre maltratada pelos poderes. Antigamente os actores não tinham grande prestígio. Quando eu comecei, lembro-me, que se dizia “escondam as pratas que vêm aí os cómicos”. E pensavam que nós dizíamos quatro patetices e ficávamos ricos. Não há nenhum actor rico, em Portugal. Não existe, com o seu trabalho.

 

Os Gato Fedorento ganham muito dinheiro; Herman José também ganhou...

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Mas não dinheiro que eles ganhem para toda a vida. Um ou outro actor cai, ou vai embora, ou já não é preciso. Por exemplo, nas novelas eles ganham muito relativamente bem, mas depois ficam dois anos sem trabalhar.

Fez o seu pé-de-meia?

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Fiz. Não sou rico, nem sou pobre, que é o que eu desejava.

E pensa ainda em investir?

Não, nada.

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Escreveu para as Produções Fictícias?

Nunca. Agora estou a fazer um trabalho com eles.

Qual é esse trabalho?

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Não vou dizer ainda. É para televisão e também para rádio.

E o Raul vai aparecer?

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