Filmes e música de casamento marcado

E se as curtas e longas acordassem na mesma cama dos concertos embrulhados em amenas cavaqueiras sobre cinema? Tanta cumplicidade nestes dias de independência só podia dar nisto: rebentos. Na quarta edição do Festival Internacional de Cinema Independente, os ventos de mudança sopram mais fortes.

15 de abril de 2007 às 00:00
Filmes e música de casamento marcado
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A ficção e a animação, as obras experimentais e os documentários, as primeiras e segundas obras de autor regressam à sala mãe, o Cinema São Jorge, em Lisboa, entre 19 e 29 de Abril, com os olhos postos na descentralização. Ao eixo da Av. de Roma, onde o IndieLisboa se instalou a partir da 2.ª edição (primeiro nas salas do Fórum Lisboa e do King, depois também no cinema Londres), e à sala da Avenida da Liberdade, associam-se os ecrãs de cinco cidades já confirmadas na aguardada extensão do festival no próximo ano. Enquanto Alcobaça, Angra do Heroísmo, Odivelas, Torres Vedras e Vila Nova de Famalicão se preparam para dar as boas vindas ao festival, o Indie mantém a aposta nas estreias e convidados de luxo de visita à capital. ‘Life in Loops’, uma experiência cinemática baseada num remix visual do filme ‘Megacities’, musicado ao vivo pelos austríacos Sofa Surfers e um filme/concerto de ‘O Garoto de Charlot’ com acompanhamento musical ao vivo pelos Coty Cream, são os dois espectáculos que, pela primeira vez, cruzam o cinema e a música num certame que mantém a sua espinha dorsal. Ao primeiro projecto, cabem as honras de abertura do festival organizado pela Associação Cultural Zero em Comportamento.

Competição Internacional, Observatório, Laboratório, Herói Independente e IndieJúnior são as secções estruturais do Indie, que repõe dois programas temáticos (IndieMusic e Director’s Cut) e apresenta dois programas especiais (a primeira exposição nacional do projecto New Crowned Hope e uma homenagem ao festival L’Alternativa de Barcelona (Festival de Cinema Independent de Barcelona).

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Em jeito de antestreia nacional, o Indie aposta num conjunto de obras incluídas nas várias secções: ‘D.O.A.P. – Death Of a President’, de Gabriel Range; ‘The US vs John Lennon’, de David Leaf e John Scheinfeld; ‘Shortbus’, de John Cameron Mitchell; ‘I Don’t Want to Sleep Alone’, de Tsai Ming-Liang; ‘Syndromes and a Century’, de Apichatpong Weerasethakul; ‘Joe Strummer: The Future is Unwritten’, de Julien Temple; ‘Angel’, de François Ozon; ‘A Scanner Darkly’, de Richard Linklater e ‘Fay Grim’, de Hal Hartley – de visita ao Indie.

Este ano, a competição oficial do festival será composta por 12 longas-metragens e 30 curtas-metragens. O Observatório de longas e curtas-metragens insiste na nata da produção cinematográfica independente contemporânea, apresentando filmes excluídos da competição oficial (seja porque são anteriores às datas de selecção ou porque os seus realizadores já obtiveram um reconhecimento mais alargado). A secção Laboratório aposta em obras mais radicais e inclassificáveis, que pulam as barreiras instituídas de géneros e formatos no cinema.

Heróis, lendas vivas, sonhadores, carismáticos, ícones do pop/rock. Elegias ao mítico CBGB e aos meandros do grunge, as possibilidades do jazz e o poder do rap com cor de intervenção. ‘Kurt Cobain About a Son’, de AJ Schnack; ‘Herbie Hancock`s Possibilities’, de Doug Biro; Sonic Youth: ‘Do you believe in rapture?’, de Braden King; ‘Nu Bai – O Rap Negro de Lisboa’, de Otávio Ribeiro Raposo; e ‘Filhos do Tédio’, de Rodrigo Fernandes e Rita Alcaire, documentam a música que pela história vira película na categoria Indie Music.

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Depois da homenagem prestada na edição anterior aos realizadores Michael Glawogger, Jay Rosenblatt, Nobuhiro Suwa e Edgar Pêra, serão distinguidos o realizador japonês Shinji Aoyama e o Novíssimo Cinema Alemão contemporâneo, no âmbito da secção Herói Independente.

Entre as actividades paralelas, para além dos habituais encontros com realizadores, destaque para as Lisbon Talks e as Lisbon Screenings – espaço de formação e partilha de informação para estudantes e profissionais de cinema e mostra do recente cinema português reservado a programadores, distribuidores e críticos internacionais. Os encontros somam-se às 270 sessões previstas, um número que que continuam a fazer crescer o Indie a olhos vistos.

FESTIVAL INTERNACIONAL DE CINEMA INDEPENDENTE (INDIELISBOA)

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Locais: S. Jorge (Av. da Liberdade), Fórum Lisboa, Cinema Londres (Av. de Roma), Cinema King (R. Frei Miguel Contreiras) – Lisboa.

Preços: Sessões regulares de cinema: 3,5€euros; bilhetes com desconto: 3€euros (Cartão Jovem, maiores de 65 anos, grupos organizados com mais de 20 pessoas, alunos e formadores da Restart); Cadernetas de 20 bilhetes: 54€euros (à venda na Bilheteira Central exclusivamente de 5 a 18 de Abril). Bilhetes à venda no Fórum Lisboa e a partir de dia 19 nos próprios locais

Filme/Concerto Life in Loops/Sofa Surfers: 12 euros; bilhete com desconto: 10 euros

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Sessões especiais: Sessão de abertura e encerramento – 5 euros (preço único); Filme/concerto O Garoto de Charlot/Coty Cream – 5 euros (preço único)

IndieBus: percurso Fórum Lisboa / S. Jorge / Fórum Lisboa (autocarro gratuito para portadores de bilhetes)

Mais informações: www.indielisboa.com

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DESTAQUES EM COMPETIÇÃO

LONGAS-METRAGENS

- ‘El Amarillo’, de Sergio Mazza, Argentina – Dias 23, 25 e 27, King

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- ‘Analog Days’, de Mike Ott, EUA – Dias 22 (Londres) e 25 (Fórum Lisboa)

- ‘Close to Home’, de Vidi Bilu e Dalia Hager, Israel – Dias 23 e 26, S. Jorge

- ‘Pas Douce’, de Jeanne Waltz, França – Dias 27 (S. Jorge) e 28 (King)

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- ‘Rabia’, de Oscar Cárdenas, Chile – Dias 24, 26 e 28, Londres

- ‘Drama/Mex’, de Gerardo Naranjo, México – Dias 24 e 26, S. Jorge

- ‘Love Conquers All’, de Tan Chui Mui, Malásia – Dias 23, 25 e 27, Londres

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CURTAS-METRAGENS

- ‘Tyger’, de Guilherme Marcondes, Brasil – Dias 21 e 25, King

- ‘Kitty & Júlio’, de Cláudia Rita Oliveira, Portugal/Rep. Checa – Dias 22 e 25, King

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- ‘A Ilha da Boa Vida’, de Mercês Tomás Gomes, Portugal – Dias 23 e 27, King

- ‘Jantar em Lisboa’, de André Carrilho, Portugal – Dia 23, Fórum Lisboa

- ‘Dog Days’, de Geoffroy de Crecy, França – Dias 23 e 26, King

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- ‘China, China’, de João Pedro Rodrigues e João Rui Guerra da Mata, Portugal – Dia 20, Fórum Lisboa

- ‘Excursão’, de Leonor Noivo, Portugal – Dia 22, Fórum Lisboa

- ‘EX’, de Miguel Clara Vasconcelos, Portugal – Dia 22 Fórum Lisboa.

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A programação do Indie integra uma secção com sessões dirigidas a públicos escolares (do Ensino Pré-Escolar ao 3.º Ciclo do Ensino Básico) e a famílias (com crianças a partir dos 3 e até aos 12 anos).

10 FILMES PARA FICAR FELIZ: MAIORES DE 3 ANOS

‘Julot’, de Mava Tibermann, Israel, 2006, 3’, animação

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Um jogo de berlindes conduz a uma fantástica e fascinante aventura.

SAPOS, FAMÍLIAS E BOTÕES ACELERAS: MAIORES DE 6 ANOS

‘Cuidado, as portas vão abrir!’, de Anastasia Zhuravleva, Rússia, 2005, 5’, animação . Um dia, no metro, um botão apaixona-se por uma menina-botão. Mas o metro estava cheio de botões e alfinetes e ele perde-a de vista quando as portas abrem. Será que vai voltar a encontrá-la?

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RIR, FAZER AMIGOS E ENCONTRAR GENTE MUITO, MUITO ESTRANHA: MAIORES DE 9 ANOS

‘Pássaros’, de Pleix, França, 3’, experimental. Quem julga que os cães não voam está muito enganado.

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