Frederico Lourenço: “A Bíblia é o livro dos livros”
Há dois anos que começou a traduzir os 80 livros da Bíblia grega e continuará a fazê-lo até 2019
A tradução mais exata do Novo Testamento que alguma vez se fez em Portugal, a mais completa, e o primeiro volume (serão seis) já está nas bancas (Quetzal). Até 2019, o tradutor, professor universitário, escritor (e ex-católico, já agora) espera ter concluído a obra com "um sentimento de gratidão" tal que chega a pôr em causa que depois desta – feita a partir dos textos originais em grego – outras traduções se seguirão. Há projetos que marcam uma vida e este, a que deu início em 2014, seguramente será indissociável da vida deste homem que já tinha escalado montanhas de peso, como a ‘Ilíada’ e a ‘Odisseia’, de Homero.
Quanto tempo demorou a traduzir este primeiro volume da Bíblia?
Como é o seu ritmo de trabalho numa tradução?
É fácil desligar de uma obra desta natureza e de-dicar-se a outras tarefas, como lecionar?
Porquê este projeto? Como definiria este desafio?
Li que a aposta é editar até 2020 os seis volumes desta que é considerada a Bíblia mais completa. De que forma chegará ao fim? Cansado e com vontade de traduzir outro tipo de obras, pesaroso pelo fim de um ciclo...?
Quais foram até aqui as maiores dificuldades?
O que tem de diferente a sua tradução em relação às anteriores?
Li também que foi católico praticante, mas que agora não se identifica com nenhuma denominação cristã, embora acredite em Deus. É mais fácil ou mais difícil o distanciamento?
Qual foi a parte que mais prazer lhe deu traduzir?
E qual a que mais dúvidas lhe levantou?
Qual a passagem da Bíblia para si mais relevante nos dias que correm?
O que a Bíblia pode trazer ainda hoje, não necessariamente só aos católicos mas também aos que não o são?
Este é o projeto da sua vida? Quando começou a pensar fazê-lo?
O HOMEM CUJA OBRA É UMA ‘ODISSEIA’
Frederico Lourenço nasceu em Lisboa em 1963, mas entre os dois e os dez anos viveu em Oxford, em Inglaterra, onde o pai (M.S. Lourenço, filósofo e tradutor) fazia o mestrado. Em Portugal estudou no Liceu Francês Charles Lepierre e no Instituto Goethe de Lisboa (de língua alemã). Licenciou-se em 1988, em Línguas e Literaturas Clássicas na Universidade de Lisboa, onde se doutorou com uma tese sobre os cantos líricos de Eurípides. Aqui foi professor até trocar a capital por Coimbra, em 2009, onde leciona Estudos Clássicos, grego e literatura grega. Traduziu em verso a ‘Ilíada’ e a ‘Odisseia’, de Homero, e publicou um volume de ensaios de temática helénica intitulado ‘Grécia Revisitada’. É também tradutor de uma amostra representativa dos diferentes géneros poéticos cultivados na Grécia Antiga intitulada Poesia Grega de Álcman a Teócrito. Além do romance três- -em-um ‘Pode Um Desejo Imenso’, é autor de ‘Amar Não Acaba’, ‘A Máquina do Arcanjo’, ‘A Formosa Pintura do Mundo’, ‘O Lugar Supraceleste’ e ‘O livro aberto: Leituras da Bíblia’.
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