GUSTAVO LIMA: À VELA PARA ATENAS
Com a vitória no mundial, o velejador qualificou-se para os Jogos Olímpicos de 2004. Gustavo não tem dúvidas que vai ganhar uma medalha. E se possível, de ouro.
O mar é a sua segunda casa. Quando não está a participar em competições internacionais ou a exercitar o corpo no ginásio, é nas ondas do Atlântico que Gustavo Lima, de 26 anos, nascido no Brasil, passa mais de três horas por dia e sempre com o mesmo objectivo: inscrever o seu nome nas páginas da história do desporto português.
O sonho do velejador do Sport Club do Porto concretizou-se este ano, em Cádiz, ao conquistar o título mundial na classe Laser: “Foi um momento mágico, mas não aconteceu por acaso. As pessoas nem imaginam as dificuldades que os atletas têm de ultrapassar para atingir o topo”, recorda Gustavo, que aos nove anos de idade já praticava vela no Clube Naval de Cascais. O que começou como uma ‘brincadeira’ de fim-de-semana, incentivada pelo pai, acabou por se levada a sério pelo jovem atleta, que aos onze anos de idade já representava o País em ‘meetings’ no estrangeiro. “Esta modalidade é fascinante. Facilmente nos apaixonamos por ela. Por isso, nunca faltava aos treinos, às vezes todos os dias, depois da escola”, recorda o craque, que aos 17 anos optou por abandonar os estudos quando descobriu que tinha garra suficiente para vingar como atleta de alta competição.
E se nos primeiros anos, quando os resultados teimavam em não aparecer, chegou a arrepender-se da decisão, hoje, esses pensamentos já não o atormentam: “Se tivesse ido para a Universidade, o mais certo era ter tirado Gestão de Empresas. Mas prefiro não pensar nisso. Estou de ‘pedra e cal’ no desporto”, avisa o desportista, que se consagrou campeão nacional em 1992, e à quarta tentativa.
Agora, mais do que nunca, o que conta é ganhar. “Essa é a minha principal motivação. É o doce sabor da vitória que me faz seguir em frente. Não gosto de perder, principalmente quando trabalho tanto e depois, no final, não vejo os resultados”, explica. Mas este ano, Gustavo não tem razões para se queixar. Além do título mundial já conquistado, o atleta olímpico está ainda nomeado para o prémio de Melhor Velejador do Ano ISAF/Rolex, que será anunciado a 12 de Novembro, em Barcelona.
Graças à sua esmagadora vitória em Espanha - depois de onze regatas somou 27 pontos e deixou para trás o brasileiro Robert Scheidt, seis vezes campeão mundial - Gustavo carimbou o seu passaporte para os Jogos Olímpicos de 2004, em Atenas. Depois de um honroso sexto lugar em Sidney (quando ainda nem sequer fazia parte do lote de favoritos) desta vez, acredita que vai trazer uma medalha para Portugal. “E de ouro”, se tudo correr como o previsto. No entanto, se os seus objectivos falharem, não vai ser por falta de treino: “Eu sou um lutador. Abdiquei de muita coisa para chegar até aqui. Como não quero deixar ninguém descontente, em Atenas vou dar o tudo por tudo. Contem comigo”.
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