Hoje faço de conta
“Segundo aquele jornal, “a criança terá usado a sua própria caçadeira – um modelo especialmente concebido para crianças””
Esta semana o jornal ‘Público’ noticiou o caso de Jordan Brown, miúdo americano de treze anos acusado de matar a namorada do pai, grávida na altura do assassinato, quando tinha onze anos. Qualificado como perpetrador de duplo homicídio, o rapazito Brown pode vir a passar o resto da sua vida na prisão, caso a justiça norte-americana decida julgá-lo como adulto e considerar o arguido culpado.
Segundo aquele jornal, "a criança terá usado a sua própria caçadeira – um modelo especialmente concebido para ser usado por crianças". Ora, após ler tal frase fui logo pesquisar sobre este tipo de armas, deixando o artigo a meio da leitura. Não fazia ideia que tal coisa pudesse existir, mas claro que sim, não fosse a realidade sempre mais estranha do que qualquer ficção que a mente humana possa conceber, e segundo alguns sítios na internet existem à venda armas de fogo de todo o tipo e feitio desenhadas a pensar nos pequenitos, facilitando o seu uso com adaptações de peso e tamanho.
Isto acontece não só nos habituais Estados Unidos da América como em países supostamente mais equilibrados como Inglaterra ou a insuspeita Escócia, onde percebi (espero que mal) terem sido emitidas licenças de porte de arma a crianças. E foi a segunda vez que hoje deixei uma leitura a meio, motivado não por sobreposta curiosidade mas antes por uma certa náusea que em mim se assomou.
Tinha aqui assunto para aprofundar na crónica semanal, mas só consegui roçar a superfície da coisa. Noutra altura informar-me-ei melhor sobre isto tudo, mas hoje não estou capaz. Hoje reservo-me o direito de ser egoísta dando graças por viver num país que não fabrica armas para crianças (e se o faz por que é que não haverá de as julgar como adultos, já agora?) ou permite que se façam concursos de beleza para pequenas miúdas, onde as mais bebés usam dentes postiços, maquilhando-as como adultas de gosto duvidoso, à medida que desfilam em minifatos de banho sob o olhar atento dos pais, como no programa dedicado a tais espectáculos do absurdo que dava na televisão há momentos.
Hoje não. Hoje faço de conta que isto não me afecta já que não me toca directamente e penso se vou ao estádio ou vejo a bola em casa. Bom domingo, minha gente.
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