João Ferreira do Amaral: "O euro é uma amálgama indigesta"

Um balanço muito negativo do impacto da moeda única na economia portuguesa levou o professor catedrático a escrever um livro em que não só explica os problemas, como também aponta hipóteses de saída.

12 de maio de 2013 às 15:00
João Ferreira do Amaral, Euro, Sair do Euro, Moeda única, Taxa de juro, Livro, Federalismo, Porque devemos sair do euro Foto: Sérgio Lemos
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Encarando a participação no euro como "um desastre de grandes proporções", pois fez desaparecer a maioria dos instrumentos ao dispor dos governos nacionais, João Ferreira do Amaral defende que Portugal deve começar a preparar a saída da moeda única antes de ficar condenado a uma prolongada estagnação. Em vez de uma divisa mais valorizada do que diz ser possível suportar, a resolução do problema passa, na opinião do autor do livro ‘Porque Devemos Sair do Euro’, pela possibilidade de voltar a emitir moeda - em vez de recorrer a empréstimos internacionais - e pela variação cambial.

*A resposta escolhida surge sublinhada.

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Defende que é necessário divorciar Portugal do euro. O que pensa a maioria da classe política portuguesa?

a) Talvez seja melhor ir ao conselheiro matrimonial...

b) Ninguém fala disso até os miúdos saírem de casa. Nem que seja aos 40 anos

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c) Juntos até que a morte os separe ("A nossa morte.")

Se a assinatura do Tratado de Maastricht foi a maior capitulação nacional desde as Cortes de Tomar, que reconheceram D. Filipe II como rei, a que acontecimento histórico compararia a saída do euro?

a) Com a Restauração de 1 de dezembro de 1640

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b) Com a reconstrução de Lisboa, após o terramoto de 1755

c) Com a manhã de 25 de abril de 1974

Qual foi a consequência mais nociva do euro para a economia nacional?

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a) A impossibilidade de financiar o Estado através da emissão de mais moeda

b) A impossibilidade de tornar as exportações mais competitivas através da desvalorização cambial

c) A impossibilidade de encontrar um único porta--moedas que não tenha imagens de monarcas ou símbolos estrangeiros

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d) Outra hipótese: as duas primeiras

Escreve que o euro é filho do federalismo e do neoliberalismo. De quem são os genes dominantes?

a) Do neoliberalismo da falecida Margaret Thatcher, empenhada em limitar o peso do Estado na economia.

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b) Do federalismo da Alemanha, habituada a absorver e comandar economias mais fracas

c) É melhor fazer análises laboratoriais, porque a amálgama é difícil de discernir a olho nu ("É uma amálgama indigesta")


 

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Se o euro não conseguiu ser um guarda-chuva capaz de proteger Portugal da instabilidade monetária e financeira, então o que é?

a) Uma forma de fazer com que o marco alemão circule do Atlântico até perto dos Urais, ainda que disfarçado

b) Uma cápsula de suicídio de efeito retardado que vai corroendo os mais fracos até estes caírem para o lado

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c) É mesmo um guarda-chuvas, mas daqueles que partem as varetas ao primeiro vento

d) Outra hipótese: As duas primeiras

Qual é o político português com maior quota de responsabilidade no mau estado de Portugal?

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a) Passos Coelho, que ainda não conseguiu apresentar um Orçamento do Estado cem por cento constitucional e abusa da austeridade receitada por Vítor Gaspar

b) José Sócrates, que chegou a ponto de não ter dinheiro para cumprir as obrigações do Estado, e teve de assinar o memorando de entendimento com a troika

c) Durão Barroso, por não fazer da Comissão Europeia mais do que a caixa de ressonância de Angela Merkel

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d) Outra hipótese: todos os que meteram o País no projeto errado

Defende que, sem sair da União Europeia, Portugal se reindustrialize e redefina parcerias internacionais. Qual é a chave para salvar o País?

a) Voltar a ter uma indústria exportadora alicerçada em moeda menos valorizada

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b) Contar com a colaboração dos EUA e Brasil para explorar a riqueza da zona económica exclusiva

c) Portugal já não tem qualquer hipótese de salvação

d) Outra hipótese: as duas primeiras, mas a primeira é mais importante.

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